
Estupido Nerd Amor
Capítulo 2
— E quem era aquele? — Ryan perguntou, sentando ao meu lado quando finalmente chegamos à nossa primeira aula.
— Alguém que não ficou nada feliz por pulamos toda a fila.
Ele encolheu os ombros. Não se importou nem um pouco que alguém tivesse ficado chateado. Chegamos a tempo para a aula, e isso era tudo o que importava para ele.
— Você piscou para ele? — ele perguntou.
— Até quase arranquei meus cílios.
— Você piscou?
— Como se eu tivesse um tique nervoso.
— E o sorriso?
— O meu melhor sorriso Colgate.
— E mesmo assim ele ficou chateado? Uau, temos um imune.
Dei um tapa no braço dele. Em resposta, meu tolo irmão me mandou um beijo e fez um gesto com o rosto.
— Acho que ele está cego, talvez os óculos dele estejam tortos. É a única explicação plausível.
Ryan riu, balançando a cabeça, e virou-se para começar sua paquera com a primeira pessoa que sentou ao seu lado.
Ainda pensava em Alejandro Hott e seus ridículos suspensórios quando fixei meu olhar no horário das minhas aulas deste ano. Voltei à realidade para me concentrar no que estava à minha frente, pois devia haver algum erro; apareciam aulas adicionais de Matemática. Quatro dias por semana de matemática, para ser exata.
— Ry — o chamei, puxando-o pela camisa de forma insistente —, acho que sua amiga do escritório imprimiu meu horário errado.
— Por quê? — ele se virou e pegou o papel das minhas mãos.
— Aparecem duas aulas de matemática, deve ser um erro, não?
Um certo medo se infiltrou na minha voz.
— Claro, com certeza. Ela me disse que o sistema estava com problemas de manhã; talvez seja por isso. Volte quando a aula terminar — e ele acrescentou em um sussurro para que a garota ao lado dele não ouvisse —, e seja uma boa irmãzinha e consiga o número dele para mim, já que estava tão apressado esta manhã, nem pedi.
Concordei uma única vez sem tirar os olhos do horário. Deve ser um erro.
— Como assim não é um erro? — exclamei, alterada, para Kathy, a garota do escritório administrativo.
— Nas segundas e sextas, você terá Matemática 2, e nas terças e quintas, Matemática 1. Está tudo claro.
— Isso é impossível — insisti, entregando-lhe mais uma vez o papel com meu horário, que já estava bastante amassado —, eu fiz Matemática 1 no semestre passado, querida — respondi com soberba.
Quão difícil poderia ser imprimir uma folha? E mesmo assim, ela a tinha feito errado, e como se isso não bastasse, ela se recusava a reconhecer seu erro.
— Talvez você tenha feito, mas não passou — ela respondeu, com os olhos fixos na tela do computador enquanto digitava algumas coisas. Depois de alguns segundos que pareceram eternos, ela continuou falando —. Não é um erro, querida — repetiu, zombando do meu tom —. Você não passou em Matemática 1 no ano passado, então agora terá que cursá-la novamente. E se você não passar em ambas as disciplinas com mais de setenta por cento de nota, terá que repetir o ano inteiro.
— O QUÊ?! — gritei, surpresa.
Mi respiração ficou escassa e difícil, meu coração martelava com força, água gelada corria pela minha espinha dorsal, até mesmo o escritório me pareceu repentinamente pequeno e em constante movimento.
Ela deve estar errada. Não é possível que eu...
Não pode ser...
Eu me sentei na cadeira próxima. Minhas pernas haviam parado de responder, recusando-se a suportar o peso do meu corpo.
— Você está bem? — perguntou a garota, e quando viu meu rosto, levantou-se rapidamente e me ofereceu um pouco de água.
— Obrigada — murmurei enquanto dava pequenos goles.
Me senti oprimida. Tudo de ruim que poderia acontecer se eu não conseguisse passar nas matérias, se repetisse o semestre, se não passasse, se perdesse...
É demais.
— Quer que eu chame alguém? — mas neguei com a cabeça.
Terminei a água, agradeci e saí do escritório enquanto ligava para meu irmão. Não queria ir para a próxima aula, só queria ficar sozinha, então fui para a lanchonete, onde sabia que não encontraria ninguém neste momento.
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