
Essa noite, você dorme comigo!
Capítulo 3
Ok. Isso me pegou totalmente de surpresa, mas eu finjo normalidade, porque além de sorrir, polegar me encara dentro dos olhos e nesse momento, parece que eu esqueci como se fala.
— Isso é obra do Tuca? — pergunto — disse a ele que resolveria depois.
— Ele só me deu o papo por cima, aproveitei que vim buscar o Davi e vim falar contigo — ele arrasta uma cadeira e se senta de frente para mim, apoiando os braços nas costas da cadeira e o queixo em suas mãos — da hora o bagulho que ele me falou que tu andou fazendo por aqui…
— Gostaria de continuar, mas ele me disse que tinha que ter sua autorização.
— você tem…
— Mesmo? — ele afirma com a cabeça, sério — obrigado, não sei como te agradecer.
— Um dia você vai saber, pode ter certeza — ele dá um pulo da cadeira, me fazendo pular junto com o susto — pode me passar teu número? Quero ajudar no bagulho das crianças, bom que falo contigo quando eu tiver que desenrolar.
Desenrolar o que? Polegar e eu nunca trocamos uma palavra sequer antes de hoje. E o fato dele conversar comigo como se fôssemos amigos íntimos, me deixa assustada e com um pé atrás.
Ele tira o celular do bolso, desbloqueia e me entrega. Anoto meu numero e salvo, devolvendo o celular para ele.
— Meu nome é Karina — digo — e obrigado mais uma vez.
— Eu sei seu nome! — sorrindo, ele guarda o celular no bolso — mas não me agradeça ainda, você terá tempo pra isso.
Fico parada no mesmo lugar, observando ele sorrir de lado e se afastar, chamando Davi para ir embora.
Nem sei por quanto tempo fiquei parada olhando fixamente para a porta onde ele saiu. Só fui me dar conta quando meu estômago roncou de fome e eu me levantei, saindo da escola e indo direto para casa. Rezando para não encontrar Tuca pela rua, ou eu seria capaz de dar um murro na cara dele só pra largar de ser pra frente.
É sexta, dia de baile e muita festa aqui no morro, mas hoje estou cansada demais para isso.
Então subo para a laje, coloco um biquíni e analiso a tatuagem com vulgo “polegar” em minha virilha. Eu não sei onde estava com a cabeça quando fiz isso, minha sorte que de todas as transar que eu já tive, todas elas foram no escuro, seria constrangedor ter que explicar o por que daquela tatuagem.
Bebericando minha cerveja gelada, me deito da espreguiçadeira e relaxo. Já avisei Rose para subir direto, então ouço o portão lá embaixo se abrir, e nem me dou o trabalho de abrir os olhos para saber quem era.
Mas o cheiro de perfume masculino invade minhas narinas, e com os olhos arregalados, eu topo polegar me encarando, fixamente, para minha virilha, a tatuagem com o vulgo dele.
Eu me sento rapidamente e engulo seco, ele inclina o pescoço me encarando, como se tentasse desvendar meus segredos mais sujos, e então, Rose surge logo atrás dele.
— Nossa, que portão complicado de fechar — ela ofega — ele estava te procurando, queria falar contigo. Então como eu já estava subindo pra cá, achei que não seria ruim ele falar contigo pessoalmente — limpando o suor da testa, Rose passa por polegar e vem em minha direção — tem cerveja aí ou precisa comprar? Eu trouxe uns petiscos.
— Você pode ir buscar mais cerveja? — dessa vez é polegar quem pergunta, olhando para Rose enquanto tira a camisa, deixando à mostra nuvem de desenhos tatuados em seu corpo — se eu puder ficar com vocês aqui, é claro.
— Ah, sem problemas. Eu volto já já!
— Toma aqui o dinheiro — polegar enfia a mão no bolso e entrega uma nota de cem para Rose, que sai logo atrás dele.
Penso em vestir meu short, mas sei que já é tarde demais para isso, ele já viu a tatuagem, e eu estou rezando para que ele não pergunte nada referente a isso.
— Po, mó solzão. Foi mal ter entrado assim, sua amiga praticamente me arrastou quando eu disse que queria falar contigo.
— Ah, não tem problema! — sentindo meu rosto queimar com ele ainda me olhando, engulo a bola de golfe que se forma em minha garganta — o que queria falar comigo?
— Arrumei um fornecedor maneiro, vou doar as cestas básicas para as crianças e os brinquedos. Você só precisa me dizer a quantidade!
— Nossa, que notícia maravilhosa — polegar olha meu corpo de cima para baixo e se concentra no meio das minhas coxas, tentando mais uma vez ver a tatuagem, ou seja lá o que for — eu vou olhar em minhas anotações, e depois te passo os números certinhos.
— Tem um ano que fui embora daqui — ele muda o assunto repentinamente — po, parece que tem muito tempo, não me lembro de quase nada, principalmente de você…
— O que? — franzo o cenho e passo a língua nos lábios, sentindo ele ressecado mesmo com a cerveja que tomo — como assim?
— Onde tua amiga foi comprar bebida?
— Em um depósito lá embaixo, perto do mercadinho popular, por que?
Ele não responde, então se levanta e se aproxima de mim, parando na minha frente e inclinando o corpo para baixo, até seus olhos ficarem pareados com os meus.
— Já que estamos aqui, vamos falar de negócios. Você tem meu vulgo tatuado na virilha, então quer dizer que você me pertence.
Surpreendentemente, consegui ficar mais envergonhada do que já estava.
— Por que você tem meu vulgo tatuado? — ele me pergunta, ainda me encarando — não precisa tentar esconder, antes de ver eu já sabia. Só não tava botando fé e arrumando um jeito de ver isso pessoalmente, só não imaginei que seria tão fácil assim.
— Quem te contou? — pergunto.
— Não importa — ela estala a língua no céu da boca e se afasta suspirando — o que diz respeito a mim, eu sempre fico sabendo de tudo.
— Não é como se você precisasse se preocupar com isso — finalmente consigo abrir a boca pra falar — eu fiz quando tinha 15 anos, então…
— 15 anos? — afirmo com a cabeça — por que?
— Eu… — tento falar, mas minha garganta se fecha novamente, então fecho os olhos, por que se eu não olhar para ele, talvez eu consiga falar — era apaixonada por você, um amor bobo de adolescente, e tive a brilhante ideia de tatuar onde ninguém poderia ver.
— você é virgem?
— O que? — pergunto incrédula — o que isso tem a ver com o assunto?
— Se for virgem, até entendo. Alguém mais já viu essa tatuagem?
— Não, você é a primeira pessoa… — ele me encara sério e eu perco a vontade de beber na hora — Rose não presta atenção nas coisas, é sempre voada. E ela também não tem o porquê dela ficar olhando para minha virilha!
— Então você é virgem!
— Por que acha isso? — pergunto — pelo meu corpo?
— Você disse que só eu vi essa tatuagem, se tivesse tido com outro homem em uma cama, ele teria notado também. De fato, se eu te fodesse, a primeira coisa que eu faria era chupar essa tua buceta — meus olhos se arregalam com tanta força, que quase saem pra fora, e meu rosto queima de vergonha com um vocabulário tão escrachado — impossível não ver.
— Eu não sou virgem, Polegar.
— Então transa no escuro? — não sei por que essa pergunta me deixou envergonhada, então só aceno com a cabeça confirmando — por que?
— Não é óbvio?
— Não! — novamente ele se aproxima e estende a mão para mim — levanta, quero admirar teu corpo.
— Não vai rolar — afirmo — você já sabe da tatuagem e o motivo dela, o que mais quer?
— Quero procurar o defeito que você tenta esconder, por que porra, te vi descendo hoje cedo e você é o paraíso, mulher. Perfeita da cabeça aos pés! — penso que eu só posso estar sonhando, e quase me belisco para saber se isso é real ou alguma aposta entre polegar e algum amigo — se levanta, eu quero te olhar!
Eu me levanto, sentindo uma pontada de emoção em meu peito, quando ele me fitou de cima abaixo, me secando com os olhos, como se fosse me atacar a qualquer momento. Os olhos dele sempre para exatamente onde termina a tatuagem, por baixo do tecido do meu biquíni.
— Seu corpo é lindo, não deveria sentir vergonha dele… — ele afirma, e como um balde de água gelada, ele se aproxima da porta que desce para a sala e saída da minha casa — tua amiga já deve está voltando, aproveita a bebida, mais tarde falo contigo.
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