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Capa do romance Esquentar o frio com meu chefe

Esquentar o frio com meu chefe

Karl, um juiz veterano de 42 anos, sente-se atraído por Emily, uma advogada de 26 anos. Quando uma tempestade de neve os isola no sul do Canadá, ele concorda em levá-la até a casa da família dela. Impedidos de seguir viagem pelo clima rigoroso, os dois acabam dividindo uma cabana isolada durante o fim de semana. Naquele refúgio, o frio externo torna-se o cenário para uma inesperada e intensa conexão romântica que surge entre ambos.
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Capítulo 2

Karl era um dos juízes mais bem respeitados da minha área. Minha família só me vê 2x ao ano e eu estou aqui parada em uma cabana, não com eles, mas praticamente meu chefe. Ele é muito culto, seus olhares para mim são quase raros. Ele me evita. Por que? 

Se vamos fazer isso, esse Natal na cabana, preciso descobrir porquê ele me evita. 

Ao entrar na cabana, uma mistura de ansiedade e curiosidade envolve meus pensamentos. Estou surpresa por estar aqui, isolada com Karl, meu chefe respeitado. A neve lá fora amplifica a sensação de isolamento, enquanto a lareira crepita, criando um refúgio íntimo dentro da cabana.

Minha mente viaja para as nuances de nossas interações no tribunal, os olhares raros e o evitamento perceptível de Karl. A decisão de compartilhar esta noite comigo é intrigante, e uma centelha de desejo se acende diante do desconhecido. Não pense assim, Emily...

Mas à medida que absorvo os detalhes da cabana, percebo a atmosfera carregada de tensão e oportunidades inexploradas. A escolha de Karl revela uma delicadeza que contrasta com a imprevisibilidade da situação.

Enquanto me aconchego ao calor da lareira, uma pergunta persiste em minha mente: por que ele me evita? A resposta, talvez, está escondida nos cantos da noite que se desenha diante de nós. Decido que não posso mais ignorar a tensão entre nós. Karl, o juiz respeitado que evita meus olhares, está aqui comigo nesta cabana isolada. 

–Karl, posso falar honestamente?

Pergunto, buscando sua permissão antes de mergulhar nas perguntas que me consomem. Me colocando como advogada de novo.

Ele assente, seu olhar enigmático encontrando o meu. 

–Claro, Emily. Fale o que precisar.

–Por que você me evita, Karl? Durante tanto tempo, seus olhares foram raros, quase como se eu fosse uma intrusa em sua vida. Se estamos aqui, enfrentando esse Natal juntos, eu preciso entender.

A chama da lareira dança enquanto espero pela resposta dele. Karl parece ponderar minhas palavras antes de finalmente falar. 

–Emily, não é uma questão de evitá-la. É mais complexo do que isso.

Persisto com um olhar determinado. 

–Eu mereço saber, Karl. Estamos juntos nesta situação complicada, e há algo entre nós que não pode ser ignorado.

Ele suspira, como se estivesse decidindo o quanto revelar. 

–Não é sobre você, Emily. É sobre mim. Sou um juiz respeitado, nunca me permiti certas liberdades. A proximidade que sentimos aqui, neste ambiente isolado, é algo que eu sempre evitei. Por medo.

Meu coração acelera ao absorver suas palavras. 

–Medo do quê, Karl?

–Medo de me permitir sentir algo que sempre mantive sob controle. Medo de atravessar limites que são difíceis de desfazer.

Respeitando a vulnerabilidade dele, continuo a questionar, curiosa mas também consciente da complexidade da situação. 

–E se esses limites fossem feitos para serem quebrados, Karl? E se o que tememos encontrar do outro lado fosse justamente o que precisamos?

Ele estremece e retira seu olhar de mim. Decido que um momento de pausa seria benéfico para ambos, e Karl se levanta com determinação. 

‐Emily, enquanto estamos aqui, o que você gostaria de comer? Tenho algumas opções na despensa, o dono deixou abastecido.

Pondero por um momento, pensando em algo reconfortante e típico. 

–Que tal uma poutine? Parece perfeito para uma noite fria como essa.

Ele sorri, concordando. 

–Ótima escolha. Vou preparar uma deliciosa poutine para nós.

Enquanto Karl se ocupa na cozinha, o aroma tentador começa a preencher o ar. A satisfação do estômago parece ser uma pausa bem-vinda diante das emoções intensas que compartilhamos. De costas, ele tinha muitos músculos marcados e seus fios grisalhos eram tão bonitos...

–Vai demorar muito, Karl?

Pergunto, curiosa sobre o tempo que teremos para esse momento de tranquilidade.

Ele olha por cima do ombro. 

–Provavelmente um pouco, estou caprichando. Sinta-se à vontade para relaxar enquanto eu cozinho.

Decido aproveitar a oportunidade para me recompor e, talvez, trazer um pouco de normalidade a essa situação única. 

–Tudo bem. Acho que vou tomar um banho para me aquecer um pouco mais. Avise-me quando estiver pronto.

Enquanto Karl se dedica à cozinha, eu me afasto, deixando o som suave da neve lá fora e o aroma delicioso da comida invadirem meus sentidos.

Ao explorar a cabana, me deparo com um banheiro rústico que exala um charme acolhedor. Duas toalhas pendem cuidadosamente, e escolho uma delas, apreciando o toque macio em minhas mãos.

Ao retirar minha roupa, me observo no espelho. Em meio à situação inusitada, reconheço a beleza inerente a cada detalhe. Um breve momento de autorreflexão em meio ao desconhecido.

Ao entrar no chuveiro, um inseto inesperado surge, e um grito involuntário escapa de meus lábios. O desespero toma conta enquanto tento afastá-lo, me sentindo vulnerável em minha nudez.

Os passos firmes de Karl se aproximam, e, ao ouvir sua presença, deixo a toalha cair involuntariamente, a surpresa e o constrangimento se misturando em meu rosto. Seus olhos deslizam meu corpo, posso sentir como se suas mãos quisessem adentrar em mim. 

Ele inala o ar firmemente e diz:

–Onde?

Não ligo para minha nudez e aponto para o chuveiro, Karl parece jogar o inseto pela janela e me orienta tentando o máximo me evitar.

–Não deixe aquela janela aberta.

Ele lava suas mãos pelo contato com o inseto mas não resiste e vê meu reflexo.

–Emily...

–Então é isto? Evita meu corpo porque...

–Não podemos fazer ou falar nada, já fomos longe demais.

O meio de minhas pernas esquentava ao ver Karl se virar e com destreza me prender contra a parede segurando meus dois pulsos no alto da cabeça com apenas uma mão. Ele é tão forte assim? Minha respiração oscilava.

–Sou um homem faminto, entende Emily? Você é como uma refeição completa no deserto, mas...

–Me permita ser... Quer dizer, Karl estamos sozinhos nessa cabana e ninguém saberia. Eu gostaria de ser...

–Não faça isso...

Ele fecha os olhos com pressão e cola sua testa acima da minha cabeça.

–Me coma, Karl.

Sua mão relaxa nos meus pulsos e lentamente ele sai do banheiro atordoado. Me sinto decepcionada, mas ouço ele desligar coisas e caminhar de volta retirando suas botas.

–Vá para o chuveiro.

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