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Capa do romance Esposa Negligenciada, Vingança Agonizante

Esposa Negligenciada, Vingança Agonizante

Após sete anos de desprezo como esposa e mãe, meu mundo desmoronou quando meu marido trouxe sua amante para morar conosco. Diagnosticada com leucemia terminal, fui pressionada pela própria família a aceitar o divórcio para facilitar os negócios dele. O ápice do sofrimento ocorreu quando ele agrediu nosso filho em público para favorecer o novo enteado. Decidi que meu último ato seria uma vingança amarga: morrer em sua cobertura e deixá-lo com o peso do meu sangue.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Helena Almeida

Ricardo me encarou, seus olhos arregalados com uma mistura de choque e fúria. Ele abriu a boca para retaliar, mas o olhar cru e descontrolado em meus olhos deve tê-lo feito hesitar. Ele simplesmente pegou Enzo nos braços, virou-se e saiu, batendo a porta atrás de si.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. As decorações da festa pareciam berrantes e zombeteiras agora.

"Mamãe", Leo sussurrou, sua voz trêmula. "Você está bem?"

Ajoelhei-me e o puxei para um abraço apertado, enterrando meu rosto em seus cabelos macios. "Estou bem, meu amor. Vamos comer um pouco de bolo."

Sentamos à mesa, o bolo de chocolate gigante entre nós parecendo obsceno em sua alegria. Leo mal tocou em sua fatia, sua empolgação anterior completamente desaparecida.

"Mamãe", ele disse baixinho, sem me olhar. "O... o papai não gosta de mim?"

A pergunta foi um golpe direto no meu coração. Forcei um sorriso radiante. "Claro que ele gosta de você, querido. Ele te ama muito. Ele só está... muito ocupado e estressado com o trabalho."

A mentira parecia ácido na minha língua.

Leo empurrou um pedaço de bolo em seu prato. "Ele nunca me abraça como abraçou aquele outro menino."

Ele não precisava dizer mais nada. Eu sabia exatamente o que ele queria dizer. O afeto de Ricardo era uma moeda que ele só gastava com os outros. Para seu próprio filho, seus bolsos estavam sempre vazios.

Que tipo de pai despreza o próprio filho? Um homem que vê essa criança como a personificação viva de seu próprio fracasso. Um homem que culpa uma criança inocente de cinco anos por seu próprio casamento sem amor.

Lágrimas que eu não sabia que estava segurando começaram a escorrer pelo meu rosto. Chorei por meu filho, por seu coração ferido. Chorei por mim mesma, pelos sete anos que desperdicei tentando ganhar o amor de uma estátua de pedra.

Uma mãozinha tocou minha bochecha, enxugando uma lágrima. "Não chore, mamãe. É meu aniversário. Você deveria estar feliz."

Meu filho, meu menino doce e sensível, estava me consolando em seu próprio aniversário arruinado. O pensamento me trouxe uma nova onda de dor.

Assim que consegui me recompor, a porta da frente se abriu novamente. Era Ricardo, sozinho desta vez. Seu rosto era uma nuvem de tempestade.

"Precisamos conversar", ele disse, sua voz seca.

"Sobre o quê?" retruquei, minha voz pingando sarcasmo. "Sobre o meu salário? Ou sobre a minha próxima avaliação de desempenho como sua governanta?"

Ele ignorou minha provocação, sua mandíbula tensa. "Sobre o Enzo. O nome dele é Enzo Hood. Ele é filho da Angélica."

Angélica. O nome me atingiu como um golpe físico. Seu único e verdadeiro amor. A mulher que ele nunca superou. Então o menino era dela. Tudo fazia um sentido doentio e distorcido agora.

"O pai do Enzo faleceu há alguns anos", Ricardo continuou, sua voz desprovida de emoção. "Angélica o tem criado sozinha. Ele... teve alguns problemas psicológicos desde a morte do pai. Ele viu uma foto minha e, por algum motivo, começou a me chamar de 'papai'. O terapeuta dele disse que seria bom para sua recuperação deixá-lo... interpretar o papel por um tempo."

Ele estava explicando, justificando. Mas tudo o que eu conseguia ouvir era a verdade não dita: *Estou fazendo isso pela Angélica. Estou bancando o pai para o filho dela porque ainda a amo.*

Levantei a mão, interrompendo-o. "Ricardo, que dia é hoje?"

Ele franziu a testa, confuso com a mudança de assunto. "É 28 de outubro. O que isso tem a ver com alguma coisa?"

"É o quinto aniversário do Leo", eu disse, minha voz tremendo de raiva. "Você ao menos sabe qual é a cor favorita dele? Sabe que ele é alérgico a amendoim? Sabe que ele tem medo do escuro e precisa de uma luz noturna? Você sabe alguma coisa sobre seu próprio filho?"

Eu estava gritando agora, uma torrente de sete anos de raiva e dor reprimidas jorrando de mim. "Você não foi a uma única reunião de pais e mestres! Você perdeu os primeiros passos dele! Você não estava lá quando ele teve uma febre de 40 graus e eu tive que levá-lo correndo para o pronto-socorro sozinha! Onde você estava, Ricardo? Estava bancando o papai para o filho de outra pessoa naquela época também?"

Foi a primeira vez em todo o nosso casamento que eu levantei a voz para ele. A primeira vez que perdi a paciência.

Ele parecia genuinamente chocado, como se um móvel de repente tivesse começado a gritar com ele.

Ele pigarreou, seu olhar se desviando para Leo, que nos observava com olhos grandes e aterrorizados. "Leo, eu... eu sinto muito. O papai sente muito."

"Tudo bem, papai", Leo murmurou, sua voz mal um sussurro. "Por favor, não brigue com a mamãe."

Meu coração se partiu em um milhão de pedaços.

Respirei fundo, tremendo, tentando recuperar o controle. "Tudo bem. Vamos só... vamos terminar o bolo."

Sentamos em um silêncio tenso e miserável. Assim que eu estava prestes a sugerir que abríssemos os presentes, uma pequena figura apareceu na porta. Era Enzo.

"Papai Ricardo", ele choramingou, agarrando o estômago. "Minha barriga dói."

Instantaneamente, Ricardo estava de pé, seu rosto marcado pela preocupação. "O que há de errado? Você está se sentindo mal?" Ele se ajoelhou, pressionando a mão na testa de Enzo.

Enzo se inclinou para ele, mas seus olhos encontraram os meus por cima do ombro de Ricardo. Havia um brilho de triunfo neles, um sorrisinho malicioso que me deu um arrepio na espinha. Ele não estava doente. Isso era um jogo.

Ele era uma miniatura perfeita de sua mãe, Angélica — bonito, manipulador e um especialista em conseguir o que queria.

Eu tinha que revidar. Eu não podia deixá-los vencer.

"Ricardo", eu disse, minha voz firme. "Fique. É o aniversário do seu filho. Fique e abra os presentes com ele."

Ele mal olhou para mim, sua atenção totalmente em Enzo. Ele pegou o menino nos braços. "Não posso. Ele não está se sentindo bem. Tenho que levá-lo para casa." Sua voz estava carregada de uma fúria gelada, como se eu fosse a pessoa mais irracional do mundo por pedir que ele fosse pai de seu próprio filho por cinco minutos.

"Por favor", implorei, meu orgulho desmoronando.

Ele se virou, seu rosto uma máscara de fria indiferença. "Saia da minha frente, Helena."

Ele passou por mim sem um segundo olhar. Fiquei ali, congelada, enquanto a porta da frente se fechava, mergulhando a sala de volta no silêncio.

O aniversário do meu filho. Nosso sétimo aniversário de casamento. E eu tinha acabado de implorar para meu marido ficar, apenas para ser empurrada de lado pelo filho de outra mulher.

O gosto amargo do desespero encheu minha boca. Eu era uma tola. Uma completa e total tola.

Virei-me para a mesa e forcei um sorriso para meu filho. "Bem, mais presentes para nós, certo, meu amor?" eu disse, minha voz falhando na última palavra.

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