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Capa do romance Entregue ao chefe da Máfia

Entregue ao chefe da Máfia

Dante Moretti inicialmente rejeitou a oferta, mas mudou de ideia ao ver que um monstro terrível levaria a jovem. Agora, ele a reivindica como sua propriedade, custe o que custar. Presa por uma dívida sangrenta e ligada a uma criança dada como morta, Emma mergulha em um mundo de ódio e segredos. Ela logo percebe que o maior risco não é o cárcere, mas sim perder o coração para o perigoso homem que a resgatou. Uma trama intensa sobre obsessão e desejo.
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Capítulo 2

Dante

Dias depois

O charuto queimava lentamente entre meus dedos, a fumaça subindo em espirais preguiçosas enquanto eu encarava a janela do meu escritório. A cidade lá fora pulsava como sempre: luzes, barulho, caos. Meu reino. As ruas abaixo formavam um tabuleiro, e eu movia as peças com precisão havia anos. Negócios sujos, sim, mas negócios que eu controlava com punho de ferro. Nada acontecia sem que eu soubesse, sem que eu permitisse.

A noite estava silenciosa demais para o meu gosto. O vazio me incomodava, como um aviso de tempestade que eu ainda não podia enxergar. Peguei o copo de uísque na mesa, o líquido âmbar girando enquanto o levava aos lábios. O gosto forte queimou minha garganta, mas não aplacou a inquietação que crescia em mim nos últimos dias. Eu era um homem de ação, não de reflexões, mas, ultimamente, algo parecia fora de lugar.

A porta rangeu atrás de mim, e não precisei virar para saber quem era.

- Entre, Carlo - disse, minha voz cortando o ar antes que ele pudesse bater.

Carlo, um dos meus homens mais antigos, entrou com passos pesados, o rosto marcado por cicatrizes que contavam mais histórias do que ele jamais revelaria.

- Chefe, os carregamentos da semana passada chegaram. Tudo certo no porto. Mas o Ricci está atrasado com o pagamento de novo. Quer que eu dê um jeito nele?

Dei um gole no uísque, deixando a pergunta pairar por um momento. Ricci era um rato ganancioso, sempre tentando esticar os prazos, achando que poderia me enganar.

- Mande um recado - respondi, girando a cadeira para encará-lo. - Quebre um dedo ou dois. Ele vai lembrar que meu dinheiro não espera.

Carlo assentiu, um sorriso torto surgindo no canto da boca.

- Feito, chefe. - Ele fez menção de sair, mas parou na porta. - Ah, e tem um boato circulando. Uns caras do leste estão tentando invadir nosso território. Nada confirmado ainda, mas achei que você gostaria de saber.

- Investigue - ordenei, batendo o copo na mesa. - Se for verdade, quero nomes. E quero que isso seja resolvido antes que se torne um problema.

Ele saiu sem dizer mais nada, e voltei a encarar a janela. O reflexo no vidro mostrava um homem que já tinha visto demais: cabelo escuro penteado para trás, olhos que não deixavam margem para dúvidas, uma cicatriz profunda cortando o lado esquerdo do meu rosto, da sobrancelha ao canto da mandíbula. Aquela marca era um lembrete de uma vida que eu preferia esquecer, um passado de sangue e traição que me transformara no que eu era. Meu pai me ensinara uma única lição antes de morrer: poder é tudo. E eu fiz disso minha lei.

Mas, naquela noite, minha mente não estava nas ruas, nem nos negócios. Estava em uma garota. EmmaAlmeida.

Eu não conseguia tirá-la da cabeça desde aquela noite na boate. Seus olhos castanhos, brilhando com uma mistura de raiva e medo, os cabelos negros caindo em ondas rebeldes sobre os ombros, os lábios carnudos que desafiavam o mundo mesmo quando ela tremia. Ela entrou naquela sala como uma tempestade, enfrentando-me sem hesitar, arrastando o verme do pai dela para longe de mim. Ninguém fazia isso. Ninguém ousava. Mas ela o fez. E, desde então, algo nela ficou cravado em mim, uma obsessão que eu me recusava a admitir.

Bati o charuto no cinzeiro, irritado comigo mesmo. Não era hora para distrações. Havia negócios a resolver, dívidas a cobrar. Mas, antes que eu pudesse me levantar, a porta se abriu novamente, e Marco, meu braço direito, entrou com aquele olhar que eu conhecia bem: o de quem trazia más notícias.

- Dante  - começou ele, hesitante -, é sobre o Almeida. O velho idiota.

Revirei os olhos, já imaginando mais uma desculpa esfarrapada.

- O que foi agora? Ele apareceu com meu dinheiro?

Marco balançou a cabeça, o rosto tenso.

- Não. Ele foi visto ontem à noite no território do Salazar. E... ele ofereceu a filha para ele. O mesmo acordo que tentou com você. Só que, dessa vez, Salazar aceitou.

O ar ficou pesado. Vitor Salazar. Meu estômago revirou só de ouvir o nome daquele filho da puta. Eu sabia o que ele fazia com mulheres - histórias que até um homem como eu não conseguia ignorar. Ele não as usava apenas para trabalho ou prazer; ele as quebrava, pedaço por pedaço, até não sobrar nada. E agora aquele covarde do Almeida tinha entregado Emmapara ele.

- Você tem certeza? - Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia, mas eu precisava saber.

- Sim - confirmou Marco, cruzando os braços. - Um dos nossos viu a negociação. Salazar já mandou buscar a garota amanhã.

Fechei os olhos por um segundo, a imagem dela voltando com força. Aqueles olhos castanhos, cheios de fogo, apagados pelas mãos de Salazar. Não. Eu não deixaria isso acontecer. Não por algum código de honra fajuto - eu não era nenhum santo. Mas, desde o momento em que ela me enfrentou, algo em mim decidiu que ela era diferente. E, se alguém fosse ter aquela mulher, não seria aquele animal. Seria eu.

- Reúna os homens - ordenei, levantando-me da cadeira. - Vamos pegar a garota antes que Salazar chegue perto dela.

Marco ergueu uma sobrancelha, surpreso.

- Você está falando sério, Dante? Por causa de uma garota? Isso pode começar uma guerra.

- Ela me foi oferecida primeiro. É meu direito pegá-la antes - retruquei, pegando meu casaco. - Salazar é um verme. Comigo, ela estará segura. A garota não merece pagar pelos erros do pai. Além disso, se Salazar invadir meu território, uma guerra vai começar de qualquer jeito. Melhor resolvermos isso sem sangue.

Mas, enquanto saía do escritório, com o peso da decisão me seguindo, eu sabia que aquilo provavelmente me traria uma dor de cabeça.

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