
Entre sangue e perdão
Capítulo 2
Foi nesse momento que Sadie se apaixonou perdidamente por Noah.
Nos dias que se seguiram à partida dele para estudar no exterior, ela se dedicou intensamente aos estudos, conseguindo entrar na mesma universidade que ele.
Acreditava que a excelência poderia diminuir a distância entre eles.
Finalmente, um dia, ele a procurou e a pediu em casamento.
Ela pensou que seu amor havia quebrado a indiferença dele.
Mas ela estava enganada.
O coração de Noah sempre pertenceu a Kyla.
Para ele, Sadie não passava de uma substituta.
Inspirando fundo, Sadie tentou controlar o turbilhão de emoções que ameaçava dominá-la.
Grávida e com a recomendação médica de se manter calma, ela sabia que precisava ser forte pelo filho que estava por vir.
Após enxugar as lágrimas, levantou-se e voltou para o quarto.
Despreparada para a falta de sensibilidade de Noah, ela se deparou com o anúncio brusco dele assim que ele entrou. "Kyla voltou. Acho que está na hora de nos divorciarmos."
A palavra "divórcio" atingiu Sadie como um soco, deixando-a sem ar.
Até ele dizer isso, ela se agarrava a um fio de esperança, por mais frágil que fosse.
Sadie demorou um tempo doloroso para conseguir falar:
"Você está me deixando agora que ela voltou?" A voz dela saiu trêmula, traindo a tentativa de disfarçar a própria vulnerabilidade.
Noah franziu a testa, olhando-a com claro descontentamento.
"Fui claro desde o início, quando nos casamos: não queira o que nunca poderá ser seu. Peça o que quiser como compensação, e eu garanto que terá."
Essas palavras duras foram a promessa dele na noite de núpcias, uma noite destinada apenas a acalmar os murmúrios implacáveis do conselho administrativo.
O coração dele nunca foi dela.
Impulsionada por uma esperança tola, Sadie se lançou na direção dele, acreditando que poderia despertar algum sentimento nele.
Sadie ergueu os olhos para o marido, com um apelo silencioso por verdade no olhar.
"Todas aquelas noites que passamos juntos... você estava imaginando que eu era Kyla?"
Noah foi pego de surpresa pela pergunta franca dela. Ele hesitou, abrindo ligeiramente a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Sadie interpretou o silêncio dele como a confissão que temia. Isso partiu seu coração já fragilizado.
Lá no fundo, ela sempre soube que o coração de Noah não estava envolvido na união deles.
Contudo, os breves momentos de felicidade durante suas noites íntimas a fizeram se esquecer momentaneamente dessa realidade brutal.
Ela havia confundido intimidade física com aceitação sentimental, mas estava terrivelmente enganada.
Durante todo o relacionamento conturbado deles, o coração de Noah permaneceu inalcançável para ela.
Soltando um profundo suspiro, Sadie fechou os olhos e se resignou ao seu destino.
"Tudo bem, eu concordo com o divórcio", ela declarou, resignada.
Dando meia-volta, pegou alguns objetos pessoais e decidiu passar a noite no quarto de hóspedes.
O olhar de Noah se fixou nela, a testa franzida em frustração e uma leve irritação surgindo dentro dele.
Quando Sadie passou por ele para sair, Noah estendeu a mão por impulso e a segurou, prestes a dizer algo.
Porém, no momento em que ia abrir a boca, uma ligação de Kyla o interrompeu.
Com relutância, ele soltou a mão dela para atender, enquanto Sadie seguia para o quarto de hóspedes.
"Alô, Kyla... Não é nada, de verdade..."
De onde estava, Sadie não conseguiu ouvir o resto das palavras dele.
Tudo o que pôde perceber foi a suavidade repentina na voz dele, em forte contraste com a frieza que usava com ela.
Fechando a porta do quarto de hóspedes, ela se jogou na cama e levou a mão à boca para abafar os soluços.
Mesmo tendo que lidar com a dura realidade do divórcio iminente, a dolorosa disparidade entre a indiferença de Noah com ela e o carinho dele por Kyla a atingia em cheio.
O que ela iria fazer agora? E o filho que estava por vir?
Sadie estava completamente perdida.
Ela só sabia que estava exausta, magoada e desesperada para fugir de tudo aquilo.
O som da água caindo invadiu o banheiro enquanto Sadie tirava a roupa distraidamente e entrava no box.
Embora a água quente caísse sobre seu corpo, não foi capaz de derreter o aperto frio da tristeza que dominava seu coração.
Ela se sentou, encolhendo-se, e enterrou o rosto nos joelhos. O barulho contínuo do chuveiro abafou seus soluços quando ela finalmente se entregou, e as lágrimas escorreram incontrolavelmente.
Por quê? Por que ele tinha que ser tão cruel?
Exausta de chorar, ela se levantou e se vestiu novamente, quando, de repente, seu pé escorregou no chão molhado.
"Ah!"
Uma dor aguda a atingiu, fazendo-a soltar um grito. Por instinto, suas mãos foram para o baixo ventre, protegendo o local onde sentiu o impacto.
No quarto principal, o grito de Sadie chegou aos ouvidos de Noah, que imediatamente correu em direção ao som.
Quando ele chegou, a porta do banheiro estava entreaberta, e ele avistou Sadie caída no chão.
Sua pele estava pálida como a de um fantasma e coberta por um suor frio. As roupas, desarrumadas, e as mãos protegiam com fervor o abdômen, como se ela tivesse levado um golpe.
Ao vê-la assim, uma pontada de preocupação atingiu o peito de Noah, o que o fez correr até Sadie e pegá-la no colo, tirando-a do chão frio e molhado.
"O que aconteceu com você? Se machucou em algum lugar?"
A voz de Noah estava trêmula, com um pânico quase imperceptível.
Sadie estava atordoada, e sua visão estava ligeiramente embaçada enquanto tentava se concentrar no homem à sua frente. Ela demorou um instante para conseguir responder em meio à confusão.
"Estou bem..." Suas palavras não passaram de um sussurro.
Ela tentou se desvencilhar dos braços de Noah, mas ele a segurou com mais força.
"Fique parada", ordenou Noah com uma voz firme e um tom de urgência. Sadie parou de se debater, intimidada pelo tom dele.
Ele continuou, em um tom mais suave: "Me deixe ver se você não se machucou."
Com cuidado, ele a colocou na cama.
Inclinando-se sobre ela, Noah a examinou meticulosamente em busca de algum ferimento, com uma expressão de preocupação e concentração no rosto.
Essa gentileza repentina reacendeu uma faísca vacilante de esperança dentro de Sadie.
De repente, ela segurou a mão dele, com a voz embargada ao fazer uma pergunta carregada de medo e desespero: "Noah, e se eu te dissesse que estou grávida? Você ainda insistiria no divórcio?"
A possibilidade de manter o casamento intacto por causa de um filho pairava no ar.
Sadie olhou nos olhos de Noah em busca de algum sinal de reconsideração.
Noah fez uma pausa, o rosto indecifrável por um breve momento antes de responder friamente: "Sempre fomos cuidadosos. É improvável que você esteja grávida. Mas, mesmo que fosse verdade, a situação não mudaria. Terá que interromper a gravidez."
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