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Entre Oceanos

Igor, o audaz Filho dos Sete Mares, decide explorar as ilhas mais perigosas do oceano. Na misteriosa Ilha Titania, ele conhece Kataleya, uma bruxa astuta e marcada por traumas. Por ordem materna, ela se une ao capitão em uma jornada para desvendar segredos ocultos. Contudo, Kataleya carrega uma maldição: qualquer um que a tocar será amaldiçoado. Entre perigos e belezas, Igor enfrentará o desafio de resistir à tentação ou sofrer consequências fatais.
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Capítulo 1

Ano 1200

Ilha Titania, filha do oceano

Índico,  tão verde da natureza que o

enriquece, tão puro quanto  o ar que

circula entre as vilas do povo. Era a ilha do povo alegre e destemido, o lugar

onde as mulheres e os homens reuniam-se no momentos de lua cheia. Dançavam por

alegria e cantavam por viver, suas roupas coloridas escoltavam o vento. 

Tão verde e tão tropical. Povo alegre

e colorido.

 ....

Dizia se que o eclipse, era a união mais

poderosa dos Deuses. O dia que os mundos se uniam, deixando de lado as

diferenças. Era uma noite de comemoração, pois tudo ficaria bem e algo novo

sugeria.

Homens tocavam tambores, fazendo

as mulheres entrarem no ritmo da música. Dança! A dança nunca for a um meio de sedução

ou de chamar atenção do mundo, muito menos dos homem. Dança era tudo para

eles,  não era apenas o balançar do corpo

no vento, nunca foi sedução por parte das mulheres, mas sim uma forma de

comunicar e de se expressar. Uma arte que só quem danca e entende a

cultura, respeita. 

Apesar de ser noite, estava

iluminado pela fogueira feita pelo povo na aldeia e colorido pelas que roupas

que eles usavam. Homens apenas de calças coloridas e mulheres de top e tanga

colorida que acompanhavam as suas curvas.

Nessa noite,uma mulher deu a Luz.

Chamava-se Lussandra. Um senhora acima dos quarenta, tinha olhos negros, era

mista, cabelos longos de “dreads”, muito meiga e casada com um senhor chamado

Abelar de cabelos brancos de tanto viver. Estava ela dando a luz pela décima

segunda vez, torcendo para que 

finalmente tivesse um menino, visto que ela já tinha onze meninas.

—É uma linda menina— Disse a parteira,

Faytana entregando o bebé à mãe. Decepcionados ficaram, Lussandra e o seu

marido, quando viram uma menina nas mãos da parteira. A Kucaia estava ao lado

da Lussandra, no quarto.

— De novo? — Reclamou Abelar

— Uma filha é sempre bem vinda!  — Disse a Lussandra triste porém emociondada.

Ela acariciou a pequena e estranhou: —Mas o que é isto?

Era um bebé muito frágil, não parava

de chorar e tinha marcas nas mãos. Ninguém entendia o aparecimento daquelas

marcas nas palmas das mãos.

— Que marcas são estas nas mãos da

minha pequena?

— Não deve ser bom sinal!— Kucaia com

braços cruzados, irmã mais nova da Lussandra.

— Bem eu não sei explicar!— Faytana

ficou supresa ao ver.

— Talvez seja melhor chamar a senhora

Jamaia.— A Kucaia sugeriu

O senhor Abelar mandou uma das suas

filhas chamar a senhora. Minutos depois a 

Jamaia estava la, uma mulher misteriosa, seus olhos azuis relevavam a

experiencia de vida que ela teve.Uma feiticeira branca, cabelos longos de

“dreads”.

— Jamaia, por favor veja a minha bebé!?—Lussandra suplicou assustada.

Jamaia aproximou-se do bebé e viu as

marcas nas palmas das mãos e sorriu.

— Olhos... ele e uma menina especial!

— Olhos!

— Sua pequena parece ter marcas de

olhos nas mãos. Agora não está muito visível, mas  com o tempo estarao mais visiveis.

Todos ficaram admirados, com o que a

Jamaia havia dito. Nunca havia acontecido isso antes, nem na família e nem na

ilha. Dizia-se que as recem nascidos especiais eram único. Especiais

designavam-se as pessoas com dons peculiares que outros chamavam de

feiticeiros.

 — E o que isso significa?— Abelar perguntou,

mas no fundo ele sabia a resposta, assim como todos que estavam casa sabiam.

 — Possivelmente ela é uma de nós…Ela é minha!—

Jamaia comentou sorrindo e entregou o bebe a Lussandra.

 — Não é possível! Minha pequena não é

feiticeira! — Lussandra suplicou que não fosse verdade, tendo a sua pequena nas

suas mãos.

— Maldição! — Abelar estranhou,

sentindo uma repulsa pela própria filha.

 — Talvez seja melhor entregar a senhora Jamaia

para cuidar!— Kucaia seguriu.

 — Não! Ela é minha filha. — Lussandra olhou

para irmã não crendo na tamanha ousadia da mesma. Abelar quis opinar, mas a

Lussandra interferiu. — Não Abelar! Ela é nossa filha, tal como todas as

outras!

 — Ela é menina e ainda por cima uma

feiticeira!— Abelar

— Não se sabe ainda, pode

haver um engano.

— É obvio que é uma feiticeira, alguma

vez já viste uma bebê com marca de olhos na palma das mãos…

Lussandra se recusou a entregar a sua

recém nascida a Jamaia, deixando a mesma partir.

Desde esse dia tudo mudou. O senhor

Abelar afastou-se de sua esposa, já não era o mesmo pai de sempre tornou-se um

homem menos amigável e maldoso. Olhava para a sua filha recém nascida de forma

desprezível, de tanto ver sua esposa segurando-a passou a ter desprezo por ela

também. Outras suas filhas diziam que a bebé recém nascida era o motivo do mau

comportamento do seu pai. Culpavam a pela falta de união na família. Inúmeras

noite, Lussandra passou sozinha com a sua filha em mãos temendo destino da pequena que era rejeitada pela própria família. Lussandra amava sua filha recém nascida, tal como todas as outras. Preferia não ver o desprezo pela sua

família, preferia fechar os olhos e abraçar bem forte na sua pequena menina, agindo normalmente, mesmo sabendo que um dia ela teria que se separar da sua pequena.

 Kataleya, foi o nome que Lussandra deu à sua

pequena menina, quando estava com ela ao colo na varanda da sua casa. Ela estava sentada numa cadeira de baloiço, segurava fortemente a sua bebé, com ternura e lágrimas no rosto. Deu nome de uma das Deusas da sua aldeia.  Kataleya significa mulher de respeito e poderosa.

Numa linda noite Kucaia aproximou-se

do Abelar, levantou o seu vestido de algodão para que ele visse suas pernas.

Foi nessa noite que aconteceu o que a Lussandra jamais esperava do seu esposo e

foi desde ai em diante que o Abelar esqueceu que tinha esposa e filhas.

Todos culpavam a pequena menina  Kataleya, pelos maus acontecimentos. Abelar

várias vezes ameaçou sua esposa dizendo-a que um dia a mandaria embora de sua casa.

Passaram-se quatro anos, quando

ocorreu o eclipse. Todos se reuniram na noite. Fizeram uma chama e sentaram à

volta da chama. Cantaram, dançaram, brincaram. Todas as vezes que havia essas

cerimónias  Kataleya dançava, ela ouvia

som das aves, das árvores e do mar.

Nessa altura  Kataleya tinha 4 aninhos, sempre alegre

apesar do preconceito que sofria por ser diferente. As marcas nas palmas das

mãos iam ficando cada vez mais visíveis, isso deixava a Lussandra com algum

complexo de sua filha. Desde o nascimento da menina rara, tudo mudou na sua

família, nunca mais foi igual. Os anos e anose passavam, enquanto  Kataleya via sua mãe sendo desprezada e agredida pelo seu pai. A  Kataleya não teve amor de ninguém para além de sua mãe e suas duas irmãs mais velhas, a Fánua e a Kilaila. As outras nove irmãs era mais distantes e grande parte ja eram mais crescidas e estavas casadas. Das nove apenas três ainda viviam com sua mãe, era a Marifa,Fánua e Kilaila.

Marifa tinha 15 anos. Fánua tinha 12 anos e a Kilaila dez anos. As tresde cabelos longos de “dreads”, ela tinham a atencão da sua mãe, mas não mais que a  Kataleya. Lusaandra perdia um momento do seus dia trancando o cabelo da pequena mirabas.

A kataleya, apesar de ser ainda uma menina tinha um corpo demasiado

desenvolvido para sua idade, o que chamava atenção, pra além de ser linda, seus

cabelos trançados a deixavam mais charmosa. Muitos homens pensavam que  Kataleya já era uma menina crescida pronta

para casar, Lussandra e Abelar, tinham de afugentar sempre os pretendentes

da  Kataleya. Fánua temia que nunca se

casasse por causa da beleza da  Kataleya,

que chamava atenção de qualquer rapaz na aldeia.

Lussandra nunca deixava  Kataleya ir ao mercado ou a lugares onde

havia muita gente, pois temia a sua filha fosse assediada e  vissem as marcas nas palmas das mãos. Por

consequência disso,  Kataleya, passava a

maior parte do tempo em casa ou brincando na varanda, muitas vezes sentia-se

muito só. Ela olhava para as suas marcas nas mãos e não entendia o que era, não

conseguia ver o porquê ela ser diferentes das irmãs. Em cada palma de sua mão

tinha marca de um olho, parecia uma tatuagem feita. Uma noite, Lussandra viu a

sua pequena se machucando com pedra, tentando a apagar as marcas das mãos.

— Kataleya! — Lussandra impediu-a

tirando a pedra das suas mãos.

— Quero que elas saiam—  Kataleya chorou ao pelas feriadas, mas que o

mais a doía era fato de sentir diferente de todos. Ela desejava ser com as

outras crianças da sua aldeia.

Lussandra tentou acalmá-la afirmando

que com o tempo as marcas iria sumir, mentia para tentar acalmá-la mesmo

sabendo que com as marcas eram cada vez mais visíveis e mais marcantes. Talvez

ela mentia porque no fundo ela acreditava e desejava que isso acontecesse.

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