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Capa do romance Entre o silêncio e a lua

Entre o silêncio e a lua

Buscando cura para traumas antigos, Lívia Monteiro recomeça sua vida na pacata Sierra Creek. Porém, sua paz é abalada por Noah Blackwood, um jovem de olhar penetrante e segredos sombrios. Embora Noah tente afastá-la, um encontro sob o luar revela sua natureza sobrenatural. Enquanto uma maldição desperta e o sangue lupino ferve nas colinas, eles lutam contra uma atração fatal. Em meio a perigos e sombras, Lívia descobre que o amor proibido é o destino mais inevitável.
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Capítulo 2

Lívia

O vento frio cortava meu rosto quando voltei para casa naquele fim de tarde.

A imagem de Noah sumindo entre as árvores ainda girava na minha cabeça.

Quem ele era de verdade?

E por que parecia me conhecer antes mesmo de ouvir meu nome?

As perguntas me acompanharam até o pequeno chalé que eu dividia com minha tia, Helena, na beira da cidade.

A casa cheirava a café e canela - aconchego em meio àquele lugar estranho.

Mas nem o calor do fogão conseguiu afastar a sensação de que algo me observava do lado de fora.

Depois do jantar, me sentei na cama com o laptop.

A internet em Sierra Creek era lenta, mas bastou digitar "família Blackwood" para encontrar... nada.

Nenhum registro, nenhuma rede social, nada.

Como se ele não existisse.

Uma rajada de vento fez a janela bater.

Olhei para fora - o bosque escuro balançava ao longe, e uma névoa começava a subir, iluminada pela lua.

Então ouvi de novo.

O mesmo uivo.

Baixo, distante, mas impossível de ignorar.

Meu corpo reagiu antes que eu pensasse.

Peguei o casaco e saí, seguindo o som.

Os galhos estalavam sob meus pés enquanto eu me embrenhava na floresta, o coração acelerando a cada passo.

De repente, algo passou rápido à minha frente - uma sombra grande, veloz, que desapareceu entre as árvores.

Tentei dar um passo atrás, mas escorreguei.

E antes que pudesse cair, mãos fortes me seguraram pela cintura.

- Eu disse pra você não vir aqui sozinha - a voz dele soou grave, perto demais do meu ouvido.

Noah.

O calor das mãos dele atravessava o tecido do meu casaco.

Por um instante, fiquei sem ar.

- O que... o que era aquilo? - perguntei, tentando recuperar a voz.

- Um lobo - respondeu, sem hesitar. - Eles aparecem quando a lua está quase cheia. Você devia ter ficado em casa.

Mas havia algo estranho no jeito como ele falava - como se não estivesse apenas me alertando, mas também lutando contra algo dentro dele.

Seus olhos, sob a luz prateada, pareciam brilhar.

- Por que se importa tanto comigo, Noah? - ousei perguntar.

Ele me soltou devagar, recuando um passo, o olhar duro.

- Porque há coisas aqui que você não entende.

- Então me explica.

O silêncio se estendeu.

Só o som da respiração dele - profunda, contida - preenchia o ar.

Quando finalmente falou, sua voz era um sussurro:

- Eu não posso... não ainda.

E, como antes, ele se virou e desapareceu na névoa.

Deixando para trás o eco do seu perfume - madeira, chuva e algo selvagem.

---

Noah

Eu a senti antes de vê-la.

O batimento acelerado do coração dela ecoava entre as árvores, puxando o lobo dentro de mim para a superfície.

Ela era imprudente.

Curiosa demais.

E linda demais para o meu próprio bem.

Quando a segurei, o calor do corpo dela atravessou minhas barreiras.

Meu controle vacilou.

Por um instante, o mundo sumiu, e só existia o som da respiração dela - suave, trêmula, perigosa.

Eu devia tê-la deixado ir.

Mas a cada vez que ela me olhava, algo em mim mudava.

O lobo reconhecia algo que eu não queria admitir.

De volta à clareira, o cheiro de sangue me fez parar.

Um coelho morto. Rasgado.

Eles estavam caçando de novo.

Outros da minha espécie.

- Ainda tentando fingir que é humano, primo? - a voz rouca de Dylan soou atrás de mim.

- Não é fingimento - respondi sem olhar. - É sobrevivência.

Ele riu, um som baixo e sombrio.

- A garota está te mudando.

- Fica longe dela - rosnei.

Mas ele só sorriu, mostrando um brilho ameaçador nos olhos.

- Se você não contar a verdade, Noah, a lua cheia vai fazer isso por você.

E quando ela descobrir o que você é... será tarde demais.

Fiquei ali, sozinho, com o gosto metálico da noite na boca.

A fera em mim pulsava, exigindo sair.

E, no fundo, eu sabia que Dylan estava certo.

Eu podia tentar enganar a mim mesmo.

Mas não à lua.

E nem a ela.

---

Lívia

Na manhã seguinte, os corredores da escola estavam cheios de murmúrios.

Um animal selvagem havia atacado uma casa próxima ao bosque.

Ninguém sabia o que era.

Mas quando Noah passou, o burburinho parou - como se todos soubessem que ele carregava algo que ninguém entendia.

Ele não olhou pra mim.

Mas eu senti.

O mesmo frio na espinha, o mesmo arrepio na pele.

E uma certeza:

Entre nós, algo já estava acontecendo.

Algo que nem o tempo, nem o medo, e nem a lua seriam capazes de deter.

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