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Capa do romance Entre o Amor e a Dor

Entre o Amor e a Dor

Melissa jurou nunca mais amar após um trauma devastador. Contudo, o atraente Gustavo surge para restaurar suas esperanças e curar feridas profundas. A paz é ameaçada quando Pedro Calixto retorna transformado e perigoso. Carregando segredos sombrios, ele planeja arruinar a nova vida dela. Dividida entre a segurança de um novo afeto e as garras de um passado sinistro, Melissa enfrentará um dilema mortal: confiar nas aparências ou seguir sua intuição?
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Capítulo 3

Me despedi de Gustavo e entrei no meu apartamento.

Joguei a bolsa em cima do sofá e fui correndo pro banho — a água salgada da praia já me incomodava.

Assim que terminei o banho, sequei o cabelo, vesti uma camisola e me deitei.

Sério que ainda era segunda-feira?

Uma semana inteira de trabalho pela frente?

Ah, não...

Fechei os olhos e tentei não pensar em nada. Mas, como sempre, minha mente resolveu me trair.

O rosto do Gustavo apareceu do nada. Aquele sorriso. Aquele olhar verde me encarando como se quisesse ler cada pensamento meu.

Para com isso, Melissa.

Virei de lado e enterrei o rosto no travesseiro.

E com esse pensamento — mais uma vez reclamando da vida — eu peguei no sono.

***

Quando dei por mim, o despertador me acordava no dia seguinte.

E só então percebi que era a soneca.

— Não, não, não! — gritei sozinha dentro do quarto.

Sai da cama correndo. Tomei um banho super-rápido. Vesti uma calça jeans preta e uma blusa social. Passei rímel correndo, escovei os dentes enquanto pegava o celular e corri para o estacionamento.

Peguei meu carro e segui ao trabalho.

Por minha sorte, cheguei alguns minutos antes das oito. Respira, Melissa.

Cumprimentei minhas colegas de mesa e fui até a minha. Mal sentei, o computador nem tinha terminado de ligar direito, e já ouvi a voz que eu menos queria escutar no momento.

— Melissa, pode vir aqui? — Marcelo, da porta da sala dele.

Pois não…

Suspirei fundo antes de levantar.

— Pois não… — falei, entrando em sua sala.

— Melissa, irei viajar quinta-feira para o exterior para vermos os novos modelos de joias. — Ele nem olhou para mim direito, só folheava papéis. — Meu filho ficará no meu lugar durante a sexta. Avise suas colegas. E bom trabalho.

— Certo. Obrigada.

Eu nunca entendi o porquê sempre tinha que ir até a sua sala. Por que ele simplesmente não me ligava?

Bufei baixinho e voltei para a minha mesa.

— Aviso às meninas — falei seca, me sentando.

E então elas começaram:

— Será que é bonito?

— Será que é novinho?

— Será que é casado?

Revirei os olhos.

Era assim com a grande maioria dos homens que começavam a trabalhar na empresa. E eu era a excluída — porque não enxergava assuntos como esses discutíveis.

Enquanto isso, meu único romance era entre as páginas de um livro.

Assim que deu doze horas, fui almoçar no shopping que ficava em frente à empresa.

Comi sozinha. Como sempre. Olhando pela janela do food court, vendo casais rindo, grupos de amigas conversando animadas.

Eu já tive isso um dia.

Balancei a cabeça, afastando o pensamento.

Quando terminei o almoço, peguei o celular para ver o horário — e Paloma estava me ligando.

— Oi, Paloma — atendi enquanto voltava para a empresa.

— Mel, falta apenas uma semana para o meu casamento e preciso muito da sua ajuda. — A voz dela tremia de ansiedade.

— Pode falar. — Eu disse, mesmo sem saber como ajudar em nada.

— Hoje, assim que sair do trabalho, pode passar aqui?

— Posso sim.

— Ah, obrigada, minha amiga. Você é a única que não me deixa louca nessa reta final.

— De nada. Agora vou ter que desligar. Voltei ao meu horário de trabalho. Beijos, até mais!

Desliguei e guardei o celular.

No fundo, eu sabia que ajudar nos preparativos do casamento dela ia mexer comigo. Ver a felicidade dela de perto. Lembrar do que eu mesma um dia sonhei.

Mas isso foi em outra vida.

A tarde passou bastante rápida. Bem mais do que eu esperava.

Os relatórios estavam todos atrasados. Tive que refazer três planilhas porque o sistema travou. E ainda ouvi Letícia reclamando do meu lado sobre o barulho do meu teclado.

Respira, Melissa.

Assim que terminei tudo por lá, desliguei o computador e arrumei a minha mesa. Peguei minha bolsa, coloquei o casaco na cadeira e saí sem olhar para trás.

Segui até o apartamento da Paloma.

Toquei a campainha.

Ela abriu a porta com um sorriso tão largo que parecia que ia rasgar o rosto.

Era assim que eu seguia: em meu piloto automático.

— Sábado vamos provar os nossos vestidos! — ela gritou eufórica, me puxando para dentro.

— Vamos? Nossos? — indaguei, me sentando no sofá da espaçosa sala dela.

— Claro. — Paloma falou, sentando-se em minha frente. Ajeitou o cabelo atrás da orelha — um sinal de que ela ia falar algo sério. — Você é tipo uma irmã pra mim, Melissa. Não tenho ninguém tão próximo a mim como você. Então você será minha madrinha.

O silêncio pairou por um segundo.

Senti um aperto no peito. Mas um aperto bom. Daqueles que a gente sente quando percebe que, mesmo depois de tudo, ainda existe alguém que realmente se importa.

Fiquei feliz pelo convite. Pela consideração que ela me tinha.

— Tá bom então. — Sorri de verdade pela primeira vez no dia.

Mas só então lembrei.

— Quem será o meu par? — arqueei as sobrancelhas.

Paloma desviou o olhar rápido demais.

— Isso já é com o Matheus. — E deu uma risada meio nervosa.

Vinha coisa por aí.

Eu sabia.

— O que eu não faço por você, minha amiga? — Levantei do sofá e lhe dei um abraço. Apertei forte. — Mas se ele for um mala, você vai ser madrinha de novo no meu próximo casamento.

Ela riu e me apertou de volta.

Eu já estava indo embora quando perguntei:

— Cadê o Matheus?

— Ele foi fazer o convite ao seu par. — Ela riu de novo.

Lancei um olhar desconfiado para ela.

Paloma, o que você aprontou?

— Então sábado, às oito, passo aqui.

Entrei no elevador e desci. Peguei meu carro e segui para o meu apartamento.

No caminho, o trânsito estava parado. Aproveitei para olhar o céu escurecendo. As luzes da cidade acendendo uma a uma.

Quantas pessoas ali estavam voltando para alguém? Quantas tinham um "bem-vindo" esperando em casa?

Cheguei bastante cansada.

E, como sempre: banho e cama.

Deitei, olhei para o teto branco do meu quarto e senti o silêncio me abraçar.

E essa era a minha vida. Minha rotina.

Cheia de vazios.

Mas sem sofrimentos.

Pelo menos era o que eu repetia para mim mesma todas as noites.

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