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Capa do romance Entre máscaras e motores

Entre máscaras e motores

Dividida entre o desejo de agradar seu pai policial e a paixão pela mecânica herdada dos avós, Maya vive uma vida dupla. Para equilibrar expectativas e sonhos, ela se esconde sob diversas máscaras, enfrentando um turbilhão de emoções até ser forçada a deixar o Brasil. Contudo, um incidente grave com seu irmão exige seu retorno imediato. Agora, ela está de volta, revelando uma personalidade ainda mais implacável para proteger quem ama.
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Capítulo 1

Entre máscaras e motores

Autora: M.Nasfar

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História não recomendada para menores de 18 anos.

Pode conter:

• Linguagem imprópria e obscena

• Conteúdo sexual

• Temas sensíveis

• Atos criminosos

• Agressão física e/ou verbal

• Morte natural ou não

• Conflito psicológico

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Os personagens e eventos retratados neste livro são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

Toda e qualquer divulgação/distribuição de trechos, partes ou inteiramente deste livro se enquadra em crime de plágio conforme, Artigo 184 da Lei nº 2.848 de Dezembro de 1940.

Nenhuma reprodução, armazenamento ou reprodução do mesmo está proibida sem a permissão expressa e escrita da autora.

© Todos os direitos reservados 2022

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∙ Prólogo ∙

Estou no saguão do aeroporto com minha mente longe. Vejo pessoas conversando, sorrindo, apressadas, concentradas em seus notebooks, mas estou inerte. Farei um trajeto que achei que nunca mais faria. Sou removida de meu estado quando Malie segura minha mão direita e Keanu à esquerda.

- Estamos com você mesmo longe Maya. Sei que será difícil o agora, mas tudo tem um propósito nessa vida. Você veio pra cá perdida, sem rumo, e aqui encontrou a paz, mas tem coisas que deixou no passado e precisam de você.

- Keanu, meu amigo. Sou muito grata por tudo que vocês fizeram por mim. Me aceitaram, me acolheram e me fizeram Ohana. Mas mesmo depois disso tudo me sinto fraca pra voltar.

- Maya a vida te reserva muitas coisas, mas lembre-se que sempre estaremos aqui.

- Aí Malie, vai me fazer chorar?! - E segurando as lágrimas puxo meus amigos os colocando na minha frente e os abraçando.- Mahalo nui loa. (Muito obrigado mesmo)

E em uníssono ouço dos dois o que tanto desejo.

- Um hui hou! (Até nos encontrarmos novamente)

- Tá na hora Maya.

E assim Malie me avisa da última chamada de meu vôo. Com um longo suspiro dou um beijo de despedida. Brasil, aí vou eu…

***

Keanu e Malie são meus amigos desde que cheguei ao Havaí. Há 6 anos atrás eu chegava em Nova Iorque naquela coisa de "sonho americano" ou apenas para fugir do passado e ter uma nova vida. Como fui parar no Havaí? Bom, a vida é uma caixinha de surpresas que muita das vezes te trás ótimos presentes, e assim me trouxe esse casal. Mas também em alguns momentos ela é uma vadia sem coração que te faz enfrentar tudo o que você jogou para debaixo do tapete. Mas minha história de "American dream" fica para depois. Agora minha cabeça está em apenas uma pessoa, meu irmão. Ele é o motivo do meu retorno. No Brasil há apenas 3 pessoas que me importam. Minha mãe Katerina, minha irmão Donatello e minha amiga de infância Fabi. O resto por mim poderia explodir. Sei que os erros são meus e que não é bem assim, tem outras pessoas que ainda me importo, claro, mas fugir sempre foi minha especialidade. Donatello é meu irmão mais novo. Fiquei tão feliz em saber que teria um irmãozinho que meu pai deixou eu escolher o nome. Beleza! Me julguem! Ver tartarugas ninjas na infância acho que não foi a melhor opção, mas o importante é que ele veio com saúde. Ver aqueles olhinhos escuros arregalados pela primeira vez foi incrível. Mas agora pensar que ele está em uma cama de hospital acaba comigo. Olho pela janela do avião e minha mente volta a 3 dias.

*Lembrança*

Estou no carro a caminho de casa quando meu celular toca, como estou perto da baía de Waimea resolvo parar. Vejo que é minha mãe. Paro o carro e saio enquanto atendo.

- Oi mãe! - Digo com sorriso na voz, o que muda ao ouvir ela chorando do outro lado da linha.

- Maya, o Tello, eu não vou aguentar Maya.

- Mãe, pelo amor de Deus, o que aconteceu?

O desespero já toma conta de mim e já estou no meio da areia sentada com a cabeça entre as pernas e o desespero batendo.

*Fim da Lembrança*

Donatello era a parte boa de mim. Foi o filho que não pude ser. Se ficava chateada com isso? Nem um pouco. Ele era a luz, eu, nem tanto. Não que eu seja uma pessoa ruim, mas já fui extremamente tóxica. Ele não, sempre foi o menino de ouro. Melhores notas na escola, amoroso com nossos pais, o meu amorzinho e melhor amigo. Meu irmão foi o único que me fez repensar se iria realmente sair do Brasil, mas nem ele foi capaz de me tirar a vergonha de ser quem eu era, e muito menos me impedir de fugir e agora está entubado por um acidente de carro. Saber o motivo me doeu em dobro. Sempre fomos apaixonados por motores, sejam carros, motos, triciclo, trator, se tem um motor, amamos. Meus avós paternos tinham uma oficina onde ficávamos durante nossas férias, já que a casa dos coroas é no mesmo terreno. Meu pai odiava isso. Ao contrário do que estão pensando, meu pai não está morto. Mas para mim não faz diferença. Muitos dos meus problemas vieram por ele. Tá, tá, a culpa sempre foi minha, mas ele sempre estava disposto a me fazer um pequeno inferno. Não sei como vai ser para ver meu irmão com ele lá. Lembro das suas palavras ao sair de casa “Estou indo trabalhar. Quando voltar não quero ver sua cara aqui. Meu único filho se chama Donatello.” Eu estava em sua casa para tentar conversar. Saí de lá totalmente quebrada e naquele mesmo dia tomei a decisão de mudar minha vida por completo.

É uma merda tudo isso, mas essa merda é minha vida. Fugi e agora tenho que voltar. O que não faço pelo meu Tello. Mudei muito enquanto estive nos Estados Unidos, e mais ainda durante o período em que fiquei no Havaí. Só vou ficar no Brasil até Tello melhorar. Aqui já não é mais meu lar. Me sinto estranha, insegura e novamente as minhas merdas vão me assombrar. Nos EUA fui quem não pude ser aqui. Eu mesma e sem máscaras. E nesses momentos no ar já comecei a colocar a porra da maquiagem do personagem que sempre fui aqui. Sinto um gelo no peito e meu estômago embrulhar ao ouvir que já iremos pousar.

Não avisei a ninguém que viria. Só pedi a minha mãe para me manter informada, mas não aguentei ficar lá. Tão longe. Estou já com a mala na mão e olhando para as portas que viram minhas costas ao sair. Claro que estou enrolando. Não sei se fiz certo em voltar. E são desses meus pensamentos destrutivos que sou retirada ao ver entrando Fabi. Ela corre e me abraça forte.

- Como você sabia que eu estava vindo?

- E eu não te conheço desde sempre Maya? Claro que você iria vir ver seu irmão, só precisei que Malie me falasse qual era seu voo.

- Você não cansa de tomar conta da vida dos outros não é?!

- Não quando eu amo essa pessoa. Vem, sei que não vai ficar na casa da sua mãe, mas na minha vai.

- Na verdade fiquei pensando em ir pra casa dos meus avós. - Ela me olha com um misto de tristeza e incredulidade. - Não adianta me olhar assim. Sei que ninguém vai mais lá e a oficina quem cuida é o Tello. Sem contar que aquela oficina também é minha. Vovô fez questão de passar tudo pro nosso nome antes de morrer. Aquele cara não vai poder me tirar de lá.

- Maya, ele é seu pai.

- Se tivesse agido como tal, poderia ser chamado assim. Mas vim ver meu irmão e não saber dele.

Seguimos para o carro dela em um silêncio confortável, ao fundo toca uma música das antigas na nossa rádio preferida. Quando chegamos tiro a antiga chave da minha bolsa. Abro o portão e respiro fundo aquele ar com cheiro de motor, gasolina e família. Abro tudo. Voltei e que se foda o que pensam de mim. Não estou aqui para me preocupar com o Sr. Roberto. Donatello é minha única e exclusiva preocupação. Ligo o som e Fabi já joga uma roupa para mim. Nos trocamos e começamos a limpar a casa que está fechada desde que saí.

Depois de algumas horas, nos jogamos no sofá exaustas. Meus avós faleceram quando eu estava com 15 anos. Minha avó foi a primeira, só dormiu e não acordou mais. Sabia que não demoraria muito para o vovô ir também. Eles eram aquele amor perfeito. Unidos até o fim, um pelo outro e os dois pela oficina. Seu filho Roberto, conhecido como meu pai, odiava aquele lugar, dizem que era porque o vovô deu mais atenção a ela do que ao filho. Na minha opinião é bobagem, meus avós sempre foram apegados a mim e Tello, e a oficina nos unia, não distanciava. Enfim, quando eles faleceram descobrimos que todos os seus bens estavam no meu nome e no de Tello. Olhei para o relógio e vi que iria dar 17hrs. Sabia que meu pai estaria no hospital até as 19hrs, então não me entregaria ao desespero de ir correndo ver meu irmão. Pergunto a Fabi se nossa pizzaria predileta ainda existia e para a minha surpresa ela responde que sim. O porquê de ficar surpresa? A pizzaria tinha como dono um amigo nosso bem louco que resolveu abrir uma pizzaria 24hrs só para poder comer pizza a hora que quisesse. Fomos para lá e o lugar não tinha mudado absolutamente nada.

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