
Entre Lobos e Bruxas
Capítulo 3
Belle tinha vontade de sair da cidade apenas para fazer as coisas do jeito que ela queria e não do jeito apenas que sua mãe queria. Amava a mãe, sabia que ela era sábia e carinhosa sempre ao lhe pontuar porque não deveria fazer algo, mas queria ter mais liberdade.
- Logo! - Disse a si mesma. Logo iria, só precisava ter paciência. Voltando o pensamento ao seu quarto, voltou os olhos pela varanda de cima para a floresta adiante. Não havia nada ali, a não ser árvores gigantescas e lindas. Entrou no quarto e sentou na cama que havia deixado revirada. Deitou e uma lufada de cheiro veio até ela. Se assustou. O cheiro vinha dali. Virou e ficou de joelhos na cama com a cara no lençol.
- Deuses! Que cheiro maravilhoso.
Seu núcleo se alagou e seu coração palpitou como se ele estivesse ali. Nunca mais trocaria esse lençol.
Que maluca ela era, sua mãe sempre disse que ela, Belle era a mais maluquinha de suas filhas. "Belle, você não tem porteira menina" , ela gritava às vezes. Agora pela primeira vez, Belle achava que a mãe estava certa.
Mas também sabia racionalmente que ele não era apenas uma fera, existia um homem ali, um homem que parecia havia desejado tanto Belle que conseguira se controlar e fugira, que a acompanhara pelo caminho dela de retorno a casa principal e que havia voltado e passado a noite na cama em que ela ficara a tarde e começo de noite anterior. Ela quereria encontrar esse homem? Como ele seria?
Belle, saiu da casa da árvore. Voou até o chão e pousou em frente à casa principal. Entrou no carro que estacionara logo ali, e saiu de ré.
Saindo pela rua que levava à avenida principal, acelerou um pouco. Queria chegar logo à biblioteca, mas antes passaria na cafeteria de Hélène . Atravessou a avenida principal e entrou em outra rua, dirigiu por cinco metros e parou na loja da esquina.
Le café d'Hélène, estava escrito em uma placa dourada com as letras chiques em alto relevo com arabescos formando uma xícara de café fumegante. Hélène era uma bruxa que se especializou em alimentos. Então, tudo que ela fazia, era dos deuses. Hecate que a abençoou com certeza. Abriu a porta sentindo o aroma dos pães, bolos e doces assados ou assando. A cafeteria estava repleta de gente, em sua maioria alunos da faculdade que ficavam ali perto e vinham comer em suas aulas vagas. Principalmente os alunos que queriam cozinhar tão bem quanto Hélène. Ela sentou em uma mesa vazia, e pediu ao garçom, um bownie de trufas e um café au lait.
Esperou, lendo algo, e logo ele veio trazer. Colocou as coisas na mesa, eu sorri e agradeci. Comi lentamente, o mais lento que pude, para provar a mim mesma que não estava morrendo por estudar mais sobre a casta de Lobos que havia se instalado na cidade. Então ouvi uma conversa das moças que sentavam atrás de mim.
- Ahh, eu morreria por dar uma boa mordida naquele traseiro suculento. Você viu aquele homem?
- Aquele lobo, você diz não é? Porque no caso Sharia, ele morderia sua bunda querida e não o contrário. Aliás, iria morder muito mais até. Sabe que Lobos mordem suas parceiras para marcá-las? Para sempre meu bem, você não iria querer isto, já que é uma ninfa e quer todo pedaço de homem que vê por aí.
- Isto é verdade. Mas que sinto uma vontadinha, ah sinto! Ele poderia apenas me foder e ir embora.
Ambas riram.
Belle se irritou um pouco achando que elas só podiam estar falando do seu lobo. Opa opa opa, seu lobo uma pinoia, Belle. Se aquiete, falou a si mesma mentalmente. Mas seu cheiro nela falava o contrário. Terminou o brownie, e deu uma boa gorjeta para o garçom Jefhy. Sabia que ele juntava tudo que podia para pagar sua faculdade e ela fazia joias e as vendia como água pela Internet, então estava bem para ajudar quem tinha menos que ela.
Ela pegou o carro e colocou no estacionamento da biblioteca. Caminhou pela calçada e entrou distraída, tomando ainda seu café. Seus cabelos esvoaçaram com o vento gelado do ar condicionado, arrumou e entrou. Falou com a atendente, que indicou o caminho.
- É na segunda sessão, no terceiro andar. É proibido flutuar na biblioteca senhorita. Mas pode usar seu poderes de flutuação de objetos para pegar os livros mais altos, caso necessite. E não pode entrar com alimentos ou bebidas. Por favor. Obrigada e tenha uma maravilhosa experiência.
- Obrigada. Terei. Vou guardar meu café em minha bolsa e tomá-lo quando sair. Tudo bem?
- Claro. Tenha um ótimo dia senhorita Grimmyre.
Ela lhe entregou o cartão novo da biblioteca nova, que Belle enfiou no bolso traseiro da calça. A porta se abriu e eu passei e coloquei meu café em minha bolsa. Tomaria mais tarde. Subi as escadas, nunca havia vindo a essa biblioteca em específico, sempre estava na escola ou faculdade e as bibliotecas de lá eram enormes e muito completas. Mas já que ela havia sido construída na mesma rua da cafeteria e tinha curiosidade para conhecê-la, aproveitara para vir nela. As escadas eram magníficas e ela tinha certeza que já havia visto a foto dela em algum lugar.
Sorriu, que beleza de biblioteca. Sabia que voltaria sempre nela a partir de hoje. Terminou de subir as escadas e procurou a sessão indicada. Encontrou e reparou nos milhares de livros antigos. Escolheu alguns e sentou na mesa mais próxima. Começou a virar as páginas, ler e absorver tudo que podia sobre os lupinos. Principalmente sobre quando eles se transformavam na lua cheia.
As reações que ela teve foram de desconfiança, incredulidade e até surpresa.
"Lobos em sua formação feral completa não tinham consciência, apenas instinto. O único que obliterava isto era o instinto de proteção que o lobo e o homem tinham pela sua companheira.
Sendo que o do lobo sobrepujava em muito o instinto de proteção da fêmea do que o do homem. Eram dois em um, não era apenas um homem que tinha a transmutação em lobo, era como se fossem um só mas os dois tinham consciências de formas diferentes."..." na lua cheia, o lobo fica mais forte do que o homem e o homem usava a força do lobo no dia a dia e ele saía em sua forma de lobo completa, somente em momentos de estresse por território, no caso do alfa ou indícios de que sua companheira estaria em perigo..."
" O lobo costuma priorizar a aceitação dele como companheiro, mesmo sendo feral, ele quer que ela sinta desejo por ele, então a marca levemente com a sua língua em alguma parte do corpo, para sinalizar a outros que aquela mulher pertence a ele."
- Oh, isso quer dizer que eu sou a companheira do lobo? - murmurou a si mesma chocada.
Ela não podia acreditar nisso. O canalha a marcou. Marcou! Sem sua permissão!
Precisava ler mais.
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