
Entre Irmãs: Ódio e Redenção
Capítulo 2
A memória da minha vida passada era uma ferida aberta, um zumbido constante no fundo da minha mente, a humilhação final foi ver o rosto triunfante da minha irmã gêmea, Sofia, estampado em todos os portais de notícias, ela estava sendo celebrada como um gênio da programação, a mente por trás de "Eco de Aetheria", o jogo que eu criei, que eu passei noites em claro desenvolvendo.
Naquela vida, eu fui ingênua, confiei nela, confiei na minha família, mostrei a Sofia cada linha de código, cada conceito de design, e ela, com um sorriso doce no rosto, roubou tudo, apresentou meu projeto como se fosse dela para entrar na mais prestigiada universidade de tecnologia do país, e conseguiu.
Quando tentei contar a verdade, ninguém acreditou em mim, meus pais, Cláudio e Beatriz, me olharam com decepção, "Maria, por que você tem tanta inveja da sua irmã?", minha mãe disse, com a voz carregada de desgosto, "Sofia sempre foi mais esforçada, mais sociável, aceite isso", meu pai completou, virando as costas para mim.
Lucas, nosso amigo de infância, a pessoa que eu pensei que me conhecia melhor, também balançou a cabeça, "Maria, eu vi a Sofia trabalhando nisso, talvez você esteja confusa", ele disse, e a crença cega dele nas mentiras dela partiu meu coração em pedaços.
Eles me pintaram como a irmã louca e invejosa, a ovelha negra, a família me isolou, a universidade me rejeitou, e a sociedade me condenou, a dor e o estresse me consumiram, fui acusada de fraude acadêmica por tentar provar que o trabalho era meu, e no final, minha vida desmoronou completamente, terminei sozinha, desacreditada e destruída, um final patético para a verdadeira criadora.
Mas então, um milagre aconteceu, eu fechei os olhos para a escuridão daquela vida miserável e os abri novamente, a luz do sol da manhã entrava pela janela do meu quarto, o mesmo quarto que eu dividia com Sofia, olhei para o calendário na parede, a data marcada em vermelho era hoje, o dia da apresentação na universidade de tecnologia, o dia em que minha vida desabou.
Eu estava de volta, meu coração batia forte, não de pânico, mas de uma clareza gelada, eu tinha uma segunda chance, e desta vez, as coisas seriam diferentes.
O objetivo era claro na minha mente, não era vingança cega que eu buscava, era justiça, era expor cada mentira, cada traição, era recuperar o que era meu por direito e fazer Sofia, e todos que a apoiaram, enfrentarem as consequências de seus atos.
Levantei-me da cama, minhas mãos não tremiam, meu corpo estava cheio de uma determinação fria, Sofia já tinha saído, provavelmente para se preparar para o seu grande momento de glória roubada, ela deve ter pensado que eu ainda estava dormindo, a irmã ingênua e boba que ela sempre conheceu.
Eu me vesti com calma, escolhi uma roupa simples, mas que passava uma imagem de seriedade, olhei meu reflexo no espelho, a garota que me encarava não era a mesma Maria quebrada da vida passada, seus olhos continham uma sabedoria e uma dor que ninguém entenderia, e uma resolução de aço.
Cheguei ao auditório da universidade, o lugar estava lotado, a mídia, professores, estudantes, todos estavam lá para testemunhar o surgimento de um novo "prodígio", no palco, Sofia estava radiante, ela falava com confiança sobre os conceitos inovadores de "Eco de Aetheria", usando as minhas palavras, as minhas ideias.
Vi meus pais na primeira fila, os olhos de Beatriz brilhando de orgulho, Cláudio aplaudindo com entusiasmo, vi Lucas um pouco mais atrás, com um olhar de admiração no rosto direcionado a Sofia, a mesma cena da minha vida passada se desenrolava na minha frente, mas desta vez, eu não era uma espectadora indefesa.
Esperei o momento exato, quando Sofia terminou sua apresentação e os aplausos ecoaram pelo auditório, quando o reitor da universidade subiu ao palco para parabenizá-la, eu comecei a andar pelo corredor central.
Minha presença foi como uma pedra jogada em um lago calmo, as pessoas começaram a me notar, sussurros se espalharam pela multidão, "Essa não é a irmã gêmea dela?", "O que ela está fazendo aqui?".
Eu não parei, continuei andando com passos firmes e calmos, meus olhos fixos no palco, fixos em Sofia, o sorriso dela congelou quando me viu, o pânico brilhou em seus olhos por uma fração de segundo antes que ela o escondesse atrás de uma máscara de confusão.
Eu subi os degraus do palco, o silêncio caiu sobre o auditório, todos os olhos estavam em mim, eu parei ao lado de Sofia, peguei o microfone da mão do reitor chocado e olhei para a multidão, a batalha pela minha identidade e pelo meu futuro estava prestes a começar.
"Bom dia a todos", eu disse, minha voz clara e firme, sem nenhum traço de hesitação, "Meu nome é Maria, e eu sou a verdadeira criadora do jogo 'Eco de Aetheria'".
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