Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Entre folhas e suspiros

Entre folhas e suspiros

Jéssica Torres luta para superar crises financeiras e desilusões amorosas enquanto busca um sentimento real. Sua vida muda ao conhecer o enigmático magnata Henry Morales, que lhe apresenta uma proposta capaz de balançar suas convicções. Marcados por traumas passados, ambos enfrentam a dificuldade de se entregar novamente. Entre a responsabilidade e o desejo, Jéssica mergulha em uma jornada de descobertas e paixão, revelando emoções há muito tempo ocultas.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

JÉSSICA

Ao chegar, abri a porta e apertei o interruptor, com a intenção de acender a lâmpada, mas a mesma não acendeu. Caminhei no escuro, tentando encontrar outro interruptor, e o resultado foi o mesmo de antes: não havia energia em nenhum dos cômodos. Percebi que estava prestes a enfrentar uma noite longa e desconfortável. De imediato, procurei por uma vela na gaveta do armário da cozinha e, por sorte, encontrei uma que já estava pela metade. Acendi a pequena chama e rapidamente ela deu uma leve clareada no local. Após constatar que a chama não se apagaria, voltei até a porta para fechá-la, já que havia deixado aberta, e deparei-me com um bilhete que tinha sido colocado por baixo dela.

Segurei firme no papel e notei que era um aviso da companhia de energia. Um grande suspiro de derrota escapou por minha boca. Eu estava em maus lençóis; não conseguia mais manter o apartamento, restando apenas duas opções: voltar para a casa dos meus pais ou pedir moedas no semáforo. "Por incrível que pareça, a segunda opção seria bem mais viável pra mim. Meu Deus, vou acabar morrendo de fome!" Ponderava, sentindo o peso das circunstâncias em meus ombros. As preocupações com o futuro imediato pareciam esmagadoras, deixando-me sem rumo diante das dificuldades.

Eu poderia tentar fazer algumas horas extras no trabalho, entretanto, não seria suficiente para acabar com todas as dívidas e o fato de ser apenas uma estagiária também se tornava um grande empecilho. Livrei-me dos sapatos que estavam em meus pés e me joguei sobre o sofá. Eu estava exausta e preocupada, então resolvi ligar o notebook que ainda restava um pouco de bateria para acessar meu e-mail; por sorte, a vizinha que morava no apartamento da frente emprestava o wi-fi dela. Logo deparei-me com a fatura do cartão de crédito:

— Mil e trezentos reais? — Gritei, chocada com o valor astronômico. — Eu não me lembro de ter gasto tudo isso! — Depositei um soco contra a almofada que estava sobre o sofá, frustrada com a situação. — Pagamento mínimo de setecentos reais? Ah, eu quero morrer! — Choraminguei, sentindo o desespero se apoderar de mim. — Meu Deus, me dê uma luz, meu salário não vai dar para pagar tudo isso. Talvez eu deva vender um rim! — Acabei cogitando a ideia, em um momento de desespero extremo.

Naquela noite, enquanto a chama da vela ainda iluminava o pequeno espaço ao meu redor, fiz um balanço mental de todas as possibilidades que se estendiam diante de mim. Estava diante de uma situação delicada, e era crucial encontrar uma solução rápida e eficaz antes que as consequências se tornassem ainda mais graves. Após alguns segundos de hesitação, respirei fundo e peguei o maldito cartão que guardava na bolsa há dias. Corri até a gaveta do armário da cozinha e peguei uma tesoura, decidida a cortá-lo em pedaços. No entanto, ao encarar o cartão por uma eternidade, uma ideia repentina surgiu em minha mente. Antes de destruí-lo, decidi que precisava de um consolo imediato e, por algum motivo, a imagem de um pote de sorvete preencheu meus pensamentos.

Calcei um par de chinelos e saí determinada em busca de um pote de sorvete. Felizmente, havia um posto de combustível aberto 24 horas bem na esquina da rua onde morava. Com uma expressão abatida, adentrei a conveniência e peguei um pote de dois litros, no sabor de chocolate, enquanto tentava afastar os problemas que me assombravam temporariamente. Ao retornar para casa, deparei-me com uma cena inesperada. Havia movimento no apartamento ao lado do meu, indicando que alguém estava se mudando. Mesmo achando estranho o horário escolhido para a mudança, decidi não me preocupar com isso naquele momento, focando minha atenção apenas no sorvete que prometia ser um alívio para minhas aflições.

— Nossa, a dona Yunna se mudou e eu nem fiquei sabendo? Que estranho! — Murmurei para mim mesma, surpresa com a mudança inesperada da vizinha. Antes de entrar em meu apartamento, porém, senti um toque em meu braço.

— Você é Jéssica Torres? — Perguntou um senhor engravatado de origem asiática, segurando uma caixa grande de papelão. Um nó se formou em minha garganta, temendo que fosse o momento do meu despejo.

— Sim, sou eu. — respondi, num murmúrio.

— Sou Yosuke, filho mais velho da Yunna que morava aqui ao lado. Ela faleceu recentemente e deixou um item para você. Minha mãe estava muito doente e parecia saber que iria morrer. Ela deixou um bilhete colado em cada item, com os nomes das pessoas que ela desejava presentear!

— Eu não acredito, quando ela faleceu? Eu nem fiquei sabendo de nada! — Proferi as palavras chocada com a informação, sentindo-me desconectada dos acontecimentos ao meu redor.

— Faz cerca de uma semana. Vim ao seu apartamento algumas vezes, mas não te encontrei. Por sorte, te encontrei agora. Vim pegar o restante das coisas enquanto o novo morador está se mudando, e trouxe o objeto que ela deixou pra você! — Disse ele, retirando da caixa um pequeno saco de tecido ornamentado, feito de seda, com um cordão colorido. O saco estava revestido com um plástico e continha um pequeno pedaço de papel escrito: "Jéssica, vizinha do apartamento 202".

— O que seria isso? — Franzi o cenho, curiosa com o objeto misterioso.

— Um amuleto japonês. Dizem que é para proteção e sorte, conhecido como "Omamori". — Ele explicou, enquanto eu tomava o objeto leve como uma pena em minhas mãos, examinando-o com cautela.

— Obrigada, mas não entendo porque ela deixaria algo para mim. A gente apenas se cumprimentava! — Expressei minha perplexidade com o gesto inesperado da falecida vizinha.

— Ela sempre dizia que você era uma jovem muito educada, que sempre a ajudava com as sacolas de compras! — Yosuke sorriu, compartilhando uma lembrança reconfortante da interação entre nós.

— Eu agradeço mais uma vez. Espero que a família possa superar a grande perda que tiveram! — Murmurei, desejando conforto para a família enlutada, enquanto observava o rapaz se afastando com a caixa nos braços.

Passei a chave na tranca da porta, coloquei o objeto misterioso sobre o sofá e corri até a cozinha em busca de uma colher. Cada colherada que dava no pote de sorvete trazia consigo uma sensação mista de conforto e melancolia. Enquanto o sabor do sorvete se espalhava pela minha boca, as lágrimas teimavam em escorrer pelos meus olhos, fruto da pressão das dívidas que pareciam se acumular como uma tempestade prestes a desabar sobre mim.

— Bom, pelo menos consegui comer um pote de sorvete sozinha! — Tentei encontrar um pouco de humor na situação, mesmo que fosse uma risada forçada para afastar momentaneamente a tensão que me cercava.

No entanto, por mais que tentasse me distrair com o sorvete, as preocupações continuavam a martelar minha mente sem trégua. Pensava em mil e uma maneiras malucas de resolver meus problemas financeiros, desde buscar oportunidades de trabalho extra até realizar cortes drásticos nos gastos do dia a dia. Cada colherada era uma tentativa de afogar não apenas o sabor doce e gelado do sorvete, mas também as amarguras que me assolavam.

Enquanto o aroma envolvente do sorvete preenchia o ambiente, meus olhos vagaram pelo cômodo até se fixarem no violoncelo encostado no canto de um armário no corredor entre o quarto e a sala. Havia anos desde a última vez que eu o toquei, e as lembranças de melodias apaixonadas e notas ressonantes ecoaram em minha mente, despertando uma mistura avassaladora de nostalgia e intento. Deixei o pote de sorvete sobre o sofá, já que estava com preguiça de voltar à cozinha, e me levantei com um misto de nostalgia e empolgação. Ao deitar na cama, o peso das preocupações ainda era palpável.

As sombras dançavam nas paredes, refletindo meus pensamentos inquietos. A insônia me atingiu, fazendo-me revirar de um lado para o outro em busca de conforto. Decidi então me levantar e ir até a cozinha em busca de um copo d'água para acalmar minha agitação interior. 

Peguei a pequena vela que estava acesa sobre um prato, sua luz fraca e suave iluminando o ambiente. Ao passar pela sala, me deparei com o amuleto delicado sobre o sofá, emanando uma energia serena e misteriosa que me intrigava profundamente. Aquela peça, deixada por minha falecida vizinha, parecia ter um significado especial e despertava em mim uma curiosidade crescente.

"Bom, pelo menos tem uma aparência agradável, a dona Yunna tinha bom gosto. Pobre dona Yunna, ainda não acredito que ela se foi!" Ponderava, deixando-me levar por um breve momento de contemplação sobre a história por trás daquele objeto. Após beber água e sentir um leve alívio, peguei o objeto e o levei para o quarto. Decidi pendurá-lo na cabeceira da cama, como uma espécie de guardião silencioso para afastar os pensamentos perturbadores que teimavam em assombrar minha mente durante a noite.

— Amuleto da sorte! — Sussurrei, encarando a peça com uma mistura de descrença e esperança. — Juro que eu só queria poder dormir como se não tivesse qualquer preocupação, como se não tivesse nenhuma dívida pendente! — Desabafei em voz alta, deixando escapar um suspiro pesado enquanto me deitava, a mente ainda agitada e inquieta.

Revirando-me de um lado para o outro na cama, as palavras ecoavam em minha mente, uma constante lembrança das obrigações não cumpridas e dos problemas que pareciam não ter solução. "Isso não vai funcionar! Talvez eu devesse subir no prédio mais alto dessa cidade e me jogar lá de cima, isso com certeza resolveria todos os meus problemas!", pensei, deixando-me levar por um momento de desespero e desesperança diante das dificuldades que pareciam insuperáveis. Me levantei e fiquei em pé diante da cômoda do quarto, a pequena chama da vela ainda lançando sombras dançantes ao redor. Encarei o anel de compromisso que estava sobre uma fotografia minha com o Lucas. Ainda guardava aquelas lembranças, não estava preparada para me livrar daquilo, mesmo sem compreender completamente o motivo de ainda manter aquele objeto entre meus pertences. A imagem na fotografia mostrava-nos sorridentes, capturando um momento de felicidade que agora parecia distante e irreal. O brilho do anel parecia mais opaco naquela noite sombria, refletindo a tristeza que se instalara em meu coração.

Cada vez que olhava para aquela foto, uma mistura de saudade e amargura preenchia meu peito, lembrando-me dos sonhos que tínhamos planejado juntos e que agora pareciam destroçados. Com um suspiro profundo, caminhei até a cozinha e coloquei o anel na lixeira, me livrei também da foto, e decidi voltar para a cama. A luz da vela continuava a dançar, como se tentasse me transmitir alguma mensagem de esperança, mas meus pensamentos estavam tão tumultuados que mal conseguia concentrar-me em algo positivo. A noite parecia se estender infinitamente, enquanto eu lutava contra a escuridão que ameaçava engolir minha esperança. 

Respirei fundo, ciente de que estava enfrentando mais uma noite de ansiedade, uma companheira indesejada que parecia sempre à espreita quando as preocupações me assaltavam. Coloquei um casaco fino para me proteger do leve frio noturno e vesti uma calça de moletom para garantir conforto. Nos pés, deslizei um par de meias e calcei os chinelos, preparando-me para sair em busca de um alívio para minha mente agitada. Ao passar pela portaria do edifício onde morava, dei início a uma caminhada solitária pelas ruas adormecidas da cidade. Durante cerca de vinte minutos, deixei meus passos me guiarem, absorvendo a serenidade da noite e a quietude das ruas vazias. Os sons distantes dos carros e dos pássaros noturnos pareciam abafados, criando uma sensação de isolamento reconfortante.

Fechei os olhos por um breve instante, permitindo-me sentir a brisa gelada acariciar meu rosto antes de retomar meu caminho. A cada passo, sentia-me mais leve, como se as preocupações fossem lentamente se dissipando no ar noturno. Era como se a cidade adormecida sussurrasse palavras de conforto, envolvendo-me em sua calma reconfortante. O brilho das estrelas no céu sem nuvens também contribuía para a atmosfera tranquila, criando uma pintura celestial que contrastava com a agitação interna que eu enfrentava. A caminhada solitária sob a luz da lua trouxe uma sensação de clareza mental que eu não experimentava há tempos. Cada respiração profunda era como um mantra, acalmando minha mente e acalentando meu espírito cansado. A serenidade da noite era como um bálsamo para a alma, renovando minhas forças para enfrentar os desafios que o amanhecer traria. Assim que abri os olhos, percebi que era hora de voltar para casa, já que a sonolência começava a se fazer presente. 

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A babá é a mais nova obsessão do CEO
9.2
Após ser humilhada publicamente por um amor não correspondido, Maria Fernanda vive uma noite ardente com o misterioso Enzo. O CEO acorda desconfiado e inicia uma busca obsessiva pela mulher que possui tatuagens específicas. Sem saber da identidade dele, ela aceita um cargo de babá e descobre que o patrão é seu antigo amante. Entre suspeitas de espionagem e uma atração indomável, Enzo tenta decidir se ela é uma ameaça real ou sua maior paixão.
Capa do romance A Traição Dele, A Vingança Bilionária Dela
8.9
Helena Castilho ocultou ser herdeira de um império de segurança para viver um casamento simples com Caio. Contudo, após uma explosão, ele a abandonou nos escombros para salvar outra mulher, Camila. Forçada a doar sangue para a rival sob mentiras, Helena descobre que tudo foi um plano cruel de seu marido para humilhá-la. Ferida e traída, ela decide retomar sua verdadeira identidade e aciona seus aliados poderosos para iniciar uma vingança implacável.
Capa do romance DAMA DA NOITE
8.0
Eleonora Ferrari, ex-amante de Fernando Machado e antiga estrela de boate, herdou metade de uma fortuna, tornando-se rival da nobre família Machado. Fria e ambiciosa, a famosa Dama da Noite desperta paixões intensas por onde passa. O destino a coloca no caminho de Alberto Machado, o arrogante herdeiro e solteiro mais cobiçado do país. Apesar da inimizade familiar, Alberto se vê rendido pela beleza de Eleonora, iniciando um embate marcado por luxo, poder e desejo.
Capa do romance Diferente de mim
9.2
Cathleen Naongui é uma empresária de sucesso que prefere o isolamento, mas sua rotina vira um caos ao cruzar o caminho de Gabriel Algustos. O famoso magnata nutre uma paixão antiga por ela, embora Cathleen sequer soubesse que ele existia. Após um primeiro encontro inusitado que gera uma péssima impressão, Gabriel se recusa a desistir. Conseguirá ele conquistar o coração da fria empresária ou a insistência fará com que ela o odeie ainda mais?
Capa do romance Encontro quase perfeito
9.1
Determinada a vencer, Helena deixou sua casa para perseguir seus objetivos na cidade grande. Com o apoio fundamental de suas amigas, ela superou obstáculos, ingressou na faculdade e garantiu um excelente cargo, jurando jamais retornar derrotada. No entanto, sua estabilidade é abalada por um dilema inesperado. Agora, essa mulher inteligente e dedicada precisa lidar com as complicações de seu próprio coração ao se apaixonar perdidamente pelo seu chefe.
Capa do romance Menino de cabelos loiros
8.7
Após uma noite intensa com um desconhecido em seu aniversário de 18 anos, Era acorda sob a ameaça de uma faca. Ela escapa, mas logo é expulsa de casa pelo pai. Sem ter para onde ir, decide realizar o desejo de ser mãe de forma independente. Ao tentar encontrar o parceiro ideal em uma festa, o destino a coloca diante do mesmo homem perigoso. Sem chances de fugir novamente, ela precisará encarar as consequências desse reencontro inesperado.