
Entre Duas Vidas
Capítulo 3
Helena POV
Peguei o copo em cima da mesa, olhei para o líquido âmbar por alguns segundos e em seguida virei ele, sentindo o gosto do álcool queimar na garganta e no final esquentar meu corpo. Não posso dizer que estou completamente calma, mas também não estou completamente nervosa, além do mais eu tenho uma boa resistência a álcool e outros entorpecentes, até mesmo anestesias eu tenho que tomar doses extras.
Olhei mais uma vez ao meu redor, era um escritório pequeno, com uma decoração medieval, com móveis em madeira negra, detalhes em dourado, no chão um tapete bem macio em tom vermelho escuro e pre.to, há uma mesa, duas poltronas, um sofá e duas estantes, do lado esquerdo tem uma janela com cortinas pre.tas e vermelhas.
Estou usando um conjunto de sutiã e calcinhas rendadas pretas e por cima um vestido semi transparente em tom roxo azulado, nos pés um salto alto preto. Um pedido do meu novo dono. Céus! Será que eu vou me acostumar a chamar essa pessoa de dono? É tão estranho, sequer consigo falar em voz alta.
Passei a mão pelos cabelos, nervosa, depois de tudo eu estava com segundos pensamentos, querendo fugir. Meu coração está acelerado e minha respiração começa a ficar mais entrecortada. Ando até a janela e encostei a cabeça no vidro, fechando os olhos, respirando fundo algumas vezes. Preciso me recompor, escolhi estar aqui… Agora preciso ir até o final.
Escutei a porta se abrindo e me afastei da janela, virando para a porta, finalmente conheceria a pessoa que havia me comprado, com calma coloquei um sorriso confiante nos lábios, três pessoas entraram.
O mesmo homem de pele ne.gra que havia me ajudado a criar toda a cena do leilão, Heitor Silva, ele é o responsável por acompanhar todo o processo e eu confiava nele. Atras dele entrou mais duas figuras masculinas, um homem de cabelos negros muito bem cortados, olhos de um tom caramelo intenso, labios finos e queixo mais quadrado, está usando um terno cinza com um corte perfeito, o outro tem cabelos castanhos escuros que vão até os ombros, olhos de um tom azul escuro, labios mais grossos e queixo não tanto quadrado, está usando uma roupa mais casual, calça social, camisa preta e tenis preto. Completamente diferentes, mas os dois têm uma aura de perigo ao redor.
Como o contrato ainda não estava assinado eu mantive o olhar erguido, com esse sorriso calmo estampado e a respiração calma. Percebo que os dois me olham de cima a baixo, avaliando realmente se vale a pena, há um brilho de luxúria, mas o principal era o sorriso deles, de superioridade.
Eu não sou uma mulher que abaixa a cabeça, o que vai acontecer durante esses cinco dias é algo extraordinário, algo que não vai acontecer sempre e porque eu quero. Espero que esses homens saibam disso, mas se não sabiam antes, ficaram sabendo agora.
“Senhorita 42, está feliz com os valores?” Heitor me perguntou, enquanto caminhava até a ponta da mesa de trabalho e se sentava.
“Não fiquei desapontada.” Respondi simplesmente, ainda sem desviar o olhar daqueles dois homens à minha frente.
“Que bom, estes são seus compradores.” Heitor abriu a tela do notebook e começou a completar as informações do contrato, para as partes assinarem.
“Vai ser uma honra servi-los.” Sorri de canto, fazendo uma breve reverência.
"Tem certeza que vai conseguir chegar até o final dos cinco dias?” Escutei o homem de cabelos castanhos perguntar.
“E por que não conseguiria?” Arqueei a sobrancelha esquerda e me segurei para não revirar os olhos.
“Porque você está encarando eles, sendo que o contrato informa que você está disposta a fazer o papel de sub.” Heitor respondeu.
Dei uma risada baixa, quase sem som.
“O contrato ainda não foi assinado, a partir do segundo em que ele for assinado vou cumprir com meu papel.” Encostei na janela, estou começando a ficar com um pouco de sono já.
“De qualquer forma senhores, se não ficarem satisfeitos, o contrato poderá ser rescindido a qualquer instante.” Heitor falou e logo o som da impressora se fez presente.
A sala ficou quieta e apenas o som dos papéis ecoavam, no final havia três pilhas do contrato, uma cópia minha, uma cópia da casa e uma cópia dos compradores. Peguei a cópia que Heitor me entregou e passei a ler as informações.
Por motivos de segurança os dados pessoais de cada envolvido tinha sido substituído pelos codinomes, mas ele ainda seria válido. Li cada página com cuidado, não sou nenhuma inocente e sei o que esperam de mim e o que eu espero, a parte dos fetiches permitidos não havia sido modificada, ao que indicava meus compradores estavam felizes com minhas condições.
Pronto, se eu fosse desistir esse era o momento, daqui para frente eu não poderia desistir, senão perderia tudo. Eu queria desistir? Ao que indicava meus donos não eram pessoas desagradáveis, não por uma questão de aparência, apesar que a aparência conta bastante, mas não que fosse especialista em avaliar as pessoas, mas esses dois não me pareciam tão ruins assim.
Respirei fundo e peguei a caneta, assinando nos lugares indicados, em todas as três vias e no momento em que a última assinatura foi feita, abaixei o olhar e mudei minha postura, a partir de agora eu sei qual o papel que devo desempenhar. As aulas de teatro vão servir para alguma coisa.
“Hum…” Escutei a voz do segundo homem bem próxima a mim e logo depois o toque do lado esquerdo do rosto.
Mantive o olhar baixo, sem me esquivar, percebo que o outro homem dá a volta e fica atrás de mim afasta meus cabelos e então uma coleira é colocada em meu pescoço. Continuo sem me mexer, afinal de contas não havia sido ordenada a falar ou a me mexer.
Eu havia estudado bastante sobre esse mundo, sobre o que esperavam de mim. Como é a postura de uma submissa, de uma escrava, de uma brat, entre outras posições de subs e no caso, havia acabado de assinar um contrato de submissa/escrava, o que significava que estava a mercê das ordens deles.
“Interessante… Muito interessante…”
Pela primeira vez escutei a voz do homem de cabelos negros, ela tem um tom rouco, mais forte, mais intenso. Resisto a vontade de estremecer, de virar a cabeça para encará-lo, de sorrir ironicamente e jogar na cara dele que ele tinha me subestimado, mas não posso, não ainda, não por enquanto.
“Vamos, pet.” O homem de cabelos castanhos falou e então puxou a coleira para frente, comecei a andar, olhando para o chão.
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