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Capa do romance Entre dois mundos - O amor sempre vence

Entre dois mundos - O amor sempre vence

Aos 18 anos, Julia quer apenas curtir a vida na favela sem obrigações, ignorando responsabilidades sob a guarda do irmão. Em contraste, Lucas trabalha arduamente para tirar os pais da mesma comunidade, focado em superar as dificuldades financeiras. Quando seus caminhos se cruzam, o casal descobre novas perspectivas sobre a realidade. No entanto, mesmo unidos por uma paixão intensa, o destino reserva trajetórias distintas que testarão esse amor.
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Capítulo 2

Lucas

Entrei em casa ainda sentindo meu rosto quente, e vermelho. Que menina louca, meu primeiro "beijo" não foi nem de longe como eu imaginei.

- Onde cê tava Lucas? Minha mãe estava parada na porta me olhando atentamente.

- É... Eu fui à farmácia. Gaguejei, lembrei de Julia, de novo.

- Na garupa da moto da Julinha? Essa mulher sabe de tudo como pode?

- Ela me pediu ajuda, na farmácia. Minha mãe me olhou desconfiada, abaixei a cabeça.

- A Julinha não é companhia para você, Lucas. Esse mundo que ela vive não é o teu.

- Mas a Bíblia fala para não virar as costas para nossos irmãos.

- Meu filho, é mais fácil ela te levar pro mundo dela do que ela vir para o seu. Olhei para minha mãe. - Se afasta dela, é um conselho que te dou. Permaneci calado, não sei se consegue ria me afastar agora de Julia.

Entrei no quarto, e deitei na cama. Meu celular tocou.

- Alô.

- Consegui seu número por aí. Sorri, era ela.

- Fala...

- Quer sair hoje a noite? Vamos em um restaurante.

- Não posso. Hoje tenho culto. Quer ir?

- Sim! Que horas?

- A.. As 19.

Gaguejei, ela vai mesmo? Me despedi e desliguei o telefone sem acreditar.

Terminei às 18 horas, passei mais um pouco de perfume, peguei meu celular, a Bíblia e fui caminhando para a igreja. Meu pai me pede para chegar cedo e esperar os irmãos, ele diz que assim vou aprender mais para me tornar um bom pastor no futuro, como ele mesmo diz: depois que eu me casar...

Será se Julia realmente vai? Parei na porta da igreja de cabeça baixa.

- E aí, cara? Levantei a cabeça.

- Oi, Igor tudo bem?

- Te vi hoje subir o morro com a minha irmã. Ele levantou a camisa me mostrando a ponta do 38 que estava em sua cintura.

- Você me conhece bem. Eu sou a última pessoa que colocaria um dedo nela. Ele balançou a cabeça afirmando e saiu andando devagar, passei as duas mãos na cabeça. Olhei para cima e vi Julia descendo a rua. Ela estava linda usando um vestido rosa de mangas longas que chegava perto dos seus joelhos. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque com alguns fios soltos. Meu coração acelerou quando a-vi chegando mais perto, ela realmente veio. Até me esqueci que Igor acabava de me ameaçar por esta perto dela. - Oi, Julinha. Falei sorrindo. - Você veio! Ela assentiu, me dando um beijo no rosto.

- Falei que viria. Olhei meu relógio já era (19:10). Conduzi-a para dentro da igreja, e nós sentamos em um dos últimos bancos. Coloquei ela mais afastada por medo dela se senti desconfortável com os olhares de julgamento, mas Julia parecia não se incomodar.

- Tô forçando a barra? Ela me olhou por um segundo e voltou a atenção para o púlpito.

- Não, eu gosto de esta com você. Apertei levemente a mão dela e soltei. Julia permaneceu em silêncio, mas vi que um sorriso se formou em seu lábio. No momento em que o coral começou a cantar vi Julia ficar atenta.

Eu vi que aquele louvor tocou ao coração de Julia, e me emocionei com ela.

Quando o culto acabou, Julia se despediu de mim com um abraço e foi embora, caminhando. Ela não tentou me beijar de novo, não me convidou para sair. Só me deu um abraço e falou:

- Obrigada por me convidar. Fiquei confuso, voltei para casa a todo momento verificando seu havia alguma mensagem, ou ligações. Tentei retornar para ela, mas a sua ligação foi de um número privado.

- Por favor me liga. Falei olhando para a tela do celular.

Já era quase 1:00 hora da manhã quando desisti de esperar... Quando me deitei na cama, e em poucos minutos eu já está a um sono profundo, sonhei com Julia chegando na igreja. Que cena perfeita...

Muito longe ouvia o toque do meu despertador, abri os olhos e peguei celular, desativei o alarme, mas ainda não tinha nenhuma mensagem de Julia, provavelmente ela desistiu de mim, é... eu deveria ter dado ouvidos a minha mãe. Que por acaso está parada na porta me olhando, ela vai brigar!

- Bom dia, mamãe. Me levantei, fui até ela, dei um beijo em sua bochecha e me afastei esperando o que estava por vir.

- Bom dia, filho. Fiquei sabendo que você levou a Julinha ontem na igreja, você sabe o que está fazendo, Lucas? Na realidade não, mas o que posso dizer? Julia é especial para mim, e não poderia deixar de convidá-la para a igreja. Acho que ele nunca foi em um culto, Jesus jamais perderia a oportunidade de levar sua palavra para uma alma. Minha mãe aguardava uma resposta.

- É só amizade mãe, eu só quero que ela conheça a palavra. Ela balançou a cabeça e saiu. Lembro bem de ter dito a Julinha que eu não queria problemas, e agora tenho dois: o irmão dela, e minha mãe. Melhor eu ir para a faculdade...

- Lucas? Ouvi a voz dela, enquanto descia o morro para pegar a condução, a voz dela estava tão suave aos meus ouvidos aquele momento, que até fui capaz de fingir que não ouvi só para ela falar mais nome mais uma vez com aquele lindo sotaque. - Lucas? Me virei sorrindo, possivelmente com a maior cara de bobo do mundo.

- Bom dia, Julinha. Ela sorriu, com seus lindos olhos brilhando. Julia estava dentro do carro do irmão dela, provavelmente indo para a escola. Aqui no morro todo mundo sabe da vida um do outro e todos dizem que o que Igor mais quer é que ela se forme para sair daqui. Já ouvi dizer que ele é super protetor com ela porque já juraram Julinha de morte, não por ela fazer algo, mas por saberem que ela é o único ponto fraco dele.

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