
Enquanto Meu Mundo Ardia: Onde Estava o Meu Marido?
Capítulo 3
Os bombeiros chegaram. Não me lembro de muito, apenas de flashes.
Uma porta a ser arrombada.
Homens com máscaras a gritarem ordens.
O ar fresco e frio da noite no meu rosto, a arder nos meus pulmões cheios de fumo.
Lembro-me de ser colocada numa maca. Vi a minha mãe numa outra, o seu rosto coberto por uma máscara de oxigénio, os seus olhos fechados.
Tentei chamar por ela, mas a minha garganta estava em carne viva. Apenas um som rouco saiu.
Na ambulância, a dor começou. Uma cãibra forte e profunda no meu ventre. Não era a dor do parto que eu tinha lido nos livros. Era algo violento, errado.
Agarrei a mão de um paramédico.
"O meu bebé," consegui sussurrar.
Ele não olhou para mim. Apenas disse ao colega para acelerar.
No hospital, tudo se tornou um borrão de luzes brancas, batas verdes e vozes urgentes.
Empurraram-me por corredores.
"Grávida de trinta e nove semanas, inalação de fumo, em sofrimento fetal agudo."
As palavras ecoavam à minha volta, mas pareciam ser sobre outra pessoa.
Tentei ligar para o Pedro outra vez, usando o telemóvel que um bombeiro simpático tinha recuperado para mim.
O telefone dele estava desligado.
Dezessete chamadas perdidas minhas. Nenhuma resposta.
A dor intensificou-se, uma onda negra que me engoliu por inteiro.
A última coisa que vi antes de me levarem para a sala de operações foi o rosto sério de um médico a olhar para mim.
"Vamos ter de fazer uma cesariana de emergência para tentar salvar o bebé. E vamos ter de a salvar a si."
Fechei os olhos.
A escuridão foi um alívio.
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