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Capa do romance Enfermeira Fugitiva: O Remorso do Rei da Máfia

Enfermeira Fugitiva: O Remorso do Rei da Máfia

Dante Vitiello, o Capo de São Paulo, recuperou a visão e descartou a enfermeira que o salvou por sete anos. Humilhada como mera filha da empregada e forçada a vê-lo proteger sua noiva de elite, ela decide que não será mais um consolo descartável. Após ser abandonada ferida em um evento, ela aceita um acordo milionário com a mãe dele e foge para a Austrália. Agora, o rei da máfia implora pelo perdão da mulher que ele acreditou que jamais teria coragem de partir.
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Capítulo 3

POV Elena Rossi:

O leilão de caridade era menos uma reunião e mais um campo de batalha disfarçado de seda e sombras. Um mar de smokings pretos e diamantes cintilantes se estendia diante de mim.

Eu não deveria estar aqui.

Dante me disse explicitamente para ficar em casa, descartando a noite como "política familiar tediosa".

Mas Marco, abençoado seja seu coração bem-intencionado, mas confuso, havia enviado um motorista para mim, supondo que Dante simplesmente havia se esquecido de me convidar. Eu não podia recusar sem levantar questões que não estava preparada para responder.

Então, fiquei na periferia, meio escondida pela sombra fria de um pilar de mármore, observando.

Dante estava no centro da sala. Ele não apenas ocupava o espaço; ele o comandava. Parecia um rei. Letal. Lindo. Intocável.

E Sofia estava ao lado dele.

Ela usava vermelho. A cor do aviso. A cor do sangue.

Ela estava rindo, sua mão demorando em seu bíceps, seus lábios roçando sua orelha enquanto sussurrava segredos que eu nunca ouviria.

De repente, a atmosfera mudou. O ar ficou pesado, carregado de estática.

Três homens da família Russo se aproximaram deles. Estavam bêbados, suas vozes altas demais para o zumbido educado da sala.

Um deles agarrou o braço de Sofia, seu aperto visivelmente rude.

"Olha só a princesinha", o homem zombou, suas palavras arrastadas. "Rastejando de volta para o lobo mau agora que o papai está falido?"

Sofia soltou um som — um grito agudo e teatral que cortou o barulho como vidro.

Dante se moveu mais rápido que o pensamento.

Ele agarrou o pulso do homem e o torceu. O estalo doentio de osso quebrando ecoou pelo salão.

O caos explodiu.

Seguranças apareceram de todos os lados. As pessoas gritavam. Taças de champanhe se espatifavam.

Dante empurrou o homem para trás, seu rosto uma máscara de violência pura e inalterada.

"Para trás!", Dante rugiu.

Ele balançou o braço para trás para limpar um perímetro, criando um círculo de proteção ao redor de Sofia.

Ele não me viu.

Ele não sabia que eu tinha dado um passo à frente, instintivamente tentando alcançá-lo, para puxá-lo de volta da beira do abismo.

Seu antebraço pesado bateu no meu peito com a força de um aríete.

Eu voei para trás.

Minha cabeça bateu na borda afiada do pilar de mármore.

Uma luz branca explodiu atrás dos meus olhos, ofuscante e absoluta.

Eu desabei no chão, minha visão turva.

Um calor escorreu pelo meu pescoço. Espesso. Metálico. Sangue.

"Dante...", eu ofeguei, o ar expulso dos meus pulmões.

Mas ele não estava olhando para mim.

Ele estava ajoelhado no chão, sua atenção totalmente consumida por Sofia, segurando o tornozelo dela com mãos gentis.

"Você se machucou?", ele perguntou a ela, sua voz frenética, despojada de sua compostura habitual. "Eles te tocaram?"

"Meu tornozelo", Sofia soluçou, agarrando suas lapelas. "Acho que torci. Ai, meu Deus, Dante, me tira daqui."

Ele a pegou nos braços sem hesitação.

Ele passou direto por mim.

Seus sapatos caros de couro italiano pisaram diretamente em uma gota fresca do meu sangue no chão polido.

Ele não olhou para baixo.

Ele a carregou para fora do salão como se ela fosse de porcelana, me deixando sangrando na pedra fria, invisível nos destroços.

*

Eu mesma costurei o ferimento no banheiro da cobertura.

Quatro pontos.

Não usei anestésico. A mordida afiada da agulha no meu couro cabeludo era uma distração bem-vinda do buraco aberto no meu peito.

Sentei-me no chão do banheiro a noite toda, olhando para a porta, esperando a maçaneta girar.

Não girou.

Na manhã seguinte, meu celular tocou.

"Velvet Lounge. Sala VIP 703. Agora", a voz de Dante era gelo. Zero absoluto.

Ele desligou antes que eu pudesse respirar uma palavra.

Vesti um suéter de gola alta para esconder o curativo e chamei um táxi, minha cabeça ainda latejando no ritmo do meu coração.

Quando entrei na sala privativa, o ar estava denso com fumaça de charuto acre e uma tensão sufocante.

Dante estava sentado no sofá de couro, um copo de uísque na mão. Sofia estava ao lado dele, o pé apoiado em uma almofada de veludo, envolto dramaticamente em uma faixa elástica.

Ela parecia perfeita. Nem um fio de cabelo fora do lugar. Uma vítima impecável.

Dante olhou para mim com olhos que eu não reconheci. Estavam vazios de qualquer calor, de qualquer reconhecimento de quem eu era para ele.

"Explique", disse ele.

"Explicar o quê?", perguntei, mantendo minha voz firme apesar do tremor em minhas mãos.

"Os homens no leilão", disse Dante, sua voz baixa e perigosa. "Os Russos."

"O que tem eles?"

"Sofia diz que você os conhece", disse Dante. "Ela diz que te viu sinalizando para eles antes que se aproximassem dela."

Olhei para Sofia, atordoada.

Ela me ofereceu um sorriso triste e piedoso. Era uma performance magistral. "Elena, eu sei que você está com ciúmes. Mas contratar bandidos para me assustar? Isso é perigoso. Você poderia ter machucado o Dante."

Meu queixo caiu.

"Você acha que eu contratei a família Russo?", perguntei, olhando de volta para Dante, em busca de sanidade. "Dante, eu estava parada no canto. Você me atingiu. Você me derrubou."

"Não minta para mim!", Dante bateu a mão na mesa, fazendo os copos de cristal pularem.

Eu me encolhi, o som ecoando como um tiro.

"Eu vi as imagens da segurança, Elena", ele rosnou. "Você estava lá. Observando. Esperando."

"Eu estava esperando por *você*", sussurrei, a verdade soando patética até para meus próprios ouvidos.

"Você tem sorte de eu não te matar por colocar em perigo a futura Donna", Dante cuspiu, o título pairando no ar como uma lâmina de guilhotina. "Mas por causa do que você fez por mim no passado... eu vou mostrar misericórdia."

Misericórdia.

Ele apontou um dedo para Sofia.

"Peça desculpas", ele ordenou, sua voz não deixando espaço para discussão. "Peça desculpas a ela. De joelhos."

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