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Capa do romance Enfermeira Fugitiva: O Remorso do Rei da Máfia

Enfermeira Fugitiva: O Remorso do Rei da Máfia

Dante Vitiello, o Capo de São Paulo, recuperou a visão e descartou a enfermeira que o salvou por sete anos. Humilhada como mera filha da empregada e forçada a vê-lo proteger sua noiva de elite, ela decide que não será mais um consolo descartável. Após ser abandonada ferida em um evento, ela aceita um acordo milionário com a mãe dele e foge para a Austrália. Agora, o rei da máfia implora pelo perdão da mulher que ele acreditou que jamais teria coragem de partir.
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Capítulo 1

Por sete anos, eu fui os olhos de Dante Vitiello, o Capo cego de São Paulo.

Eu o arranquei da beira da loucura, cuidei de suas feridas e aqueci sua cama quando todos os outros já tinham desistido dele.

Mas no momento em que sua visão retornou, os anos de devoção viraram pó.

Em um único telefonema, ele decidiu se casar com Sofia Moretti por território, me descartando como apenas "a filha da empregada" e um "consolo" que ele pretendia manter como amante.

Ele me forçou a vê-lo cortejá-la.

Em uma festa de gala, quando um acidente caótico fez uma torre de taças de champanhe se estilhaçar, Dante se jogou sobre Sofia para protegê-la.

Ele me deixou lá, parada, sangrando com os cacos de vidro, enquanto a carregava para longe como se ela fosse de porcelana.

Ele nem sequer olhou para trás, para a mulher que tinha salvado sua vida.

Percebi então que eu havia adorado um deus quebrado.

Eu lhe dei minha dignidade, apenas para ele me tratar como um curativo descartável agora que estava inteiro.

Ele acreditava, em sua arrogância, que eu ficaria na cobertura, grata por suas migalhas.

Então, enquanto ele estava fora comemorando seu noivado, eu me encontrei com a mãe dele.

Assinei o acordo de rescisão por cinquenta milhões de reais.

Fiz minhas malas, apaguei meu celular e embarquei em um voo só de ida para a Austrália.

Quando Dante chegou em casa e encontrou uma cama vazia, percebeu seu erro e começou a virar a cidade de cabeça para baixo para me encontrar, eu já era um fantasma.

Capítulo 1

POV Elena Rossi:

Eu estava traçando as cicatrizes irregulares nos nós dos dedos de Dante quando o celular dele tocou e, no espaço de uma única conversa de três minutos, os sete anos que passei sendo seus olhos, sua enfermeira e sua amante se transformaram em cinzas.

Estávamos no banco de trás da Mercedes blindada.

Os assentos de couro cheiravam ao perfume dele — sândalo e pólvora.

Dante Vitiello, o Capo das famílias de São Paulo — o homem que se cegou com uísque e fúria antes que eu o arrastasse de volta da beira do abismo — não afastou sua mão da minha.

Ele simplesmente atendeu ao telefone.

"Parla", ele ordenou. *Fale.*

Ele colocou no viva-voz, mas baixo.

Ele achava que eu era apenas a filha da empregada.

Ele achava que a única coisa que eu sabia fazer era trocar curativos e aquecer sua cama.

Ele não sabia que, durante as longas noites em que ele estava cego e gritando com as paredes, eu aprendi o idioma dele sozinha apenas para entender o terror em seus pesadelos.

"Dante", a voz de Marco chiou na linha, cortante de raiva. "Você está louco? Vai assinar os papéis com a Sofia? Depois do que ela fez com você?"

Meu dedo parou de se mover sobre a mão dele.

Dante suspirou, um som que costumava vibrar contra meu peito quando dormíamos.

"É estratégico, Marco", Dante respondeu em um italiano rápido e fluente. "O território dos Moretti é vital. Sofia é a chave. Preciso dos soldados do pai dela."

"E a garota?", Marco perguntou. "A Elena?"

Dante olhou para mim.

Seus olhos, agora restaurados a um azul gélido e penetrante, varreram meu rosto.

Ele apertou minha mão. Uma garantia. Uma mentira.

"A Elena está... confortável", disse Dante em italiano, sua voz desprovida do calor que ele um dia me mostrou no escuro. "Ela é um consolo. Mas a Sofia vai ser a esposa. A Elena não precisa saber dos detalhes. Ela está feliz na cobertura. Vou mantê-la lá."

Um consolo.

Não uma parceira. Não uma salvadora.

Um animal de estimação.

Meu coração não se partiu; ele simplesmente parou de bater.

Olhei pela janela fumê.

As luzes da cidade se borraram em riscos de vermelho e dourado contra o vidro molhado de chuva.

"Ela é filha de uma serviçal, Marco", acrescentou Dante, cravando o último prego no meu caixão. "Ela entende o lugar dela. Ela não vai questionar o Don."

Ele desligou.

Ele levou minha mão aos lábios e beijou a palma.

"Negócios", disse ele em português, sua voz suave, charmosa. A voz de um mentiroso. "Apenas logística chata, *tesoro*."

Eu sorri.

Senti como se a pele do meu rosto estivesse rachando.

"Claro, Dante."

O celular dele vibrou novamente. Uma mensagem.

Ele olhou e eu vi o nome *Sofia* piscar na tela.

Seu maxilar se contraiu.

Ele bateu na divisória. "Pare o carro."

O motorista parou instantaneamente no acostamento molhado e de cascalho da rodovia.

"Elena", disse Dante, virando-se para mim. "Preciso resolver algo urgente. Não é seguro para você vir."

Estava chovendo.

Estávamos a uns dezesseis quilômetros da cobertura.

"Aqui?", perguntei, minha voz mal um sussurro.

"O motorista volta para te buscar em uma hora", disse ele, abrindo a porta. O vento frio entrou, cortando minha pele. "Espere dentro do posto de guarda mais adiante. Preciso do carro."

Ele não estava me protegendo.

Ele estava indo até ela.

E não queria a filha da empregada no caminho.

Eu saí.

Meus saltos afundaram na lama.

A porta pesada bateu, selando-o dentro de seu mundo de poder e sangue.

A Mercedes arrancou, os pneus cantando contra o asfalto, me deixando parada na chuva congelante.

Observei as luzes traseiras desaparecerem até serem engolidas pela escuridão.

Sete anos.

Eu o alimentei quando ele não conseguia encontrar a própria boca.

Eu li para ele quando ele vivia em uma noite eterna.

Eu adorei um deus quebrado, e agora que ele estava inteiro, ele percebeu que eu não era divina o suficiente para o seu altar.

Eu não andei até o posto de guarda.

Fiquei ali, deixando a chuva encharcar minha blusa de seda, lavando o cheiro do perfume dele.

Tirei meu celular da bolsa.

Minhas mãos tremiam, mas minha mente estava cristalina.

Disquei um número que nunca ousei usar.

"Residência Vitiello", uma voz fria atendeu.

"Passe para a Dona Isabella", eu disse, encarando a estrada vazia. "Diga a ela que a filha da empregada está pronta para negociar seu acordo de rescisão."

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