Capa do romance ENCONTREI O AMOR

ENCONTREI O AMOR

9.1 / 10.0
Em ENCONTREI O AMOR, Catarina enfrenta o dilema de renunciar a Gustavo, seu melhor amigo e paixão secreta, para não ferir sua irmã. Nesta romance novel sobre escolhas difíceis e lealdade, ela busca um caminho para a felicidade. Leia livros online grátis e descubra o desfecho desta modern novel.
Resumo de ENCONTREI O AMOR
Na sequência de Procura-se um Amor, Catarina vive o dilema de amar seu melhor amigo, Gustavo. O conflito ganha contornos dramáticos quando ela percebe que ele é também a paixão de sua irmã, Cassandra. Disposta a priorizar o vínculo familiar, Catarina tenta sufocar seus sentimentos e manter apenas a amizade, enfrentando uma dor profunda. Resta saber se ela conseguirá suportar esse sacrifício ou se encontrará um meio de viver esse romance proibido.
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ENCONTREI O AMOR Capítulo 1

Olho em torno do bar as pessoas caminhando como se o dia fosse comum, como se nada estivesse acontecendo. Mas meu mundo parece estar desabando sobre a minha cabeça e me vejo sem ter pra onde ir. Cassandra é meu porto seguro desde sempre. Não sei pra quem correr, chorar no colo toda a minha dor e mesmo que calada, apenas ter alguém ali pra me segurar forte. Vejo um táxi parado em frente a uma loja e atravesso a rua correndo, para pegá-lo. Converso com o taxista e ele aceita a corrida, mesmo sem destino, sem rumo e apenas dirigir enquanto tento de alguma forma controlar tudo a minha volta.

Assim que coloco meu cinto ele sai com o carro e meus olhos se enchem de lágrimas, conforme o carro se afasta do bar. O que eu antes tentava controlar perde o controle e o choro explode dentro de mim, três vezes pior que a noite na praia, chorando pela minha mãe. Minha mãe! Queria tanto tê-la aqui comigo agora, seu colo acolhedor e sua mão afagando meu cabelo.

- Não posso dirigir sem rumo, precisa me dar um endereço.

O motorista diz com a voz calma e olho pra ele. Deve ter a idade do Valdir e parece preocupado comigo. Eu quero a minha mãe!

- Cemitério Municipal!

Seus olhos me analisam e depois se estreitam.

- Há essa hora ele deve estar fechado!

- Não me importa!

- Tem certeza?

Confirmo com a cabeça e ele apenas segue para o cemitério.

**************

O carro para em frente ao portão principal e pago a corrida.

- Quer que espere aqui?

Nego com a cabeça.

- Tem certeza?

- Não! Mas eu não sei quanto tempo vou demorar aqui, então pode ir.

- Vamos fazer assim!

Me olha com muito carinho.

- Vou ficar aqui até receber um chamado. Se sair e não me ver aqui, é porque tive que ir.

- Obrigada!

Solto meu cinto e saio do carro, fechando a porta. Caminho em frente ao grande portão principal e o vejo trancado. Na lateral tem um pequeno acesso aos velórios e se bem me lembro, as capelas são abertas e dão acesso aos túmulos. Se eu conseguir acesso a algum velório, terei acesso às ruas que ficam os túmulos. Vou para a lateral e vejo algumas pessoas chorando. Passo por elas de cabeça baixa e subo a pequena rampa para as capelas. As lembranças do dia do enterro da minha mãe vêm com tudo e a cada passo, parece que revivo aquele dia. Cassandra segurava minha mão com muita força e chorava intensamente. Seguíamos lado a lado rumo a capela 4, onde minha mãe estava pronta pra ser velada. O caminho todo eu parecia estar fora de mim, anestesiada, morta. Chego perto das capelas e vejo que usam duas agora à noite. Paro de andar ficando em frente à capela 4, completamente vazia.

Fecho meus olhos e o choro me consome, me inunda de dentro pra fora. Lembro da Cassandra soltar minha mão e correr pra dentro da capela, se jogando sobre o caixão. E me mantive parada pro lado de fora, sem coragem de entrar e ver que eu realmente havia perdido a minha mãe. Passei o velório todo do lado de fora, vendo as pessoas entrando e chorando sobre a minha mãe. Cassandra não se afastou nenhum minuto do caixão, se despedindo como podia. Abro meus olhos e viro em direção a rua que dá acesso ao túmulo da minha mãe. Não lembro nada sobre a numeração, sobre onde ela está enterrada, mas me lembro de contar tumulo por tumulo, até chegar ao dela. Então começo a contagem, até chegar no tumulo oitenta e três. Meu corpo todo treme e meus olhos focam na pequena placa.

" Deise Carvalho Dias

*Nascida em 22 de abril de 1965

✝Falecida em 28 de maio de 2002"

Olho a foto na lápide e vejo o quanto ela era jovem e parecida comigo. Me sento na beirada da calçada, em frente ao túmulo. Fico em silêncio sem saber o que dizer ou fazer. Fazem vinte anos que não volto aqui. Desde o dia que ela se foi para sempre. Ergo meus olhos e encaro as estrelas sobre mim.

- Não sei se pode me ouvir...

Um nó se forma em minha garganta.

- Mas eu queria começar pedindo perdão por tentar esquecer a sua morte, a sua partida desse mundo.

Abaixo minha cabeça e encaro meus dedos trêmulos.

- Nunca quis aceitar o fato de não tê-la mais como nossa referência, nosso mundo. Não teria mais seu colo quando o medo me consumia. Não teria seus beijos curando minhas feridas.

Um soluço alto escapa da minha boca.

- Está doendo tanto e você não está aqui para me abraçar e dizer que a dor vai passar.

Limpo meu rosto e olho mais uma vez a foto da minha mãe, vendo o quanto somos tão parecidas.

- Tenho que aprender a me ver linda, como eu te vejo. Aprender a me olhar no espelho e não sentir culpa por sermos tão parecidas. Somos idênticas por fora, mas a que possui o seu coração e sua essência é a Cassandra.

Abro um pequeno sorriso.

- Ficaria orgulhosa de como ela assumiu o papel super protetor comigo, como se fosse uma mãe.

As lágrimas voltam a inundar meu rosto.

- Deixou de viver a vida dela, seu grande amor, sua adolescência, sua vida adulta pra cuidar de mim.

Respiro fundo pra me acalmar.

- Acho que deve saber que nos apaixonamos pelo mesmo homem. Como não se apaixonar pelo Gustavo?

Ele me vem à mente e junto com ele um sorriso idiota.

- Mas chegou a hora da Cassandra ser feliz e eu cuidar dela. Que ela viva esse grande amor e que Deus tenha piedade de mim e arranque o Gustavo de dentro do meu peito.

Mordo meus lábios pra abafar o som do choro e fecho meus olhos.

- Se você puder de alguma forma intervir ou me ajudar, faça com que eu deixe de ama-lo. Por favor!

- Senhorita!

Me viro e vejo um homem, que segura uma lanterna.

- As visitas aos túmulos encerraram faz tempo. Apenas o acesso às capelas estão liberado.

- Desculpe, só precisava de ar.

Me levanto e limpo minha calça.

- Vou acompanha-la a sua capela.

- Obrigada!

Antes de ir embora, olho mais uma vez a lápide da minha mãe.

**************

Saio do cemitério e o taxista continua me esperando. Entro em seu carro e puxo o cinto, percebendo que me olha.

- Temos um destino?

Pergunta e confirmo com a minha cabeça.

- Quero a minha casa.

Passo o endereço e encosto minha testa no vidro frio da janela, vendo as pessoas passando enquanto o carro se move.

**************

Pago a corrida e agradeço ao homem gentil por ter me esperado. Saio do carro e procuro minhas chaves na bolsa. Assim que as encontro, pego a da porta e a abro. Giro a maçaneta e levo um susto ao ver o Gustavo sentado no sofá, encarando suas mãos. Sua cabeça se ergue e ele me olha. Deus, me dê forças para suportar vê-lo ao lado da Cassandra como meu cunhado. Fecho a porta e sem saber o que fazer decido ignora-lo e ir para o meu quarto.

- Catarina!

Me chama e paro de andar, mas não me viro.

- Acho que precisamos ter aquela conversa agora.

Meu coração bate tão rápido que parece querer sair do peito.

- Onde está a Cassandra?

- No quarto se trocando.

Respiro fundo umas seis vezes pra tentar ter coragem de olha-lo, mas não consigo.

- Conversamos outro dia, quero um banho e a minha cama.

Quando vou andar, Gustavo pergunta baixinho pra mim.

- É verdade que você se apaixonou por mim?

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