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Capa do romance Em plena Luz

Em plena Luz

Alma Serrano é a poderosa CEO da Seré, uma gigante da moda. Seu marido, o dedicado Tomás, abdicou de tudo para apoiá-la. Contudo, ele esconde uma identidade secreta: Leonel Duarte, o líder da rival Theia Corp. O que nasceu como uma missão de espionagem tornou-se amor real. Agora, enquanto Alma investiga quem é o misterioso rival que ameaça seu império, Leonel tenta proteger seu segredo. Conseguirá o casamento resistir a uma farsa tão profunda?
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Capítulo 3

Os primeiros dias na mansão foram um turbilhão de emoções contraditórias para Lía. Aquela casa, que antes ela só via em fotos, agora era sua nova realidade. As paredes de mármore, os corredores amplos, o ar limpo que preenchia a casa - tudo nela falava de riqueza, poder e de uma vida que ela havia sonhado por anos. Mas, no fundo, a sensação que tinha ao acordar todas as manhãs não era de satisfação, e sim de um desconforto inquietante. A mansão, com todos os seus luxos, não podia substituir o que ela realmente desejava: a liberdade de ser quem era, sem a constante pressão de interpretar um papel.

Na manhã em que sua nova vida começou, Lía se levantou cedo, como fazia todos os dias. Santiago já havia saído para cumprir seus compromissos de trabalho, mas sua presença na casa era inegável. Desde o escritório até os corredores decorados com fotos de família, tudo parecia falar dele, de sua história. Lía caminhou pelos corredores, admirando a decoração requintada da mansão, mas algo dentro dela permanecia vazio. Sentia que estava andando pela casa de outra pessoa, por um mundo que não lhe pertencia por completo.

Naquele primeiro dia na mansão, os funcionários já estavam cientes de sua chegada, e assim que ela cruzou a porta de entrada, foi recebida com sorrisos gentis e cumprimentos corteses. Não estava acostumada com tanto cuidado e atenção, mas aceitou com a mesma graça que lhe haviam ensinado desde pequena. A esposa perfeita precisava saber se comportar em todas as situações, e era isso que ela faria.

A casa era construída com uma majestade de tirar o fôlego. Ela passou a manhã explorando cada canto, enquanto sua mente tentava assimilar o que significava fazer parte daquela vida. Era surreal. A mansão, com seus jardins impecavelmente cuidados e sua arquitetura que evocava tempos passados de glória, parecia feita para alguém como ela. Mas, no fim, o que mais a perturbava não era a opulência, e sim a constante sensação de estar sendo observada, avaliada, medida a cada passo que dava. Era difícil acreditar que tudo aquilo era resultado de um acordo, e não de um destino.

O almoço foi a primeira ocasião em que encontrou novamente Santiago. Ele havia voltado ao meio-dia, e a refeição estava preparada com a mesma perfeição que marcava toda a mansão. Lía, a princípio, pensava que ele estaria ocupado demais para lhe dar atenção, mas logo percebeu que Santiago tinha uma presença tão imponente que parecia preencher cada espaço da casa. Embora seu trato com ela fosse cortês, havia algo em sua atitude que deixava claro que não havia interesse real em conhecê-la. Para ele, aquilo ainda era um negócio, algo que precisava ser cumprido para atender a uma necessidade.

- Como você está se sentindo? - ele perguntou, ao se sentar à mesa. Sua voz, embora suave, carregava uma nota de autoridade, como se sua posição na vida fosse tão sólida quanto o mobiliário ao seu redor.

Lía levantou os olhos do prato, surpresa com a pergunta. Estava acostumada a ser ignorada ou a ouvir perguntas superficiais, mas dessa vez foi diferente. Ainda assim, não havia calor em suas palavras, nem curiosidade genuína.

- Bem, eu acho - respondeu ela, escolhendo as palavras com cautela. Estava em uma mansão que teoricamente era sua, mas sua resposta era vazia, pois a sensação de estar perdida naquele espaço ainda persistia.

Santiago assentiu, aparentemente satisfeito com a resposta, e continuou comendo. Não houve mais palavras entre eles, apenas o som dos talheres e o sussurro suave dos funcionários que circulavam pela casa. Lía sabia que aquele silêncio se repetiria inúmeras vezes, que aquele casamento não traria conversas profundas nem momentos de cumplicidade. Ambos haviam assinado um contrato de conveniência, e era isso que estavam cumprindo - embora a tensão subjacente fosse impossível de ignorar.

À medida que os dias passavam, a rotina de Lía na mansão tornava-se mais definida. As manhãs eram dedicadas aos eventos sociais para os quais Santiago a convidava, a maioria dos quais pouco lhe interessava. Recepções, jantares, coquetéis - tudo parecia uma repetição constante do mesmo: pessoas ricas falando de negócios, política, viagens exóticas. Lía, embora se sentisse um pouco deslocada naquele mundo, sorria e mantinha uma postura perfeita, como lhe ensinaram desde a infância.

Mas todas as noites, ao retornar à mansão, a realidade se tornava mais difícil de ignorar. Os momentos de solidão em seu quarto enorme pareciam uma sentença. Ela se olhava no espelho e via a mulher perfeita, a esposa ideal, mas algo dentro de si começava a se quebrar. Não era a vida com a qual havia sonhado. Aquilo não era a liberdade que sempre desejou. A pressão de ser a esposa perfeita para um homem que mal conhecia a estava sufocando pouco a pouco. Às vezes, acordava no meio da noite com a mente cheia de perguntas sem resposta, sem saber se o caminho que escolhera era o certo ou se estava se perdendo em uma vida que nunca foi realmente sua.

Santiago, por sua vez, mantinha-se em seu papel: atento aos detalhes, porém distante. Embora estivesse mais presente em sua rotina do que havia estado na lua de mel, não demonstrava intenção de se abrir emocionalmente. Os dias passavam e ele seguia ocupado com o trabalho, com as exigências da sua posição. Cada vez que cruzava com Lía, o fazia com uma frieza calculada, ciente do que se esperava dele. Como sempre, Santiago permanecia no controle - mas algo começava a incomodá-lo: o fato de que, apesar de sua indiferença, não conseguia deixar de notar certos detalhes nela que o intrigavam.

Era uma mulher que, embora cuidadosamente moldada para ser a esposa perfeita, deixava escapar momentos de vulnerabilidade quando menos esperava. Cada vez que via seu olhar perdido ou o modo como ela se isolava em seu próprio mundo, sentia uma curiosidade insaciável. O que se escondia por trás daquela fachada perfeita? O que ela realmente pensava?

Numa tarde, depois de um longo dia de reuniões e compromissos sociais, Santiago voltou à mansão mais cedo do que o habitual. Não tinha planos de ir a nenhuma gala naquela noite, então decidiu descansar um pouco. Ao entrar na sala, viu Lía sentada em frente à lareira, com os olhos fixos no fogo, mas com uma expressão distante. Ela não parecia tão perfeita, tão impecável como de costume. Havia algo nela, algo que ele não conseguia ignorar. De longe, a viu suspirar e virar levemente a cabeça em direção à janela, como se desejasse fugir, embora não soubesse para onde.

Santiago se aproximou, em silêncio, até ficar de pé diante dela. A situação estava carregada de uma tensão estranha. Ele queria perguntar o que se passava em sua mente, o que ela sentia de verdade, mas conteve-se. A esposa perfeita não devia mostrar inseguranças, nem mesmo na intimidade de sua própria casa.

- Está tudo bem? - foi tudo o que conseguiu dizer.

Lía o olhou, surpresa com a pergunta. Por um momento, pensou que talvez Santiago tivesse notado algo nela, mas logo percebeu que seu interesse não era genuíno. Era apenas mais uma formalidade.

- Está tudo bem - respondeu ela, com um sorriso que não alcançava os olhos. Um sorriso que não enganava nem a ele, nem a si mesma.

Santiago não insistiu. Foi uma tentativa - uma que, ao que parecia, não conseguiu ultrapassar a barreira que ambos haviam construído entre si. Em sua mente, havia apenas uma constante: a mulher perfeita, aquela que esperavam que ela fosse, e a mulher real, que começava a emergir sob a superfície - com suas dúvidas, seus medos, seu cansaço.

Lía, por sua vez, sentiu o peso da própria resposta. Talvez estivesse bem naquele momento, mas algo dentro dela começava a ceder. Estava presa entre o que devia ser e o que realmente desejava. E não sabia por quanto tempo mais conseguiria sustentar aquela fachada.

A pressão de ser a esposa perfeita não fazia senão crescer.

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