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Capa do romance Em plena Luz

Em plena Luz

Alma Serrano é a poderosa CEO da Seré, uma gigante da moda. Seu marido, o dedicado Tomás, abdicou de tudo para apoiá-la. Contudo, ele esconde uma identidade secreta: Leonel Duarte, o líder da rival Theia Corp. O que nasceu como uma missão de espionagem tornou-se amor real. Agora, enquanto Alma investiga quem é o misterioso rival que ameaça seu império, Leonel tenta proteger seu segredo. Conseguirá o casamento resistir a uma farsa tão profunda?
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Capítulo 1

Lía olhava para o contrato à sua frente com a mesma determinação com que havia enfrentado cada passo importante da sua vida. A luz suave do entardecer iluminava o cômodo, criando uma atmosfera acolhedora no escritório de Santiago, mas não era o brilho do sol que a mantinha focada. Era a promessa de estabilidade, de poder, de finalmente pertencer a um mundo que sempre observara de longe. Uma assinatura, pensou, e seu futuro estaria garantido.

O contrato não era uma simples formalidade. Era a porta de entrada para uma nova vida e, ao mesmo tempo, uma corrente invisível que a prenderia a uma existência que nunca havia imaginado, mas que agora não podia rejeitar. Ela havia trabalhado duro demais para chegar até ali, jogado todas as cartas para construir uma vida melhor, e agora que a oportunidade estava diante dela, não podia falhar.

A caneta descansava em sua mão como uma ferramenta de mudança. Tão simples e tão definitiva. Cada letra escrita seria uma decisão irrevogável, mas ela sabia que não podia hesitar. Se quisesse ascender à alta sociedade, se quisesse o poder, o dinheiro, a vida que tanto desejava, aquele era o preço.

Lía levantou os olhos e viu Santiago de pé à sua frente. Ele, como sempre, estava impecável, vestido com um terno escuro que realçava sua elegância. Nada em seu rosto indicava que aquela era uma decisão difícil para ele. Santiago havia feito da cautela sua bandeira, e naquele momento, seu olhar fixo nela não revelava nada. Nada que ela não pudesse interpretar como uma promessa do que ambos esperavam obter com aquele acordo.

- Tem certeza disso? - ele perguntou, com a voz baixa e tranquila, como se já soubesse a resposta. A pergunta ficou no ar, mas não havia necessidade de confirmação.

Lía não respondeu imediatamente. Seus olhos percorriam a linha da assinatura na parte inferior do contrato, aquelas palavras que pareciam pequenas, mas que representavam a base de tudo o que ela queria construir. Um contrato que não apenas lhe oferecia um lugar na elite, mas também segurança e tranquilidade em todos os aspectos da sua vida. Em troca de um compromisso que, embora formal, não precisava ser profundo nem emocional.

Era um acordo de conveniência. Ambos sabiam disso.

Santiago, com a paciência que lhe era característica, deu um passo em direção a ela. Seus movimentos eram sempre controlados, sem espaço para improviso. Observou o contrato por um momento e depois voltou a encará-la, seus olhos escuros refletindo a calma com que parecia lidar com todas as situações.

- O que fizer depois disso não é problema meu, Lía. Apenas certifique-se de que tudo siga conforme o planejado. Nós... não precisamos complicar. - disse, mantendo uma postura firme, mas ao mesmo tempo distante.

Lía sentiu-se tentada a responder, mas em vez disso, apenas assentiu lentamente, convencida de que tudo o que ele dizia era verdade. Não precisavam complicar. Haviam chegado a um acordo mútuo, e enquanto cumprissem suas partes, tudo ficaria bem. Não havia espaço para emoções naquele trato. Era apenas uma questão de desempenhar um papel, de fazer o que se esperava deles. E se conseguissem fazer isso, ambos sairiam ganhando.

- Entendo perfeitamente, Santiago. Não estou em busca de amor, nem de complicações - disse, com a voz firme. Embora sentisse uma leve pressão no peito, o medo não era suficiente para detê-la. Ela não podia recuar agora.

Santiago observou suas mãos enquanto ela pegava a caneta. Sua atitude não havia mudado, e o silêncio entre eles era confortável, quase ritualístico. Assim como ela, ele havia compreendido que sua vida seguiria de forma previsível, sem surpresas. E era isso o que ambos queriam: estabilidade, uma vida tranquila, mas sem sobressaltos.

- Então, vamos assinar o contrato. - A ordem de Santiago foi tão clara e direta quanto todas as suas palavras. Lía não hesitou. Pegou a caneta, mergulhou-a na tinta e assinou com uma caligrafia clara, sem vacilar. O som da caneta rasgando o papel foi o único indicativo de que algo importante estava acontecendo.

Quando a tinta secou, Lía voltou a olhar para Santiago. Pela primeira vez durante toda a reunião, permitiu-se um leve sorriso. Era um sorriso frio, calculado, mas também libertador. Finalmente havia conseguido o que tanto desejava: acesso a um mundo que sempre sonhara. A alta sociedade, uma vida sem preocupações, o poder que vinha com o sobrenome de um homem importante. Não precisaria mais se preocupar com o futuro, pensou.

- Bem-vinda à sua nova vida, senhora de García. - A voz de Santiago rompeu o silêncio, mas não era uma frase cheia de emoção ou romantismo. Apenas uma declaração formal. Lía assentiu, já acostumada com aquela distância, com a falta de emoção no tom dele.

- Obrigada, senhor García. - respondeu automaticamente, sem deixar que suas palavras soassem muito emocionadas. Ela estava perfeitamente ciente de que não era uma mulher que se deixava levar por sentimentos desnecessários. Restava-lhe apenas cumprir seu papel e esperar que tudo saísse como planejado.

O acordo estava feito, mas os sentimentos de ambos continuavam sendo um mistério. Lía não conseguia evitar um leve desconforto ao pensar no futuro, mas sabia que nada poderia mudá-lo. Aquele casamento seria apenas uma fachada, uma forma de entrar no círculo fechado que sempre desejara. Nenhum dos dois esperava que as coisas fossem além de um simples acordo. No fundo, ela sabia que nunca chegaria a se apaixonar por Santiago. Ele era um homem demasiado distante, demasiado calculista. E ela mesma tinha seus próprios objetivos, seus próprios medos que preferia não enfrentar.

Santiago deu um passo para trás, como se a assinatura não tivesse mudado nada em sua vida. Apenas mais um trâmite. Mais um item na longa lista de coisas que precisava fazer para garantir seu futuro. Seu olhar permanecia o mesmo, frio e distante, mas com um toque de respeito que Lía não pôde ignorar. Não era um respeito por ela como pessoa, mas pela imagem que ele sabia que ela representava. A esposa perfeita. O acessório adequado para sua vida pública.

Ambos sabiam que o que havia sido assinado não passava de uma fachada. Um contrato legal, uma promessa vazia de emoções, mas cheia de benefícios para os dois. Lía teria o que sempre sonhara: pertencer àquele mundo de luxo e elegância. Santiago, por sua vez, manteria sua imagem intacta e garantiria que não fosse visto como um homem solitário, como alguém que não conseguiu formar uma família.

Ambos sabiam o que esperavam um do outro. Nenhum esperava mais. E, no entanto, no fundo, havia algo começando a crescer. Um pequeno fio invisível que os ligava, algo que nem eles sabiam como lidar ainda.

Lía guardou a caneta com delicadeza, olhando o contrato mais uma vez. O silêncio voltou a preencher o cômodo, mas dessa vez, o peso da decisão parecia mais denso do que nunca.

Santiago quebrou o silêncio, como sempre, com calma.

- Nos vemos no baile de amanhã. - disse. Era um convite, mas também uma instrução. Como se já estivesse preparado para assumir o papel de marido, embora ainda não o sentisse de fato.

Lía assentiu, sorrindo levemente, embora sua mente estivesse a mil. Amanhã seria mais um passo. Um passo em direção ao mundo que sempre desejou. E, ainda assim, não conseguia deixar de se perguntar se o futuro que havia planejado realmente seria tão simples quanto imaginava.

- Até amanhã, Santiago. - respondeu. E, embora suas palavras fossem corteses, sua mente estava longe. Ela sabia que o acordo era apenas o começo. E, mesmo que seus corações não estivessem envolvidos, algo começava a se formar entre eles. Algo que nenhum dos dois havia previsto.

Com essa última palavra, ambos saíram da sala. A mansão de Santiago, tão grande e fria, parecia tão vazia de emoções quanto os próprios corações deles. Mas o acordo estava feito, e agora restava apenas cumpri-lo.

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