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Capa do romance Ele Salvou Sua Amante, Não Sua Esposa

Ele Salvou Sua Amante, Não Sua Esposa

Elena, médica e esposa de Dante, subchefe da máfia, fica presa sob escombros com a perna esmagada. Grávida em segredo, ela implora por ajuda, mas Dante a abandona para socorrer Sofia, sua amante, que sofreu apenas um arranhão. Deixada para morrer, Elena perde o bebê e decide sumir. Após três dias, ela foge para uma zona de guerra no Sudão, abandonando o marido cruel. Quando Dante nota o vazio em sua vida, Elena já está bem longe e sem intenção de voltar.
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Capítulo 1

Fui soterrada por uma estante de jacarandá maciço, minha perna esmigalhada, poeira enchendo meus pulmões.

Meu marido, Dante, o subchefe do Comando de São Paulo, finalmente me encontrou. Mas no exato momento em que ele ergueu a viga pesada para me libertar, seu fone de ouvido crepitou.

Eram notícias sobre Sofia, sua amiga de infância e a mulher que ele realmente amava.

"Ela arranhou o braço na porta do carro, Chefe. Está hiperventilando. Não quer embarcar no jatinho sem você."

Dante congelou. Ele olhou para mim, sangrando no chão, secretamente grávida de dez semanas de seu filho. Depois, olhou para a porta.

"É só uma perna quebrada, Elena", ele disse com uma frieza cortante, baixando lentamente o peso esmagador de volta sobre mim.

"Você é médica. Sabe que não é fatal. Sofia precisa de mim."

Ele correu para consolar uma mulher com um cortezinho de papel, deixando sua esposa e seu filho por nascer para serem enterrados vivos nos escombros.

Eu abortei sozinha no escuro, traçando o número de um advogado de divórcio no assoalho com meu próprio sangue.

Três dias depois, enquanto ele descascava uvas para Sofia em uma suíte VIP do Hospital Sírio-Libanês, eu peguei meu diploma de medicina e uma única mala de academia.

Não fui para um hotel. Embarquei em um avião de carga da ONU para uma zona de guerra no Sudão do Sul.

Quando o Príncipe de Gelo percebeu que seu castelo estava vazio, eu já estava a milhares de quilômetros de distância, e não voltaria mais.

Capítulo 1

Eu fiquei em silêncio e observei meu marido, o subchefe do Comando de São Paulo, assinar o documento que efetivamente condenava meu irmão a apodrecer no porão de uma facção rival.

Sem hesitar, ele se virou para mim e perguntou se eu estava usando o batom vermelho que ele gostava.

Cinco anos.

É há quanto tempo eu sou Elena Carvalho.

Antes disso, eu era a Dra. Elena Vitti, uma cirurgiã de trauma com mãos firmes e um coração que batia para salvar vidas.

Agora, sou um ornamento.

Uma oferenda de paz trocada por uma família falida para os Carvalho para quitar uma dívida de jogo que não era minha.

Dante Carvalho estava parado junto à janela panorâmica de seu escritório no topo de um arranha-céus na Faria Lima.

Ele é um homem esculpido em mármore e pesadelos.

Eles o chamam de Príncipe de Gelo.

Ele usa ternos de três peças feitos sob medida por Ricardo Almeida, que custam mais do que a mensalidade da minha faculdade de medicina, e mata com a mesma indiferença com que verifica sua carteira de ações.

"Dante", eu disse.

Minha voz estava firme, embora minhas mãos tremessem por trás da seda do meu vestido de noite.

"Luca está na zona neutra. A informação diz que a facção do Rio o pegou. Você tem soldados a cinco quilômetros de distância."

Dante não se virou.

Ele estava ajustando meticulosamente suas abotoaduras.

"A Cúpula é hoje à noite, Elena. Temos uma trégua com a facção do Rio. Se eu enviar homens para a zona, a trégua acaba. A guerra recomeça."

"Ele é meu irmão", sussurrei, o apelo preso na minha garganta.

"Ele é um soldado de baixo escalão que foi aonde não deveria ir", disse Dante, sua voz desprovida de emoção.

Ele finalmente se virou para me olhar.

Seus olhos eram como o cano de uma arma.

Frios.

Vazios.

"O Código vem em primeiro lugar. A Família vem em primeiro lugar. Você sabe disso."

"Eu sou sua família", eu disse.

"Você é minha esposa", ele corrigiu bruscamente. "Há uma diferença."

Ele caminhou até mim.

Não me tocou.

Ele me inspecionou.

"Esse vestido", disse ele, gesticulando para a seda esmeralda que abraçava minhas curvas. "O decote é muito baixo. Distrai da mensagem de austeridade que estamos tentando projetar esta noite. Vá se trocar."

Senti o ar sair dos meus pulmões.

"Meu irmão vai morrer esta noite."

"Luca conhecia os riscos desta vida", disse Dante, verificando o relógio com indiferença praticada. "O carro está esperando. Não me faça esperar, Elena. Pontualidade é uma virtude."

Ele saiu.

Eu fiquei ali, congelada.

Eu sou cirurgiã.

Sei como estancar uma hemorragia.

Mas não sabia como estancar a hemorragia da minha própria dignidade.

Uma hora depois, penhorei a pulseira de esmeraldas da minha mãe.

Contratei mercenários particulares.

Eles foram lentos demais.

Quando cruzaram a fronteira, Luca estava morto.

Infecção.

Tortura.

Ele morreu sozinho na terra enquanto eu sorria em uma festa de gala, segurando uma taça de champanhe que tinha gosto de bile.

Descobri por uma mensagem de texto do capitão dos mercenários.

Alvo falecido. Devolvendo o sinal.

Eu estava ao lado de Dante no círculo VIP quando li.

Eu soltei um som.

Um ruído pequeno e quebrado que escapou da minha garganta antes que eu pudesse impedi-lo.

Dante olhou para mim, irritado.

"Controle-se", ele murmurou, o maxilar tenso. "O Conselho está observando."

Então o celular dele vibrou.

Seu rosto, geralmente uma máscara de pedra, se despedaçou.

Pânico.

Pânico puro e aterrorizado.

Eu nunca tinha visto essa expressão nele.

"O que foi?", perguntei, pensando que talvez estivéssemos sob ataque.

"É a Sofia", disse ele. Sua voz falhou.

"Ela desmaiou enquanto fazia uma reportagem sobre a fome no sertão da Bahia. Está no hospital."

Sofia Rizzo.

A protegida.

A filha do homem que morreu salvando o pai de Dante.

A mulher que usa a carta da fragilidade como uma profissional de pôquer.

"Ela desmaiou?", perguntei, incrédula. "Luca está morto, Dante. Meu irmão está morto."

Ele não me ouviu.

Já estava gritando ordens em seu fone de ouvido.

"Prepare o jato. Chame o Dr. Rossi. Estou indo pessoalmente."

Ele me deixou.

Ele deixou a festa de gala.

Ele deixou a Cúpula de Paz pela qual sacrificou meu irmão.

Eu o vi correr.

Eu vi o Príncipe de Gelo derreter por uma mulher que não era sua esposa.

Dirigi até o aeroporto particular.

Fiquei na pista, o vento chicoteando meu cabelo no rosto como um açoite.

Observei Dante carregar Sofia para fora do jato.

Ela parecia bem.

Estava agarrada ao pescoço dele, enterrando o rosto na lapela de seu terno caro.

"Eu estava com tanto medo, Dante", ela choramingou.

"Eu te peguei", disse ele, a voz terna. "Eu te peguei, pequena. Vou te levar para o refúgio. Você precisa descansar."

Ele passou por mim.

Nem sequer me viu.

Eu era invisível.

Eu era um fantasma em meu próprio casamento.

Olhei para o número de rastreamento dos papéis do divórcio que eu havia escondido no porta-luvas por seis meses.

Peguei meu celular.

Disquei o número dos Médicos Sem Fronteiras.

"Aqui é a Dra. Vitti", eu disse, usando meu nome de solteira pela primeira vez em cinco anos. "Estou disponível para uma missão."

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