
Ele roubou meu útero, perdeu tudo
Capítulo 3
Ignorei os sussurros frenéticos e os suspiros chocados da equipe enquanto subia a escada. As opiniões deles eram irrelevantes. Eram peças em um tabuleiro que eu estava prestes a virar.
Eu estava em nosso quarto, olhando para as luzes da cidade, quando Caio finalmente entrou. Já passava da meia-noite. Ele se moveu silenciosamente, um predador em sua própria casa, e envolveu seus braços ao meu redor por trás, enterrando o rosto no meu pescoço.
"Senti sua falta", ele murmurou, a voz um ronronar baixo.
Fechei meu celular, desligando a tela que exibia um arquivo de vídeo nítido e claro que acabara de ser enviado por um investigador particular. O arquivo estava rotulado: Caio & Camila. O Escritório. Esta Noite.
"O que é essa história de você querer queimar seu vestido de noiva?" ele perguntou, o tom leve, provocador.
Não me virei. Mantive meu olhar fixo no fluxo interminável de faróis lá embaixo.
"Estava sujo", eu disse, as palavras secas. "Algo o... contaminou."
Ele ficou imóvel. Pude sentir a mudança nele, a tensão súbita em seus braços. Ele era um mestre em ler pessoas, e sabia que algo estava errado.
"Elisa, meu bem, o que foi? Você está tendo dúvidas?" Ele me virou para encará-lo, suas mãos segurando meu rosto. "Não fique nervosa. Somos só você e eu."
Ele se inclinou para me beijar.
A imagem dele beijando Camila, de suas mãos no corpo dela, brilhou em minha mente. O cheiro do perfume dela, uma fragrância enjoativa e doentia que eu agora reconhecia, agarrava-se ao seu terno caro. Era fraco, quase imperceptível, mas para meus sentidos aguçados, era como uma agressão física.
Uma onda de náusea tão poderosa que dobrou meus joelhos me atingiu.
Engasguei, um som seco e arquejante.
Eu o empurrei, cambaleando para trás.
"Não me toque", ofeguei, as palavras com gosto de bile.
Outro espasmo violento sacudiu meu corpo. Tapei a boca com a mão e corri para o banheiro da suíte, mal conseguindo chegar ao vaso sanitário antes que meu corpo expelisse violentamente o conteúdo do meu estômago. Vomitei e solucei, meu corpo tremendo, até não restar nada além de um vazio cru e ardente.
Quando finalmente saí, fraca e trêmula, a cena do quarto havia se transformado. Caio não estava mais sozinho. A governanta e uma dúzia de outros empregados estavam em fila, com as cabeças baixas, os rostos pálidos de medo.
Caio estava recostado em uma poltrona, polindo calmamente um abridor de cartas de prata com um lenço de seda. Seu rosto, no entanto, estava tudo menos calmo. Era uma nuvem de tempestade de fúria controlada.
"Então", ele começou, a voz perigosamente suave. "Nenhum de vocês pensou em verificar sua patroa? Nenhum de vocês notou que ela não estava bem?"
A casa dos Alexandre funcionava com base no medo. Caio pagava salários exorbitantes à sua equipe, mas o preço por qualquer erro, por menor que fosse, era severo. Um único deslize poderia significar demissão instantânea, lista negra e, em alguns casos, uma viagem a uma discreta "instalação correcional" da qual as pessoas voltavam... mudadas.
"Senhor", a governanta, uma mulher que estava com ele há uma década, gaguejou. "Nós... estávamos preocupados com... a situação do vestido. A saúde da senhorita Paes é nossa maior prioridade, o senhor sabe disso."
A mão de Caio disparou, agarrando a governanta pelos cabelos e puxando-a para frente. Ele pressionou a ponta do abridor de cartas em sua bochecha.
"Não minta para mim", ele sibilou.
Ele não precisou fazer mais nada. Dois de seus guarda-costas pessoais se materializaram das sombras, agarraram a mulher que gritava e a arrastaram para fora do quarto. A pesada porta de carvalho se fechou, cortando seus apelos.
Um silêncio sufocante desceu. Ninguém ousava respirar.
"Parece que todos vocês precisam de um lembrete de seus deveres", disse Caio, seu olhar varrendo a equipe restante. "Talvez um mês de salário descontado para todos? Ou algo mais... memorável?"
"Caio, pare", eu disse. Minha voz estava fraca, mas cortou o silêncio.
Ele estava ao meu lado instantaneamente, sua expressão mudando de fúria fria para preocupação terna tão rapidamente que me deu vertigem. A performance era impecável.
"Meu amor", ele sussurrou, puxando-me para um abraço do qual eu não conseguia escapar. "Você vê como eles a negligenciam? Não posso permitir." Ele virou a cabeça para a equipe aterrorizada. "Sua patroa intercedeu em seu favor. Vocês estão poupados... por enquanto. Saiam."
Eles saíram correndo do quarto como se o próprio diabo estivesse em seus calcanhares.
Na manhã seguinte, todos os empregados da mansão haviam sido substituídos.
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