
Ele Me Trocou Por Ela: Minha Nova Vida Sem Você
Capítulo 3
Nos dias seguintes, a minha dor transformou-se numa frieza cortante. Hugo parecia perturbado com a minha indiferença, mas não o suficiente para perguntar o que se passava. A sua mente estava sempre noutro lugar. Com Vanessa.
Chegou o dia do grande festival de vinhos do Douro, um evento crucial para a família Gordon. Hugo esperava que eu ficasse em casa, como uma esposa dócil e invisível.
"Eu vou contigo," anunciei, para sua surpresa.
Ele olhou para mim, confuso com a minha súbita assertividade.
"Juliette, não é necessário. Será um dia longo e aborrecido."
"Eu insisto," disse eu, a minha voz firme. "Sou tua esposa, afinal. Pelo menos por mais alguns dias."
Ele cedeu, contrariado.
No festival, o ar estava carregado de aromas de vinho e conversas de negócios. Vanessa estava lá, claro, agarrada ao braço de Hugo como se fosse a verdadeira senhora Gordon. Ele apresentava-a aos investidores, sorria para ela, sussurrava-lhe ao ouvido. Eu era uma sombra ao lado deles, completamente ignorada.
A humilhação era pública, palpável. Todos viam a dinâmica. A poderosa madrasta e o herdeiro devoto. E a jovem fadista, uma peça estranha no puzzle.
A certa altura, um grupo de investidores estrangeiros tornou-se demasiado insistente com Vanessa, os seus olhares cobiçosos e as suas mãos atrevidas. A raiva brilhou nos olhos de Hugo. Ele, que se orgulhava da sua abstinência e autocontrolo, pegou numa garrafa de vinho do Porto e bebeu diretamente dela, desafiando os homens.
"Deixem-na em paz," rosnou ele, a sua imagem de homem de negócios austero a estilhaçar-se.
Na confusão que se seguiu, enquanto Hugo se apressava para proteger Vanessa, o seu braço empurrou-me com força. Perdi o equilíbrio e caí, o meu pulso a torcer-se dolorosamente contra o chão de pedra.
Uma dor aguda subiu pelo meu braço. Hugo nem sequer olhou para trás. Os seus olhos estavam fixos em Vanessa, garantindo que ela estava segura. Ele afastou-a da multidão, a sua mão protetora nas costas dela, deixando-me no chão, ferida e invisível.
Levantei-me lentamente, o meu pulso a latejar. Olhei para eles à distância. Ele a acalmá-la, ela a encostar a cabeça ao ombro dele. Naquele momento, a futilidade do meu amor atingiu-me com a força de um golpe físico. Eu tinha sacrificado a minha dignidade, a minha família, o meu fado, por um homem que me empurraria para o chão para proteger outra mulher.
Mais tarde naquela noite, de volta a casa, sozinha, com o pulso inchado envolto em gelo, tomei uma decisão. A frieza que sentia não era apenas dor, era raiva. Uma raiva fria e calculista.
Peguei no meu telemóvel e fiz uma chamada anónima para as autoridades fiscais. Dei-lhes o nome de Vanessa Gordon e sugeri que investigassem as suas "atividades suspeitas" e as suas fontes de rendimento pouco claras. Se eu ia cair, não ia cair sozinha.
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