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Capa do romance Ele Escolheu o Cachorro; Eu Escolhi o Império

Ele Escolheu o Cachorro; Eu Escolhi o Império

Traída por Bernardo, Elisa foi exilada após ter sua carreira sabotada. Durante três anos, ele roubou suas fórmulas para favorecer Carla, sua irmã de criação. Em um desabamento, Bernardo escolheu salvar o cão de Carla, abandonando Elisa para morrer sob escombros. Sobrevivente e resgatada por sua família biológica, ela assume uma nova identidade na Suíça. Agora, como uma poderosa magnata, ela planeja destruir o império daqueles que a destruíram no passado.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Elisa

O táxi esperava, seu brilho amarelo refletido no vidro escuro da cobertura. Minha mente, ainda abalada pela confissão na rua, se viu atraída para o mundo digital. Peguei meu celular, meus dedos desajeitados enquanto navegava para as redes sociais de Carla Medeiros. Lá estava: uma cascata de postagens triunfantes. Legendas entusiasmadas sobre seu último prêmio, fotos de festas glamorosas e uma variedade estonteante de mensagens de parabéns. Cada imagem, cada palavra efusiva, era uma nova ferida.

Minha visão embaçou com uma raiva súbita e quente. Digitei o antigo código de acesso ao prédio da cobertura, aquele que eu compartilhava com Bernardo, aquele que representava uma data que não tinha mais nenhum significado. Era um aniversário, um dia que um dia marcamos com promessas e sussurros de para sempre. Meus dedos hesitaram por um momento, depois pressionaram o último dígito. Um clique suave. As pesadas portas de vidro se abriram. Alívio, frio e fugaz, me inundou, imediatamente substituído por um desconforto mais profundo. Este era um lugar de fantasmas e mentiras.

O elevador subiu, um rastejar lento e agonizante. Quando as portas se abriram, o corredor da cobertura se estendeu diante de mim, familiar, mas estranho. O cheiro familiar da minha própria casa, as notas sutis do meu purificador de ar personalizado de cedro e bergamota, havia sumido. Substituído por algo abertamente floral, enjoativo, como uma imitação barata da primavera. Carla. Tinha que ser Carla.

Cada passo para dentro do apartamento era uma invasão. A arte que antes adornava nossas paredes, peças que Bernardo e eu escolhemos cuidadosamente juntos, foi substituída por telas abstratas e berrantes que eu nunca tinha visto. Os móveis de pelúcia em tons neutros sumiram, trocados por peças elegantes e modernas que gritavam "showroom de designer", desprovidas de qualquer calor ou história. Esta não era minha casa. Era um palco, montado para outra pessoa.

Caminhei em direção ao que costumava ser nosso quarto, o pavor se enrolando em meu estômago. O cheiro floral enjoativo ficou mais forte, quase insuportável. Era a fragrância assinatura de Carla, "Flor do Deserto". Meu perfume. Torcido, reembalado e borrifado liberalmente por todo o meu santuário. Era uma invasão, uma profanação.

Meu olhar caiu sobre a mesa de cabeceira. Um lenço de seda, do tipo que Carla preferia, estava jogado descuidadamente sobre uma pilha de revistas. Ao lado, um copo de vinho meio vazio, duas marcas de batom claramente visíveis. Uma, um carmesim profundo. A outra, a marca mais fraca da mancha rosa-pálido característica de Bernardo. Meu estômago revirou, a bile subindo pela minha garganta.

Então eu vi. Escondida sob o lenço, uma pequena fotografia emoldurada em prata. Carla, com a cabeça apoiada no ombro de Bernardo, ambos radiantes, seus dedos entrelaçados. Não era uma foto recente. Era antiga, desbotada, uma relíquia de um tempo antes de mim, antes do "Flor Etérea". Um tempo em que a conexão deles já estava estabelecida, profunda e insidiosa. A visão me atingiu com a força de um golpe físico. A traição não era nova. Era um alicerce.

Uma onda de náusea, aguda e debilitante, me varreu. Minhas pernas cederam. Caí no chão, minhas mãos agarrando meu peito, tentando acalmar as batidas frenéticas do meu coração. O ar parecia denso, sufocante. Minha casa, meu amor, minha vida — tudo era uma mentira, construída sobre uma fundação podre de engano. Tentei engolir, mas minha garganta estava áspera, contraída.

Fechei os olhos com força, uma tentativa desesperada de apagar a imagem, a dor. Mas era tarde demais. A represa se rompeu. Um soluço gutural rasgou minha garganta, cru e agonizante. Meu corpo tremia incontrolavelmente, lágrimas escorrendo pelo meu rosto, quentes e intermináveis. Os soluços eram silenciosos, desesperados, nascidos de uma dor tão profunda que parecia que minha própria alma estava sendo retalhada. Esta casa não era mais um santuário; era um mausoléu de sonhos desfeitos.

De repente, ouvi vozes do andar de baixo. Risadas. A risada profunda de Bernardo, seguida pela risadinha aguda de Carla. Eles estavam aqui. Meus traidores, se deleitando em sua felicidade roubada, em minha vida roubada. Meu coração saltou para a garganta, uma onda primal de medo. Então, uma determinação fria e dura se cristalizou em meu peito. Limpei o rosto, respirei fundo e me levantei. Eu não me acovardaria. Não mais.

Desci a grande escadaria, cada passo um ato deliberado de desafio. Minhas mãos estavam cerradas em punhos, meus nós dos dedos brancos. Bernardo e Carla estavam na sala de estar, uma imagem de felicidade doméstica, seus braços entrelaçados casualmente. Eles se viraram, seus sorrisos congelando ao me verem.

"Elisa?" A voz de Bernardo era afiada, um fio tenso de irritação entrelaçado na surpresa. "O que você está fazendo aqui?"

"O que eu estou fazendo aqui?" Minha voz era um rosnado baixo e perigoso, quase irreconhecível para meus próprios ouvidos. "Bernardo, quem é essa mulher? E por que ela está morando na nossa casa?"

Ele franziu a testa, um lampejo de irritação cruzando seu rosto. "Carla está ficando aqui por um tempo. Ela acabou de se mudar para a cidade. O apartamento dela ainda não está pronto." Ele acenou com uma mão desdenhosa em direção a Carla. "Carla, Elisa. Elisa, Carla. Vocês duas se conhecem."

Carla deu um passo à frente, seus olhos brilhando com uma satisfação maliciosa. "Ah, Elisa, não é nada disso. Bernardo está sendo tão gentil, me deixando ficar aqui até minha nova cobertura ficar pronta." Ela piscou para Bernardo, uma performance que eu vi inúmeras vezes em nosso orfanato.

"Gentil?" Minha risada foi áspera, beirando a histeria. "Bernardo, ela está usando meu perfume. Ela está dormindo na minha cama. Ela tem enviado minhas fórmulas para você por três anos, tudo enquanto você me mantinha trancada em Petrópolis, pensando que estava me protegendo!" Minha voz falhou, crua de emoção. "Você me disse que me amava! Você me pediu em casamento!"

O rosto de Bernardo endureceu. "Elisa, você está sendo irracional. Exaltada. Carla é uma amiga, uma colega. Você passou por muita coisa. Você está imaginando coisas." Suas palavras foram como um banho frio, projetadas para apagar meu fogo, para me fazer duvidar da minha própria sanidade.

A manipulação era uma tática familiar, uma que ele usou inúmeras vezes nos últimos três anos, minando meu senso de realidade. Mas não mais. Não depois do que eu ouvi. O homem parado diante de mim era um estranho, um monstro usando o rosto do meu amado. Ele era frio. Impiedoso. Totalmente sem remorso.

"Preciso ir embora", sussurrei, virando-me para a porta, o ar nesta casa de repente fino demais para respirar. Eu não podia ficar aqui mais um segundo.

"Elisa." Sua voz, embora baixa, era afiada, comandante. Me parou no lugar. Foi um reflexo, uma obediência arraigada de anos de isolamento e dependência fabricada. Virei-me lentamente, meu coração batendo contra minhas costelas. O que mais ele poderia querer?

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