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Capa do romance Ele assassinou meu pai por ela

Ele assassinou meu pai por ela

Arthur abandonou-me no altar 98 vezes por Katarina, a mulher que ele realmente amava. Eu o via como meu salvador, sem saber que ele planejou a morte do meu pai para roubar seu fígado para ela. Após tentar me assassinar para satisfazer o ciúme da amante, ele me jogou de um penhasco. Sobrevivi, mudei de identidade e me tornei uma cientista espacial renomada. Quatro anos depois, retorno da missão para executar minha vingança definitiva contra os dois.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Alina Campos:

"Você é minha, Katarina."

As palavras pairaram no ar.

Um eco arrepiante que ressoou fundo nos meus ossos.

Katarina, com a voz tingida de falsa inocência, o pressionou ainda mais.

"Ah, é mesmo, Arthur?"

"Você ao menos sabe o que é amor?"

"Ou é apenas posse para você?"

Então, um som áspero e inegável.

Um gemido abafado, seguido pelo baque inconfundível de um corpo contra a parede.

O beijo fervoroso e desesperado de Arthur.

E então, os sons de intimidade, a prova inegável de sua conexão doentia, de sua profunda traição.

Meu mundo se estilhaçou em um milhão de pedaços irreparáveis.

Meu pai.

Meu heróico e gentil pai.

Assassinado.

Orquestrado pelo homem que eu amava, para salvar a mulher que ele realmente amava.

A ironia era um gosto amargo na minha boca, queimando minha garganta.

Cada momento terno, cada olhar amoroso, cada promessa sussurrada de Arthur era agora um dardo venenoso, perfurando meu coração.

As memórias que antes me traziam conforto agora se torciam em imagens grotescas de manipulação e engano.

Eu cambaleei para trás.

Minhas mãos voaram para a minha boca, abafando o soluço estrangulado que ameaçava escapar.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto.

Quentes e furiosas.

Embaçando minha visão.

Meu peito doía.

Não de traição, mas de um vazio profundo e aterrorizante.

Arthur.

Este monstro era Arthur.

Recuei entorpecida para o meu quarto, os sons do escritório um latejar surdo na minha cabeça.

Meu reflexo no espelho mostrava uma estranha.

Bochechas manchadas de lágrimas.

Olhos inchados.

Um vazio assombrado em sua profundidade.

Ao meu redor, como resquícios fantasmagóricos de uma vida que nunca seria, pendiam os vestidos de noiva.

Noventa e nove deles.

Cada um um testamento da minha esperança tola.

Minha fé cega.

Minha humilhação absoluta.

Passei a mão sobre a seda cintilante do último vestido.

Uma confecção ridícula de renda e pérolas.

Ele o comprou ontem, prometendo que este seria "o tal".

"É ainda mais perfeito que o último, Alina", ele disse.

Sua voz pingando afeto.

"Assim como o nosso amor."

As palavras eram uma zombaria vil agora.

Peguei o telefone, meus dedos ainda tremendo.

Liguei para Heitor Nogueira.

Ele era minha única esperança.

Após a ligação, após confirmar minha rota de fuga, deitei na cama, encarando o teto, o sono um estranho impossível.

Minha mente corria, repassando cada momento, cada mentira, cada suspiro roubado do meu passado.

A porta rangeu ao abrir.

Arthur entrou, um sorriso suave no rosto, seus olhos pesados e satisfeitos. Ele cheirava ao perfume enjoativamente doce de Katarina, misturado com o toque agudo de sua própria colônia.

Meu estômago se revirou. Ele se moveu em minha direção, seus braços se estendendo.

"Meu amor", ele murmurou, me puxando para um abraço terno.

Eu enrijeci, uma onda de repulsa me invadindo. Seu toque, antes um bálsamo, agora parecia uma serpente se enrolando. Instintivamente me afastei, meu corpo recuando do contato.

"O que há de errado, Alina?" Seu sorriso vacilou.

"Ainda chateada com a Katarina? Não seja boba. Você sabe que ela não é nada."

Sua voz era paternalista, desdenhosa. "Você está agindo como uma criança."

Meu sangue gelou.

Criança?

Ele tinha acabado de orquestrar a morte do meu pai, tido intimidade com outra mulher, e agora me chamava de criança.

A raiva ferveu, um inferno silencioso dentro de mim. Mas eu a engoli.

Sete dias. Eu só precisava de mais sete dias.

"Não é nada", forcei a saída, minha voz plana, desprovida de emoção.

"Só um pouco cansada."

Ele beijou minha testa, aparentemente apaziguado. "Não se preocupe, querida. Nosso casamento será perfeito. A 99ª vez é a que vale, certo?"

Ele riu, um som que me irritou os nervos.

"E este vestido? Você gostou?" Ele gesticulou para o último vestido.

"É... feio", eu disse, um lampejo de desafio na minha voz.

Sua testa franziu por um momento, depois se clareou.

Um largo sorriso se espalhou por seu rosto. "Feio? Sabe de uma coisa? Você está certa! Não é bom o suficiente para você, minha rainha. Sabe o que faremos, vamos... cancelar este também. Encontraremos algo verdadeiramente espetacular. Algo que grite 'Alina Campos'. Adiaremos o casamento de novo, querida. Apenas até encontrarmos o absolutamente perfeito."

Meu coração martelava no peito.

Ele estava cancelando o casamento.

De novo.

Mas desta vez... desta vez era a minha fuga.

Ele estava fazendo o trabalho sujo por mim. Meus lábios se curvaram em um sorriso frio e interior.

Ele não fazia ideia.

"Tudo bem, Arthur", eu disse, minha voz mal um sussurro. "O que você achar melhor."

Ele pareceu surpreso, depois satisfeito.

"Minha sensata Alina. Sempre tão compreensiva." Ele se inclinou para me beijar, mas eu virei a cabeça, fingindo sonolência.

"Sete dias", pensei, "e estarei livre."

Nesse momento, uma batida suave na porta.

A voz de Katarina, doce e infantil, flutuou para dentro.

"Arthur? Você está dormindo? Tive um pesadelo. Você pode vir me consolar?"

Arthur suspirou, uma exibição teatral de paciência.

"Claro, querida. Já vou." Ele me deu um beijo rápido na bochecha, "Durma bem, Alina. Volto logo."

Ele saiu, a porta se fechando atrás dele. Eu podia ouvir suas vozes abafadas, depois o rangido suave de outra porta.

Então, silêncio.

Um silêncio arrepiante.

Minha contagem regressiva havia começado.

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