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Capa do romance Ele Acabou com o Nosso Para Sempre

Ele Acabou com o Nosso Para Sempre

Bernardo Castilho, meu namorado há sete anos, desistiu do nosso noivado após uma ligação misteriosa. Influenciado por mentiras, ele me trocou por Jéssica Fontes. Esse abandono foi o início de um caos: sofri um acidente grave e fui sequestrada devido a um contrato fraudulento assinado por ela. Enquanto Bernardo protegia a mulher que me arruinou, encontrei em uma bolsa de estudos em Paris a chance de fugir e recomeçar, deixando para trás toda essa dor.
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Capítulo 3

POV Amanda:

Um grito agudo rasgou meu sono, me arrastando violentamente de volta à consciência. Minha colega de quarto, Clara, estava me sacudindo. Seu rosto estava pálido, os olhos arregalados de terror.

"Amanda! Acorda! É o Derek! Ele... ele está no telhado da Torre Sul! Ele está ameaçando pular!" Sua voz era um sussurro frenético.

Torre Sul. O prédio mais alto do campus, onde o departamento de arquitetura tinha suas aulas de ateliê. Meu estômago despencou. Derek. O perseguidor obsessivo que me encurralou no ateliê de design semanas atrás.

"O quê? Por quê?" Saí da cama, minha mente a mil.

"Ele está dizendo... ele está dizendo que vai fazer isso se você não for lá!" Clara torcia as mãos. "A polícia está aqui, a segurança do campus. Eles estão tentando convencê-lo a descer, mas ele só fica gritando seu nome! Ele diz que você é a única que o entende!"

Meu sangue gelou. Isso era loucura. Eu mal tinha falado com Derek, muito menos lhe dado qualquer motivo para acreditar que eu o "entendia". Mas suas palavras, as que ele gritou para mim sobre Bernardo, sobre eu estar "livre", agora ecoavam em meus ouvidos com um novo e arrepiante significado.

Antes que eu pudesse processar completamente, meu celular vibrou. Era a Professora D'Ávila, a coordenadora do meu curso.

"Amanda, você precisa vir aqui agora", sua voz estava tensa, urgente. "Derek está exigindo falar com você. Ele está instável. A polícia acha que sua presença pode acalmar a situação. Já tentamos de tudo."

Minha mente gritava não. Isso não era minha culpa. Eu não pedi por isso. Mas a ideia de alguém morrer, e meu nome ser o último em seus lábios, era um fardo pesado. "Estou indo", eu disse, minha voz mal um sussurro.

Clara me levou, suas mãos brancas nos nós dos dedos no volante. O campus estava fervilhando de luzes piscando – carros de polícia, ambulâncias. Uma multidão se formou, seus rostos virados para cima, morbidamente fascinados. Meu coração batia com uma mistura de medo e pavor. Isso não estava acontecendo.

Chegamos à base da Torre Sul. A Professora D'Ávila correu em minha direção, seu rosto uma máscara de preocupação. "Amanda, graças a Deus você está aqui. Ele está ficando mais agitado."

"Professora, eu não entendo isso", eu disse, minha voz tremendo. "Eu mal o conheço. Ele... ele estava me assediando."

Ela suspirou, tocando meu braço. "Eu sei, querida. Mas ele parece ter fixado em você. Ele está convencido de que você é a única que pode ajudá-lo. Por favor. Apenas fale com ele." Seus olhos suplicavam aos meus. O peso da responsabilidade pousou em meus ombros.

Uma policial, uma mulher de rosto severo, se aproximou. "Sra. Siqueira. Precisamos que você suba. Devagar. Não faça movimentos bruscos. Apenas ouça o que ele tem a dizer." Ela me entregou um pequeno fone de ouvido. "Estaremos ouvindo. Vamos te guiar."

A viagem de elevador parecia interminável. Cada andar passava, uma contagem regressiva para algo aterrorizante. Quando as portas se abriram, o vento uivou, chicoteando meu cabelo em volta do meu rosto. O telhado era austero, concreto e metal. E lá, na beirada, estava Derek.

Ele era uma silhueta contra o céu tempestuoso, seus braços estendidos, seu corpo balançando precariamente. Suas roupas estavam desgrenhadas, seu cabelo selvagem. Ele parecia totalmente desesperado.

"Amanda! Você veio!" ele gritou, sua voz rouca, ecoando pelo telhado. "Eu sabia que você viria!"

Meu coração martelava. "Derek", eu disse, tentando manter minha voz calma, embora meu interior estivesse tremendo. "Por favor, saia da beirada."

Ele se virou, seus olhos vidrados, injetados de sangue. "Eles não entendem! Ninguém entende! Mas você entende, Amanda. Você é como eu! Deixada de lado, abandonada!"

"Não, Derek, eu não sou", eu disse, caminhando lentamente em sua direção, seguindo as instruções da policial pelo fone de ouvido. "Eu sei que as coisas estão difíceis, mas esta não é a resposta."

"Ele te abandonou! Assim como eles me abandonaram!" ele gritou, seu olhar selvagem. "Mas podemos ficar juntos, Amanda! Podemos começar de novo! Só você e eu!" Ele deu um passo em minha direção, longe da beirada, mas depois outro passo, e outro, muito rápido.

"Derek, pare!" gritei, meu coração pulando para a garganta. Mas ele estava perdido demais. Ele se lançou, não em mim, mas passando por mim, em direção a algo invisível.

Naquela fração de segundo, uma comoção explodiu atrás de mim. Um policial, movendo-se muito rápido, muito de repente, esbarrou em mim. Perdi o equilíbrio. Meu corpo se inclinou para frente, desequilibrado.

Um grito rasgou meus pulmões quando o chão sob mim desapareceu. Senti a horrível e enjoativa corrente de ar, a sensação aterrorizante de cair. Minhas mãos se debateram, agarrando o nada.

Então, uma dor lancinante explodiu em meu braço direito quando atingi algo duro - um toldo, uma saliência, eu não sabia. Meu impulso mudou, mas a queda não parou. Eu rolei, batendo no chão com um baque doentio. O mundo girou. Minha cabeça bateu no concreto.

Uma dor aguda e insuportável percorreu meu braço, seguida por uma dor surda e latejante que se espalhou por todo o meu corpo. Tentei me mover, mas não consegui. Minha visão embaçou, os sons se tornaram abafados. Eu estava deitada no chão frio e duro, olhando para o céu, que agora era uma tela giratória de preto e cinza.

Fracamente, como um eco de outra dimensão, ouvi vozes.

"Bernardo, o que você fez?!" Era a voz de um homem, cheia de acusação furiosa. Parecia Bernardo, mas mais velho, mais áspero.

"Do que você está falando? Eu não fiz isso!" Era a voz de Bernardo, crua de pânico.

"Este era o destino dela, Bernardo! Da Jéssica! A queda, o ferimento, o perseguidor! Era tudo para a Jéssica! Mas você tinha que interferir, não é? Você tinha que mudar seus afetos, mudar a linha do tempo!" A voz mais velha era um rosnado de frustração. "Você desviou o sofrimento dela para a Amanda!"

Minha mente, já desvanecendo, agarrou-se às palavras. *O destino dela... da Jéssica... desviado para a Amanda.* O interlocutor. O "eu do futuro". Era isso que ele queria dizer? Essa era a "evidência"? Meu sofrimento era uma transferência? Uma troca cármica? Porque Bernardo tinha escolhido Jéssica?

"Não! Isso não é verdade! Eu amo a Amanda!" A voz de Bernardo estava cheia de uma negação desesperada.

"Ama ela? Você chama isso de amor, Bernardo? Você a abandonou quando ela mais precisava de você. Você acreditou nas mentiras sobre ela. Você a afastou, bem no caminho desse destino distorcido." A voz mais velha era fria, implacável. "Você selou o sofrimento dela no momento em que escolheu a Jéssica."

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, misturando-se com a chuva que começara a cair. Não era um mal-entendido. Era pior. Muito, muito pior. A insegurança de Bernardo, sua crença fácil nas mentiras de um estranho, seus afetos mutáveis... eles me quebraram. Não apenas meu coração, mas meu corpo. Eu estava sangrando pelos pecados de Jéssica. Eu estava morrendo porque Bernardo era um tolo.

A dor se intensificou, uma tempestade rugindo dentro de mim. Minha visão escureceu. As vozes desapareceram em um zumbido distante. A escuridão me consumiu.

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