
Ele a Escolheu, Eu Escolhi a Liberdade
Capítulo 3
Ponto de Vista: Bianca
O ar na casa de hóspedes parecia denso e pesado, carregado de uma tensão não dita. Karine sentava-se rigidamente na beirada de um sofá de veludo macio, as mãos firmemente entrelaçadas sobre a barriga crescente. Lá fora, a propriedade de Angra dos Reis estava banhada pelo brilho pálido da lua, uma serenidade enganosa antes da tempestade. A brisa do oceano, tipicamente calmante, agora carregava um toque cortante, sussurrando sobre o confronto iminente.
"Bianca, você não pode estar falando sério", Karine começou, sua voz tremendo ligeiramente, embora uma corrente de desafio ainda permeasse suas palavras. Ela olhou ao redor da sala opulenta, como se procurasse uma fuga ou talvez segurança na decoração cara. "Heitor nunca permitirá isso."
Eu a observei, uma observadora distante. Suas tentativas de intimidação eram risíveis. Ela ainda se apegava à ilusão de que Heitor tinha algum poder real sobre minhas decisões.
"Heitor não tem voz nisso, Karine", afirmei, minha voz calma e uniforme. "Esta é minha propriedade. E você está invadindo."
Seus olhos brilharam com um toque de malícia. "Invasão? Estou carregando o filho dele! O herdeiro dele! Você está apenas com ciúmes, Bianca. Com ciúmes de que eu posso dar a ele o que você não pode."
Uma risada aguda e sem humor escapou de meus lábios. "Ciúmes? De você, Karine? Você está carregando um filho bastardo, um testamento de sua própria tolice e do engano dele. Não há nada para ter ciúmes."
Seu rosto ficou vermelho. "Como você ousa! Esta criança é uma bênção! Um sinal de amor verdadeiro!"
"Amor verdadeiro?", zombei, aproximando-me até pairar sobre ela. "Você realmente acredita que um homem que te esconde, que manipula nós duas, é capaz de 'amor verdadeiro'? Você é uma tola, Karine. Uma tola ingênua e patética."
Ela tentou se encolher ainda mais no sofá, mas eu não permitiria. Estendi minha mão, meus dedos agarrando seu queixo com firmeza, forçando-a a olhar para mim. Seus olhos, cheios de medo, dispararam ao redor, mas não encontraram escapatória.
"Escute com atenção", ordenei, minha voz fria e inabalável. "Você vai deixar esta propriedade. Você irá a uma clínica discreta e interromperá esta gravidez. Então, você desaparecerá."
Seus olhos se arregalaram de horror. "Não! Eu não vou! Você não pode me obrigar!" Ela se debateu, arrancando o queixo do meu aperto. "Este é o bebê do Heitor! Ele quer este bebê!"
"Ele quer um herdeiro, Karine", corrigi, minha voz assustadoramente calma. "Não você. Você é meramente um recipiente. E um descartável, por sinal."
Ela soltou um grito agudo, lágrimas escorrendo por seu rosto. "Você é um monstro! Um monstro sem coração! Vou contar a todos o que você tentou fazer!"
"E quem vai acreditar em você?", ergui uma sobrancelha, um brilho predatório em meus olhos. "A pobre e iludida irmãzinha, inventando histórias para conseguir simpatia? Ou a formidável CEO, conhecida por sua reputação impecável e determinação inabalável?"
Inclinei-me, meu rosto a centímetros do dela. "Você tem duas escolhas, Karine. Você pode obedecer, e eu garantirei que você fique financeiramente confortável, bem longe daqui. Ou, você pode resistir, e eu garantirei que você perca tudo. Seu filho, sua reputação, suas míseras economias. Cada esperança a que você se apega será sistematicamente esmagada. Você entende as regras deste jogo, irmãzinha?"
Seu corpo tremia. Ela olhou para mim, seus olhos transbordando uma mistura de ódio e terror. "Eu te odeio, Bianca! Eu te odeio!"
Minha mão disparou, não para golpeá-la, mas para agarrar seu braço, meus dedos cravando-se. "Já chega, Karine. Isso não é uma negociação. Sou eu estabelecendo a lei."
De repente, a porta da casa de hóspedes se abriu com um estrondo. Heitor estava lá, o rosto contorcido de raiva, seu olhar caindo imediatamente em minha mão no braço de Karine.
"Que porra está acontecendo aqui, Bianca?!", ele rugiu, entrando na sala.
Karine, vendo seu suposto salvador, imediatamente começou a chorar de novo, soluços dramáticos. "Heitor! Ela está me ameaçando! Ela quer que eu me livre do nosso bebê!"
Ela se levantou do sofá e correu para seus braços estendidos, enterrando o rosto em seu peito. Heitor a segurou, seus olhos ardendo para mim por cima da cabeça dela. Ele estava bancando o herói, o protetor. Era uma exibição doentia.
"Isso é verdade, Bianca?", ele exigiu, sua voz perigosamente baixa. "Você estava ameaçando ela?"
"Eu estava simplesmente explicando as consequências das ações dela", respondi, minha voz firme. "E das suas."
"Ela é um monstro, Heitor!", Karine lamentou, agarrando-se a ele. "Ela quer machucar nosso bebê!"
Ele acariciou o cabelo dela, seu olhar nunca deixando o meu. "Você deve a ela um pedido de desculpas, Bianca. Agora."
Minha mandíbula se contraiu. Pedir desculpas? Para esse par de conspiradores? Nunca.
"Pedir desculpas pelo quê, Heitor?", desafiei, minha voz carregada de desdém. "Por apontar o óbvio? Por dizer a verdade? Talvez vocês dois devessem me pedir desculpas. Pelos anos de engano. Pela traição."
Ele deu um passo à frente, seus olhos queimando com uma fúria possessiva. "Você cruzou uma linha, Bianca. Uma linha da qual você se arrependerá."
Encarei seu olhar de frente. "A única linha cruzada foi quando você decidiu trair nosso casamento, Heitor. E você é o único responsável pelas consequências."
Meu olhar se desviou para Karine, ainda soluçando no peito de Heitor, seus olhos espiando para mim com um brilho triunfante. "E quanto a ela", continuei, minha voz pingando desprezo, "ela não passa de uma imitação barata. Um substituto pobre para o que você perdeu."
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