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Capa do romance Ela Escolheu a Traição

Ela Escolheu a Traição

No meu aniversário, descobri que minha esposa, uma estilista famosa, quebrou nossa regra de exclusividade. Vi uma foto dela nos braços de Pedro, meu afilhado e protegido. Ao questioná-la, fui humilhado e chamado de possessivo enquanto ela defendia o outro. O desrespeito despertou minha fúria. Eu, o investidor que deu tudo a eles, não aceitarei a traição. O controle acabou; agora, jogarei de forma eficiente para vencer essa guerra que eles iniciaram.
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Capítulo 3

No dia seguinte, a internet explodiu.

A notícia não era mais sobre Pedro ser demitido. A manchete em todos os portais de fofoca era: "Ana, renomada estilista, abandona projeto milionário após briga com parceiro de negócios."

A narrativa que se formou era que ela, em um ato de lealdade e protesto, havia se retirado do projeto de design de figurino do mesmo filme do qual Pedro foi removido.

Ninguém sabia que eu era o investidor principal. Para o público, parecia um gesto romântico. Uma estilista poderosa sacrificando um contrato lucrativo para defender seu jovem e injustiçado protegido.

Os internautas me ridicularizaram.

"Esse marido deve ser um monstro pra ela fazer isso."

"Força, Ana! Não deixe um homem controlador destruir suas parcerias."

"Isso sim é que é apoiar um amigo. O marido dela devia aprender uma coisa ou duas."

Eu estava sendo pintado como o vilão possessivo e abusivo, enquanto ela e Pedro eram as vítimas corajosas.

Tentei ligar para Ana. Várias vezes. Todas as chamadas foram para a caixa postal. Ela se recusava a falar comigo, uma forma de protesto silencioso que, na verdade, era um grito para o público. Ela estava me desafiando, usando a opinião pública como sua arma.

Então, veio o golpe final.

Naquela noite, Pedro postou outra foto. Desta vez, era uma selfie. Ele e Ana, lado a lado, dentro de um avião particular. Ela não sorria, mas olhava para a câmera com um ar de desafio.

A legenda era o que me atingiu em cheio: "Rumo a novos horizontes, onde a arte é livre e o talento é respeitado. Obrigado por estar comigo."

Era uma declaração de guerra.

Senti o celular pesado na minha mão. A humilhação era pública. Meu nome estava sendo arrastado na lama.

Mas então, notei algo estranho. Um amigo me ligou, confuso.

"José, que história é essa que estão falando de você? Eu não vi nenhuma foto nova."

Pedi a ele que olhasse o perfil de Pedro. Ele olhou.

"Não tem nada aqui, cara. A última postagem dele é de três dias atrás."

Meu coração acelerou. Usei o celular da minha assistente para entrar no perfil de Pedro. Meu amigo estava certo. A foto no avião não estava lá.

Voltei para o meu próprio celular, para o meu perfil. A foto estava lá, visível.

A postagem era visível apenas para mim.

Era uma provocação direta, calculada. Pedro, com a ajuda de Ana, estava me cutucando, me testando, me humilhando em particular, enquanto mantinham uma imagem pública diferente. Ela não estava apenas sendo passiva, ela era cúmplice.

Naquele momento, algo dentro de mim mudou. A dor e a raiva deram lugar a uma frieza cortante. O jogo deles era sujo. O meu seria eficiente.

Eles achavam que eu estava derrotado, isolado pela opinião pública. Mal sabiam eles que a opinião pública não paga as contas. O poder real, o dinheiro que movia aquela indústria, ainda estava nas minhas mãos.

Eu havia patrocinado Pedro. Eu o tirei do nada e o coloquei sob os holofotes. Ele me devia sua carreira. E ele usou essa carreira para desrespeitar minha esposa e me humilhar. A traição era dupla.

Decidi que não haveria mais conversa, não haveria mais tentativas de reconciliação. Haveria apenas consequências.

Peguei o telefone novamente. Não liguei para Ana. Liguei para o diretor do filme, Roberto.

"Roberto, sou eu. O projeto de figurino da Ana. Está vago, certo?"

"Sim, José. Ela nos notificou hoje. É uma pena, o trabalho dela é impecável."

"Eu tenho uma substituta. O nome dela é Maria. Ela é jovem, talentosa. Quero que você a contrate."

"Maria? Não a conheço."

"Você vai conhecer. Ela é um dos meus novos investimentos. Mande o contrato para o meu escritório amanhã de manhã. E aumente o orçamento do figurino em trinta por cento."

"José, isso é... generoso."

"Considere um bônus pela sua lealdade, Roberto."

Desliguei. Maria era uma jovem atriz e designer que eu vinha patrocinando discretamente há alguns meses. Talentosa, grata e, acima de tudo, leal.

Ana e Pedro queriam jogar? Tudo bem. Eu iria mostrar a eles como se joga para vencer.

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