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Capa do romance E o Vento Levou

E o Vento Levou

Até onde alguém consegue suportar o desprezo antes de desistir? Quando o coração se cansa de ser subjugado e a alma clama por um resgate urgente, o subconsciente sinaliza o limite final da resistência emocional. Esta obra explora as consequências devastadoras de uma realidade onde o orgulho consome tudo o que foi edificado com afeto. É um relato profundo sobre o esgotamento de um espírito que não encontra mais forças para lutar no amor.
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Capítulo 3

Nossos caminhos se separaram de uma maneira que eu não consigo nem entender. Foram paus e pedras para todos os lados, e apenas eu saí machucada.

Passar a noite naquele apartamento sozinho não foi fácil, decidi que pra matar o tempo começaria a fazer minhas malas. Eu não iria atrás dela, eu não poderia acabar com a sua vida desse jeito. Giovanna merecia ser feliz, ter alguém que pudesse dar atenção a ela.

A noite foi mais longa que o previsto, rolei de um lado pro outro sem conseguir sequer pregar os olhos. Olho para o teto e vejo aquele imenso espelho que ela havia mandado colocar ali para que através do mesmo contemplarmos o ato de amor. Suspiro fundo lembrando do jeito maluco que ela tinha.. a gargalhada exagerada, o olhar doce, a voz super carregada no sotaque carioca, o jeito manhoso que tinha após uma noite longa de amor. Uma coisa é certa, ela fará falta.

Eu tentei ligar pra ela muitas vezes, mas todas as vezes caía na caixa de mensagem. Eu queria dizer adeus para ela, nem que fosse pra ela me mandar ir pra puta que pariu, eu precisava falar com ela. O ódio de não ser atendido foi tanto que esbravejei e joguei o celular contra a parede. Certamente ela foi para a casa dos pais dela, isso de certa forma me conforta um pouco. Mas isso aqui não é a mesma coisa sem ela, a casa fica vazia, silenciosa.

P.O.V Giovanna

Deitada naquela enorme cama sozinha, sinto meu mundo girando, minha cabeça parece que vai explodir. A noite havia sido longa e o dia tinha tendência para ser mais longo ainda. As ligações de Alessandro foram constantes durante toda a madrugada, até que uma hora ele resolveu desistir. Agradeci mentalmente a Deus por isso. Não queria ter ouvido ele rindo da minha cara e me agradecendo por ter desistido de foder com a vida dele. A partir de hoje, a única coisa que quero dele é distância.

- Nossa... - Coloco a mão na cabeça no momento em que tento me levantar e sinto uma forte tontura. - Levantei rápido demais, é só isso! - Sigo em direção ao banheiro com a mão na testa.

P.O.V Narrador

Estava nítido que Giovanna não se sentia bem naquela manhã, ao entrar no banheiro e parar de frente ao enorme espelho ela pôde ver o quanto estava diferente. Não sabia explicar o que havia mudado, mas sentia-se diferente. Ela ainda não sabia, mas uma coisa havia mudado na vida dela para sempre.

- O que vai ser da minha vida sem você ein Alessandro?! - Com as mãos espalmadas no mármore gélido, ela encara sua própria imagem que refletia no espelho se penitenciando por sentir falta dele.

Longe dali, não era diferente com Alessandro, ele se penitenciava por não ter chegado um pouco mais cedo e impedido a partida dela, ele se culpava por ter deixado tudo pra viver para o trabalho. No momento em que ele leu a carta que Giovanna havia deixado, se sentiu culpado por ter jogado tudo para o ar. Mas agora não adiantava mais chorar o leite derramado, ela havia ido embora e daquela vez não tinha volta, a não ser que o destino mude a rota dos dois.

Depois de muito se perder em meio a pensamentos, Giovanna resolve sair, espairecer, esquecer dos problemas. Ela precisava esquecê-lo, precisava seguir em frente e era isso mesmo que ela faria, seguiria sozinha, pelo menos era assim que ela imaginava.

Depois de muitas tentativas falhas de tirá-lo cabeça, Giovanna só consegue sentar num banco da orla e chorar, ela não sabia o que seria da sua vida dali pra frente. Ela não sabia por quanto tempo ela aguentaria aquela avalanche de emoções dentro de si. E ela fica ali, olhando pessoas correrem de um lado para o outro, vendo a vida passando devagar diante dos seus olhos. Ela estava irritada, esgotada, aquele dia estava sendo uns dos mais difíceis de toda sua vida e olha que ela já havia passado por muita coisa.

- Moça... - Uma mulher com roupa esportiva e tênis para frente a ela. - Desculpa incomodar... mas está tudo bem?

- Parece que está?! - Ela tentou, mas não conseguiu segurar as lágrimas que caiam sobre seu rosto, borrando sua maquiagem.

- Desculpa mas... será que eu poderia te ajudar? - Pergunta a gentil mulher. Ela tinha mais ou menos a mesma idade que Giovanna. - Eu não quero parecer intrometida, mas te ver aí sozinha chorando...

- Você poderia mudar minha vida, tirar ele do meu coração? - A mulher olha para Giovanna sem entender sobre o que ela falava. - Então, você não pode me ajudar!

- Eu posso tentar! - Abriu um largo sorriso para a outra, que continuou chorando. - Prazer, meu nome é Amora!

- Giovanna ! - Trocou um aperto de mão quando a simpática mulher lhe oferece a mesma.

- Que tal a gente ir no quiosque que tem ali na frente? - Apontou. - Lá podemos conversar tranquilas!

- Sério mesmo? Tu num é nenhuma enviada daquela porra de delegacia não, né?! Olha, não quero problemas com ninguém! - Falou rápido, como de costume. A mulher olha pra ela com a sobrancelha arqueada.Ela realmente não entendeu nada. - Eu não estou mais com ele, não precisa me sequestrar nem nada do tipo!

— Do que você tá falando? - Perguntou confusa.

- Não, eu não enviada do que quer que você tenha dito... não sou enviada de nada! Eu só fiquei comovida com tu aí sentada, sozinha e chorando...

- Desculpa.. é que tô meio atordoada ainda, muita coisa passando na minha cabeça.. - Nem de longe essa parecia a garota determinada que só pensava em se dar bem na vida, essa era a nova Giovanna.

- Não, sem problemas! — A mulher libera um sorriso compreensivo para ela. — Então, vamos?

- Ela fez que sim, levantando-se do banco e seguindo lado a lado na orla a morena de vestido largo e chinelos de dedos e a mulher de roupa esportiva e tênis.

Elas conversam sobre diversos assuntos, as duas tinham problemas em comum. Giovanna sentiu que com aquela mulher, aquela completa desconhecida, ela poderia contar e Amora sentiu a mesma coisa. Elas ainda não sabiam, mas aquela amizade que havia se estabilizado ali, iria longe, muito longe.

- E depois disso eu vim pro Rio e hoje tô aqui, seguindo em frente! - Amora abre os braços num gesto de liberdade fazendo Giovanna sorrir, ela havia contato detalhes de sua vida para morena que estava fascinada com a história de vida da outra.

- Eu sempre fui assim, como te contei, tranquila, vivia com meus pais.. Até conhecer o Alessandro!

- Suspirou fundo ao terminar de falar. Ela realmente se sentiu confiante pra conversar de todo e qualquer assunto com aquela mulher. - E olha como o mundo dá voltas, agora tô aqui, conservando com uma desconhecida na orla..

- E tentando mudar de vida!

Amora completa sorrindo. - Sabe Deusa, temos muitas coisas em comum: Eu sou uma pessoa sofrida, tu também. Eu vim pro Rio tentar mudar de vida e querendo ou não, tu também está tentando mudar de vida. Sofremos por idiotas que não merecem nosso amor, tamo juntas nessa! - Piscou para Giovanna, estendendo a mão. - Amigas?

- Amigas! - Retribuiu o aperto de mão sorrindo. Era incrível a ligação que tinham, era incrível como pessoas que mal se conhecem se derem tão bem. Giovanna não se sentia tão bem com alguém assim a muito tempo, era como se essa mulher fosse um anjo enviado de Deus para ajudá-la. Já Amora, sentia o mesmo, aquela parceria iria pra vida, uma ajudando a outra e vise versa.

- E então, ele te ligou? - Giovanna fez que sim. - Esse cara é um idiota!

- Ele é sim.. E o pior que estou me penitenciando por ter deixado aquela maldita carta e ter sumido, evaporado! Eu não sou nada sem ele.

- Opa, como assim Braseel? - Perguntou exagerada. - Eu nunca pensei! Não é você quem não é nada sem ele, é ele quem não é nada sem você!

- É? - Pergunta receosa.

- Claro que é! - Revirou os olhos sorrindo.

- Tem mais uma.. - Respirou fundo criando coragem pra dizer.

- Mais uma? Pô Deusa, que história longa essa sua! - Brincou.

- Mas me conta, o que é?

- Eu tô atrasada! - Falou entre os dentes.

- Atrasada pra quê? Tu precisa ir pra algum lugar? Bora passar lá em casa pra pegar meu carro, moro aqui na orla mesmo!

- Não maluca, tô dizendo atrasada no ciclo.. Meu ciclo tá atrasado!

- O quê? - Colocou a mão na boca ,incrédula. - Sério isso? Porraaaaa, não creio! Não pode ser!

- Pode crer! Eu acho que tô grávida! - Soltou assustada com a possibilidade.

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