
É Amor ou Apenas Ilusão?
Capítulo 2
Sara passou o dia em silêncio, movendo-se pela casa enquanto arrumava suas coisas com uma calma que escondia a tempestade dentro de si. Cada peça de roupa que dobrava, cada objeto que guardava, parecia um adeus silencioso. A decisão estava tomada: ela deixaria Stephen. Anos se passaram, e ela sentia que havia dado tudo de si. Mas, como poderia continuar em uma relação onde o vazio a engolia a cada dia? Onde sua presença parecia não fazer diferença?
A solidão se tornara insuportável. Não era o tipo de solidão que vinha do isolamento físico, mas aquela que nascia no meio de conversas sem significado, de abraços sem afeto. Tentara ligar para Stephen várias vezes durante o dia, mas ele estava, como sempre, "ocupado". No fundo, ela sabia que ele escolheria o trabalho mais uma vez. Cansada de esperar, pegou o telefone com mãos trêmulas e digitou a mensagem, o coração acelerado:
“Preciso que venha para casa. Quero o divórcio.”
O dedo hesitou por um segundo antes de apertar o "enviar", como se o peso de toda uma vida estivesse naquele simples gesto. Quando a mensagem foi enviada, Sara sentiu um vazio esmagador. Caminhou até a janela, observando o céu que lentamente escurecia, refletindo o que ela sentia por dentro.
Do outro lado da cidade, Stephen estava enterrado em papéis e relatórios, concentrado no próximo grande projeto. Quando o telefone vibrou, ele deu uma olhada rápida, sem esperar nada relevante. Mas, ao ver a mensagem de Sara, seus olhos se estreitaram. Divórcio? A palavra soou como uma afronta. Como ela ousava pedir o divórcio de um homem como ele? Poderoso, bem-sucedido. Não era isso que ela sempre quis? Se casar com ele? E agora, sem aviso, ela queria acabar com tudo?
Stephen sentiu algo estranho, uma mistura de incredulidade e raiva. Ele não conseguia entender. Por que ela não estava satisfeita? Ele lhe dera uma vida de conforto, status, tudo o que o dinheiro poderia comprar. Ele ponderou por alguns instantes, mas em vez de responder, jogou o telefone na mesa com desdém e voltou ao trabalho. No fundo, parte de si sabia que estava ignorando o inevitável.
Sara olhava para o telefone, esperando uma resposta que nunca chegava. O silêncio dele foi ensurdecedor, mas ao mesmo tempo revelador. Ele não se importava, como nunca tinha se importado. Era o fim, e ela sabia disso. Então, por que ainda doía tanto?
Sentou-se na beira da cama, sentindo o peso do vazio. Sabia que a decisão era a certa, mas não podia evitar a tristeza que a invadia. Afinal, era o fim de uma história que ela havia sonhado que fosse diferente. Por mais que estivesse quebrada, Sara se lembrou de uma coisa: estava prestes a começar de novo, desta vez, por ela mesma.
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