
Duologia Sem Querer e Por você
Capítulo 3
Parte 3
Ele gemeu e ela o seguiu. Ambos estavam com dor de cabeça e mareados.
Juliana respirou fundo duas vezes e segurou no colchão para levantar. Ao fazer isso pisou no lençol e repuxou, ficando nua para o olhar dele.
Vítor aumentou os olhos. Juliana era muito bonita e lembrar que passaram a noite juntos fez seu sangue correr mais rápido. Ele abriu a boca para falar, mas não disse nada, fitando seu corpo devagar.
Ela sabia que aquele olhar era de análise e não tinha vergonha de seu corpo. Seu problema era ele ter visto. O encarou de volta.
Vítor tinha o cabelo castanho lindo. Ela já tinha reparado nisso desde quando o conheceu. Até já tinha pensado se seria bom enfiar os dedos por ele.
Ao que parece ela tinha feito isso.
Ele mirou os olhos castanhos brilhantes dela, como um âmbar aceso. Olhos que poderiam levar um homem á loucura.
Desde a primeira vez em que a vira, ele tinha notado esse brilho em seus olhos.
Os três tinham olhos iguais, uma herança do pai deles. Joel e Jessé também tinham o olhar brilhante como o dela, mas se soubessem o que ele havia feito com a irmã, esse olhar seria de morte, com certeza.
E a vítima era ele.
Ela tinha o sorriso lindo e sua risada faria todos ficarem de joelhos se ela quisesse. O temperamento dela era explosivo, mas era doce e gentil também. Dependia muito do momento. Mas algo que sabia sobre ela era que era confiável. Já notara isso.
Um dos problemas que o impediam de chegar nela antes era esse. Juliana era diferente dele em muitas coisas. Ela não era bonita só por fora, mas tinha um bom coração também e estava sempre disposta a ajudar os outros.
Ele era mais cínico, cansado de coisas em sua vida que o fizeram ser mais seco, em especial com relação ás mulheres.
Ela tinha dinheiro, ele não. Ou não tanto como ela.
A fazenda onde trabalhava pertence à família dela, ele é só um funcionário como todos os outros do lugar.
Não era certo se envolver com ela, mas com a bebida falando mais alto, ele foi ousado o suficiente para dar o primeiro passo. Ter feito amor com ela tinha sido maravilhoso, mas ela não pertencia a ele e nem ele a ela. Eram diferentes.
Ele era vivido demais e ela não.
Juliana passara a vida ali, quase não saíra de Andaluz e ele já rodara bastante por outros pastos.
Sem falar que ele estava com trinta e dois anos e ela só tinha vinte e um. Essa diferença de idade trazia pontos de divergência em uma relação.
“Que relação?”
Ele estava pensando bobagem de novo. Não havia uma relação com ela a não ser de trabalho e amizade, nada mais. Nada mesmo.
E ele já tinha sido casado uma vez e não tinha intenção nenhuma de se envolver a sério de novo com outra. Uma vez já estava bom.
_ Olha só - ele começou devagar e baixinho por causa da cabeça dolorida _ Eu não tenho ideia exata de como nós paramos aqui, mas acho que dá para adivinhar. Você lembra de algo?
Talvez ela lembrasse melhor do que ele do que haviam feito para acabar na mesma cama, porque geralmente a aproximação deles era apenas profissional.
Ela segurou a respiração um pouco. É claro que ela conseguia lembrar o que havia acontecido. A dor de cabeça ou o susto estavam fazendo efeito porque seu cérebro começou a trabalhar mais e não foi nada bom recordar.
Ficou morta de vergonha.
Ela tinha perdido a vergonha na cara totalmente na noite anterior. Eles eram só amigos de trabalho.
No entanto, ela lembrava do que havia feito e de como havia feito. Mordeu o lábio. Não iria confessar, era vergonhoso. Recordava dos beijos ousados. Tão ousados que ela desceu pelo corpo dele e foi... Até lá embaixo e o beijou lá.
Vergonha era pouco. Virou o rosto e disfarçou.
“Onde está o buraco negro quando se precisa dele para sumir?”
O peito dele era bonito, com pouco cabelo e alto. A barriga era de tanquinho e as mãos fortes e com calos pelo trabalho na fazenda. Mas fizeram milagres em seu corpo.
Ela lembrava sim. Não de tudo, mas boa parte já se fazia marcar em sua memória.
Lembrava do casamento do irmão mais velho, da farra dos amigos e parentes e claro, do tanto de bebida que ela consumiu sem ter noção do que faria com seu organismo.
Raramente bebia, era fraca para qualquer tipo de bebida alcoólica e resolveu fazer essa merda na noite anterior, misturando tudo. Aí estava o final.
Ela tinha começado a flertar com Vítor de brincadeira, nada demais, só para relaxar. E daí?
Todas as garotas da fazenda acham que ele é bonito e sexy, só quis brincar um pouco e até causar um pouco de inveja nelas. Mesmo achando que Vítor era um machista exagerado, mandão e egocêntrico.
Porém, ele era também muito sexy e inteligente, além de dançar muito bem. Ela sabia disso porque foi ela quem teve a ousadia de chamá-lo para dançar quando a música mudou.
Estava se divertindo muito com ele e não pensou nas consequências de seus atos. A música lenta o fez segurar em sua cintura e começaram a dançar quase colados, mesmo com as pessoas em volta olhando. E ela adorou aquelas mãos.
Foi interessante perceber como seu corpo reagiu ao dele, enquanto dançavam juntos, colados, sentindo o cheiro másculo.
Não tinha consciência dessa atração por ele até então. E Vítor era a última pessoa no mundo com quem deveria se envolver, por vários motivos.
Um deles é que ele era um solteiro convicto. Após o fracasso de seu casamento, já o ouvira dizer várias vezes que as mulheres eram só uma diversão em sua vida agora.
Era muito bonito, cheio de palavras e decisões, mas era um mulherengo. E ali estava ela.
Quando ele apareceu na fazenda procurando emprego, seus irmãos fizeram uma entrevista com ele e lhe deram o emprego por um tempo de experiência para ver se ele realmente era bom na tarefa.
E Vítor provou que era. Tanto que o irmão decidiu contratá-lo de modo fixo e logo as pessoas começaram a conhecê-lo mais e seu trabalho. Era muito capaz no que fazia e o que mais lhe agradava eram os animais. Parecia mais à vontade com eles do que com as pessoas.
Algo que também a intrigava um pouco quando pensava nele.
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