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Capa do romance Duologia Resistentes

Duologia Resistentes

Luna Abranov, executiva da Moderntechno, tenta superar o divórcio em uma noite intensa com James Trambley. O que era um encontro casual vira um desafio profissional quando o destino os une no trabalho, testando a resistência de James ao apego. Paralelamente, o playboy Harley Ryan perde sua vida de luxo e acaba trabalhando na revista sob o comando de Rhanna, sua antiga rival. Entre brigas e paixões, esses casais enfrentam disputas e uma evolução inesperada.
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Capítulo 3

Cheguei em casa após aquela despedida, com uma sensação de vazio. O Fred não estava, pois foi para a empresa, e como eu me dei uns dias de folga, estava livre para fazer o que quisesse, sozinha...

Joguei-me no sofá e fiquei pensando nos dias que passei com James. Lamentei pela decisão de não o ver mais. Porém, tinha consciência que nada de bom poderia vir disso, ele disse que não se relacionaria comigo, o que é ótimo, mas eu já estou com minha autoestima um fracasso por causa do Fred, nenhum bem me faria se mais um homem que gostava de estar só me quisesse como amiga.

Passei o dia dispersa, mesmo assistindo TV, não conseguia focar em nada e acabei dormindo no sofá enrolada em meu cobertor. Acordei com um carinho em meus cabelos e um beijo no rosto. Sorri sabendo que Fred chegou e não estava mais sozinha.

— Olha quem parece cansada, foram dias bons, hein? — Fred comentou animado, abri um dos olhos para ver se seu olhar estava tão animado quanto sua voz.

— Foi perfeito, mas acabou! — Sorri, ao constatar que ele não parecia chateado. — Como foi na empresa hoje? — Fred fechou o semblante.

— Você não vai gostar... — Levantei, ficando tensa.

— Fala logo, Fred, o que aconteceu?

— Conheci o novo sócio, não fui com a cara dele! — O olhei com a sobrancelha levantada.

— Certo, e o que eu não irei gostar? — Fred ficou inquieto no sofá.

— Ele já chegou pedindo uma reunião com o conselho solicitando a vice-presidência. — Levantei bufando.

— O quê? — Comecei a andar de um lado para o outro.

— E como ele tem 29% das ações e as nossas ações estão divididas... Ele pode fazer essa solicitação e é provável que ele consiga. O Harry e você não se dão bem e ele tem 10%, o voto dele conta...

— Mas, Fred, esse é o meu cargo...

— Eu sei, Luna! Mas ele disse que tem esse direito e o solicitou. Disse que pode fazer muita coisa no comando.

— Me surpreende ele não ter pedido a presidência! — Sentei no sofá, chateada. — Certo, isso significa que minha folga acabou, amanhã vou declarar guerra a esse idiota! Não tem chances dele ganhar, eu tenho o seu voto e dos nossos pais também. Apesar de não ter o voto do Harry...

— Luna! — Fred me chamou como se fosse me aconselhar. — Não acha que seria um bom momento para dizermos aos nossos pais que vamos nos separar. — O olhei confusa e magoada.

— Por que essa conversa agora? Continuamos sendo figuras públicas, Fred! Seus pais ainda vão cair matando em cima de você, é capaz de te deserdarem...

— Essa situação está acabando com você, Luna! — Fred falou alto e eu arregalei os olhos. Como assim? Do que ele estava falando? Eu nunca o pressionava, ele vivia a vida de solteiro dele e a única coisa que eu fazia era ficar na minha.

— Não, isso não é verdade, e eu não sei como o assunto da empresa mudou tão rápido para o nosso relacionamento.

— Não temos um relacionamento, Luna! — Ele afirmou e dei um passo para trás magoada, ele estendeu a mão em minha direção arrependido e dei outro passo para trás, o evitando.

Olhei para ele me sentindo traída, conheço-o bem o suficiente para entender o que ele está pretendendo com essa conversa.

— Quando o cara chegou, posando de dono da empresa, eu fiquei com raiva, e eu ainda não gosto apesar de... Não vem ao caso! — Fred esfregou o cabelo nervoso. — Mas eu vi uma chance de você refazer sua vida, devolver o brilho aos seus olhos, ao contrário do que pensa eu não preciso ser protegido, eu vou ter que sair do armário um dia, e eu decidi que não vou mais manter essa merda, Luna! Esses três dias foram esclarecedores, sua voz estava diferente, você está diferente! Então, vindo para casa eu decidi... — Levantei as mãos pedindo que parasse, entendi o que estava nas entrelinhas, e por um momento eu achei que fosse paranoia minha, mesmo assim falei em voz alta o que meus pensamentos gritavam.

— Vai votar contra mim!? — Fred abaixou a cabeça. Eu bufei de raiva e comecei a andar de um lado para o outro. — Você perdeu completamente o juízo? Vai tirar o controle das nossas mãos depois de tudo que fizemos para chegar aonde estamos? Você usou alguma droga? Qual o seu problema? — Minha voz estava ofegante enquanto eu questionava aquela merda que ele estava dizendo.

— Tem noção do quanto isso vai ser difícil para mim? — Encarei seus olhos como se o quisesse explodir.

— Na verdade, não tenho! — As lágrimas nublaram minha visão e coloquei a mão no rosto para me livrar da sensação de traição. Ele não pode fazer isso comigo.

— Você ainda vai estar do meu lado administrando a nossa empresa. — Fred tentou se aproximar e me afastei.

Tudo que fiz na minha vida, foi em nome da empresa e meu relacionamento, o Fred estava destruindo minha estrutura, meu ego, minha razão de viver.

— Luna, eu te amo, mas não dá mais para vivermos assim, e se essa é a única maneira de termos um motivo para nos separarmos eu vou fazer.

— Me tirando tudo... — disse sem chão.

— Não, te devolvendo o direito de escolha! — O encarei tentando saber do que ele estava falando, me sentia perdida nessa merda toda que ele estava dizendo.

Fred me encarou com seus olhos gentis castanhos escuros, sua pele bronzeada que eu tanto amava, abraçada pela blusa social de manga comprida que foi enrolada até o cotovelo. Os cabelos enrolados e negros, bem penteados para trás e a barba bem aparada que contornava seu rosto. Esse homem, que eu tanto amei e considerei, está destruindo meu mundo.

— Me tirando tudo? — repeti minha frase com um tom cansado e Fred suspirou. — Que espécie de escolha você está me dando, droga?

— Te tirando tudo que foi obrigada a aceitar quando ainda era uma menina! — Pisquei algumas vezes para clarear a visão e o encarei. — Lembra o que queria ser, antes de te dizerem qual faculdade teria que fazer?

— Dançarina...

— Sim, você fazia balé desde que me conheço por gente e você era maravilhosa naquilo... — Comecei a assentir, mas então eu neguei com a cabeça.

— Você não entende, Fred? Aquela menina morreu, eu não sei mais ser assim. — Balancei a cabeça indignada. — Para seguir a carreira de uma dançarina, eu jamais poderia ter parado de praticar e eu parei... Por nós, e pelo o que a dança fazia com meus traumas... Você sabe disso! — Abri os braços, mas logo os abaixei, cansada, derrotada. — Por toda essa merda de vida! Você vai me destruir, Fred!

— Estou te dando a chance de ressuscitar essa menina e não importa o quanto negue, sei que ela está aí, escondida e acuada. — O olhei sem forças para discutir, peguei a chave do meu carro e Fred foi rápido ao se colocar na minha frente. — Luna, não pode sair assim, aonde pensa que vai? Nem vestida direito está! — O encarei novamente com o olhar mais frio que consegui.

Suspirei por fim e acabei pensando um pouco sobre aquilo e um dos meus próprios pensamentos sobre os dias que passei sem o Fred. Eu podia fazer qualquer coisa sozinha.

— Quer saber, tem razão, não temos mais um relacionamento, isso daqui que estamos fazendo é tudo menos uma relação. — Ele me olhou triste. — Quanto a vice-presidência, se você votar contra mim, nunca mais vai me ver na sua vida! Espero que saiba fazer muito bem a sua escolha.

— Me desculpe, eu não vou fazer isso com você, foi apenas uma ideia, sempre achei que... Se sentia obrigada ali, não pensei que significasse tanto.

— Talvez, não signifique, mas não cabe a você decidir isso. — Dei um passo em direção à porta e Fred segurou meu ombro.

— Não vai assim, vamos conversar sobre isso, não quero que saia magoada — disse ele e pensei por um segundo sobre aquilo, mas cheguei à conclusão que ficar ali seria me humilhar e voltar atrás do que decidi. Acabou, não tem mais volta e eu só quero sair dali e esquecer todos os dias felizes que tive e o último ano de carência e desespero.

— Até amanhã, Fred! — Desviei dele, abri a porta e saí de casa.

Entrei em meu carro e dirigi pela noite escura, até parar em frente à casa da Rhanna, só ela podia me ajudar agora.

E pelo jeito ela já estava me esperando, pois foi o motor desligar para ela abrir o portão de sua casa e aparecer num pijama azul, ela cruzou os braços enquanto me esperava estacionar em sua garagem. Saí do carro e fui até ela, que estendeu os braços e me envolveu ali. Entramos e eu contei tudo a ela.

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