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Capa do romance Duologia Resistentes

Duologia Resistentes

Luna Abranov, executiva da Moderntechno, tenta superar o divórcio em uma noite intensa com James Trambley. O que era um encontro casual vira um desafio profissional quando o destino os une no trabalho, testando a resistência de James ao apego. Paralelamente, o playboy Harley Ryan perde sua vida de luxo e acaba trabalhando na revista sob o comando de Rhanna, sua antiga rival. Entre brigas e paixões, esses casais enfrentam disputas e uma evolução inesperada.
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Capítulo 1

Fred e eu chegamos em casa aos risos, um pouco altos pela bebida que consumimos num coquetel que fomos convidados de última hora.

Como sempre, a companhia do meu marido era o que me deixava mais feliz e entusiasmada e... muito excitada.

Apesar de que ultimamente, tinha percebido que ele estava me evitando, mas tinha esperança de que não fosse nada grave. Afinal, o Fred era o homem da minha vida. Depois que nosso ataque de riso cessou o observei enquanto ele ia para o banheiro e sem nem pensar duas vezes o acompanhei.

Notei que ele suspirou e o sorriso em seus lábios morreu de repente. Pensei em me despir, mas algo em seu olhar fez evaporar toda a minha empolgação, duas semanas, tinha duas semanas que ele nem sequer me tocava e nossa última transa foi tão sem graça que estava claro que ele só o fez para me agradar.

— Sei que por causa do coquetel tivemos que desmarcar nosso jantar e consequentemente não conseguimos conversar, mas ainda precisamos, querida! — Fred disse sem muita cerimônia e pelo seu olhar preocupado sobre mim, já sabia que não ia gostar.

Conhecia esse homem fazia tanto tempo, que sabia quando algo ou alguém o incomodava, e no caso, esse “alguém” era eu. Só não queria admitir que nosso relacionamento tinha mudado. Não parecia certo, não para mim.

— O que está acontecendo com a gente? Não me ama mais? — Fred, que ainda não tinha entrado no banho e estava seminu, veio até mim e segurou meu rosto em suas mãos.

— Independente de qualquer coisa, eu sempre vou amar e proteger você, minha pequena. Por favor, eu te imploro, nunca esqueça disso. — Um nó se formou em minha garganta e foi muito difícil dizer as próximas palavras.

— Então, por que parece que está me afastando, Fred? O que está acontecendo? — Ele me encarou com pesar nos olhos, depois aproximou os lábios da minha testa e a beijou.

— Vamos tomar um banho e relaxar, ok? Prometo que vamos conversar sobre isso hoje. — Encostei minha cabeça em seu peito e assenti levemente, logo depois, me afastei para que ele tomasse seu banho sozinho. Não queria encarar o último olhar que me deu quando cogitei tomar banho com ele, como se precisasse de espaço. Como se precisasse pensar longe de mim. Meu coração estava tão apertado que pensei seriamente em fugir. Mas eu não era esse tipo de mulher, e independente do que ele viesse a dizer, suportaria e venceria qualquer obstáculo por nós dois.

Menos de uma hora depois, sentamos em nosso sofá, eu no meu lugar de sempre, pois por ter TOC, ninguém me fazia sentar em outro canto do sofá, ou era o chão ou exatamente onde me encontro: bem na quina do sofá em formato de "L" que experimentei na loja e gostei de como ficava protegida ali.

Fred me passou uma xícara de chocolate quente e aceitei com um sorriso fraco. Ele sempre fazia isso quando nossa conversa era séria, mas nós sempre conseguíamos resolver tudo. Esperava que desta vez não fosse diferente.

Tomei um gole da bebida quente e cheirosa, que sempre acabava acalmando um pouco meu nervosismo, Fred sabia disso, ele sempre sabia como me deixar confortável.

E isso deveria me acalmar, não é?

— Luna, já tem uns dias que eu fico pensando em como te dizer isso, sem te magoar, e acho, que pelo seu olhar, independente do que eu tente dizer para amenizar, não vou alcançar esse objetivo, e eu quero que saiba que eu sinto muito. Nunca foi minha intenção chegar a esse ponto, tentei lutar contra tudo, para que nós fôssemos mais importantes... — Coloquei minha caneca em cima da mesinha de frente para nós com um baque alto e Fred parou de falar. Minha respiração ficou presa e eu quase me debulhei em lágrimas, mas consegui segurar minha mágoa.

Respirei fundo antes de dizer:

— Você vai me deixar! — afirmei, sentindo todos os nervos do meu corpo reagirem. Meus dedos das mãos tremiam fortemente.

Ele se levantou e tentou me tocar, me afastei. Sou a pessoa mais geniosa que poderia existir nesse mundo.

— Me deixe terminar e explicar meus motivos, por favor, Luna, só me deixe explicar! — Apesar de ter afirmado que sabia o que estava tentando dizer, a certeza veio como um tapa na cara.

Um soluço forte irrompeu de mim sem permissão e me odiei por isso. Fred me abraçou forte mesmo comigo tentando afastá-lo, sem saber se era uma reação realmente minha ou do meu corpo tremendo por saber que ele iria me abandonar. Que não me amava mais como eu a ele.

— Luna, eu juro que tentei! — Sua voz estava embargada e sentia profunda tristeza nela.

— Você... — Tentei segurar o nó em minha garganta, mas as lágrimas não me davam folga e os soluços muito menos. — Me traiu? Se apaixonou por outra pessoa? Esqueceu tudo o que vivemos juntos?

Disse as últimas palavras me afastando e o empurrando, enquanto o acusava.

— Não te traí, ainda... — O encarei chocada e meu coração quase saiu pela boca. Ele percebeu que me machucou, que aquilo acabou comigo quando levei a mão ao peito, como se o gesto fosse fazer meu coração partido se colar novamente. — Me desculpa, por favor, eu só quero ser livre para poder seguir meu coração, Luna, e não quero tentar ser feliz magoando você, se fizesse qualquer coisa sem te dizer como me sinto, não seria uma pessoa de confiança para você contar sempre.

— Você se apaixonou por outra mulher! Você me traiu, Fred! Já me magoou, e eu só queria ser capaz de fazer o mesmo com você... — falei alto, mas sem gritar, e Fred levou a mão ao rosto e o esfregou. — Queria ter me envolvido com alguém e te dizer que eu não te traí, que só me envolvi tão profundamente que me apaixonei, me deixei levar. Você me traiu e da pior maneira possível, deixou de me amar.

— Você sempre será a mulher da minha vida! — Fred falou alto, tentando encobrir o desespero da minha voz, pelo dele. — Jamais tive a intenção de me separar e por um momento pensei em deixar tudo como está e ficar com vocês dois. Mas não consigo viver assim, não consigo ser essa pessoa que trai e humilha a outra, ainda mais se a outra for você, então optei pela coisa mais difícil da minha vida para não perder você e continuar sendo seu melhor amigo e não te traindo... — Não sabia o que tinha dado em mim, mas ao sentir meu coração se despedaçar a cada palavra, só queria ferir quem estava me causando dor e virei a mão no rosto do Fred.

Ele parou de falar e me encarou perplexo com minha atitude. Nunca fui uma pessoa que perdia o controle, que chorava quando tudo estava dando errado. Era a pessoa que tentava resolver, que geralmente assumia a culpa e consertava as coisas.

Dessa vez, sabia, que não importava o que tentasse fazer, Fred tinha decidido que eu não era a mais importante da sua vida. Estava indo embora, me deixando... Sabendo que esse era o meu maior medo, que eu iria definhar.

— Nunca vou te perdoar por estar me trocando por outra mulher. Nunca! Quer minha amizade, não terá. Porque não vou aceitar essa humilhação, e você, que me conhece tão bem, deveria saber. Deveria saber como eu me sentiria. — Fred ficou em silêncio, me observando ainda chocado e com os olhos demonstrando um medo e emoção que não sabia o que queria dizer, mas parecia que ele estava resistindo a algo que ele precisava, mas não queria, contar.

— Não estou te trocando por uma mulher, Luna! Como disse, você é a única que já amei em toda minha vida! — Dei um passo para trás confusa.

Ele continuou:

— Mas não aguento mais esconder quem sou para te proteger, uma hora você iria saber e a mágoa iria realmente te consumir.

Fred abaixou o olhar, parecendo muito envergonhado e sem jeito, depois voltou a me encarar e declarou com certeza:

— Luna, eu sou gay!

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