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Capa do romance Doutor, Meu Filho é Seu!

Doutor, Meu Filho é Seu!

Após ser traída, Karen vive um romance fugaz com o médico Othon em Fernando de Noronha, mas foge ao descobrir que ele teria uma noiva. Grávida, ela decide criar o pequeno Otávio sozinha e em segredo. Seis anos depois, o destino os reúne: Othon ressurge como seu vizinho e novo diretor do hospital onde trabalha. Pior ainda, ele se torna o melhor amigo do próprio filho. Agora, Karen precisa decidir se revela a verdade ou mantém o mistério que os une.
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Capítulo 1

Karen

O cansaço me envolvia completamente após longas horas de plantão no hospital. O cheiro dos corredores limpos, permeado pelo odor de antisséptico, tornava-se sufocante. Minha cabeça latejava, e uma sensação de mal-estar crescente começou a me dominar. Ignorar os sinais não era uma opção, então, finalmente, cedi à fraqueza e busquei ajuda no mesmo lugar onde costumava oferecê-la: o hospital.

O médico, sério e ponderado, explicou a sobrecarga de estresse e a necessidade de descanso imediato. Entendi a gravidade da situação, mas minha mente insistia em focar em outra preocupação. Max, meu noivo, não atendia minhas ligações. Onde ele estaria? Por que não atendia justamente quando eu mais precisava dele?

Decidi ir diretamente para o apartamento de Max, ignorando o conselho de descanso, ansiando pelo abraço acolhedor do meu noivo. Ao chegar ao apartamento  e girar a chave na fechadura, a cena diante de meus olhos era confusa. Roupas espalhadas pelo chão, e um silêncio pesado pairava no ar, apesar de meu coração martelar em meus ouvidos.

Não precisei ir até o quarto para entender o que estava acontecendo. No sofá, Max parecia descansar abraçado a uma loira de cabelos longos que caíam desordenadamente sobre seu peito nu. O choque congelou até mesmo a minha alma.

O casal, sem roupas e completamente adormecido, era uma imagem que eu nunca imaginei presenciar. Um grito de horror escapou de meus lábios, rompendo o silêncio. O som do grito ecoou no apartamento e o belo casal pareceu despertar. Eu não olhei nenhuma vez para a mulher. Os meus olhos estavam fixos em Max. Os olhos atordoados de Max encontraram os meus, e por um instante, ele pareceu incapaz de processar a realidade do que estava acontecendo naquele exato instante. 

Max, com uma destreza que me revoltava, agarrou uma bermuda da poltrona próxima e a vestiu com uma rapidez desconcertante. Uma máscara cínica cobriu seu rosto, como se ele estivesse prestes a me receber após um dia comum.

— Você chegou mais cedo, amor? — Sua pergunta soou como um insulto. 

Meus olhos se estreitaram em incredulidade diante da audácia do traidor. A indignação que fervia dentro de mim finalmente explodiu, e avancei em direção a Max, determinada a fazer com que ele sentisse, mesmo que por um momento, a dor que ele me causou. Minhas mãos se ergueram, prontas para atingir seu rosto, enquanto palavras furiosas escapavam dos meus lábios.

— Seu canalha! Como ousa? — Eu o xingava com uma torrente de impróprios, minha voz embargada pela mistura de fúria e dor. 

No entanto, antes que minhas mãos pudessem encontrar o destino merecido, fui contida por ele, suas mãos firmes segurando as minhas, impedindo qualquer gesto de desespero, enquanto eu me debatia contra ele. 

Enquanto eu me debatia contra Max, a mulher que estava com ele pareceu reagir, levantando-se. Eu estava tão atordoada que não tinha voltado nem mesmo um único olhar em direção à amante de Max. Quando percebi que a mulher com Max era Lilian, uma antiga amiga minha, senti meu mundo desabar ainda mais. Lilian é alguém com quem eu não mantinha contato, exatamente porque Max havia conseguido convencer-me de que Lilian não era uma boa amiga. E agora, ali estava Lilian, com Max. Ele tinha razão, afinal. Mas claro que ele sabia que ela não era uma boa amiga! Ele estava tendo um caso com ela.

— Lilian!? — O novo choque me fez parar de lutar.

Lilian, agora de pé, encarava-me com uma mistura de culpa e surpresa, mas sua expressão logo se transformou em uma máscara de indiferença, como se a amizade perdida não a afetasse mais. Max, por sua vez, soltou as minhas mãos, dando um passo para trás.

— Karen, eu posso explicar... — tentou começar Max, mas foi interrompido pelo olhar cortante e carregado de dor que lancei em sua direção.

Em meio à minha dor, dirigindo-me a Max:

— Ouça bem o que vou dizer, Max — Declarei de maneira firme e clara, o dedo em riste — Nunca mais, está me ouvindo? Nunca mais eu quero olhar na sua cara!

Sem esperar pela explicação que ele podia oferecer, dei as costas ao homem que havia traído minha confiança. Mas não seria tão fácil assim, pelo visto. Max correu atrás de mim, declarando com desespero:

— Karen, eu amo você. Ela não é importante como você é pra mim — Max tentava se justificar.

— Acabou, Max. Não tem perdão o que vocês fizeram!

— Karen, por favor, me ouça. — Max segurou meu braço, buscando uma conexão que parecia impossível naquele momento — Você estava sempre ocupada, trabalhando muito. Nunca tinha tempo para nós. Eu estava me sentindo só. Isso com Lilian foi um erro, apenas uma distração, entende? Não tem nada a ver com o que temos. 

Eu queria falar, explicar o quanto aquilo doía, mas a dor sufoca minhas palavras. Contudo, antes que eu pudesse responder, Lilian, enfurecida, interrompeu a tentativa de Max de se explicar.

— Só uma distração, é isso? — ela vociferou, os olhos faiscando de indignação. — Eu não sou apenas um objeto, Max! Como você ousa me diminuir a isso?

A discussão entre os dois rapidamente ganhou volume,enquanto o meu coração doía. Eu queria gritar, mas as palavras teimam em não sair. As acusações dolorosas de Max penetravam meu peito, e eu sabia que, em parte, ele tinha razão. Eu trabalhava demais, estava sempre ocupada, e talvez não tenha reservado tempo suficiente para nos divertirmos juntos. No entanto, eu só estava tentando construir uma base financeira sólida para o nosso futuro, para o nosso casamento.

As lágrimas que eu segurava ameaçavam transbordar. No entanto, Lilian estava furiosa por ser rotulada como apenas um objeto de desejo, e a discussão entre os dois aumentava, não deixando espaço para eu expressar aquilo que desejava.

Sem ter mais o que fazer naquele apartamento, decidi ir embora de uma vez. Meus passos vacilantes me levaram para fora do apartamento e as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto enquanto eu me afastava. Eu me perguntava como poderia superar a dor de tamanha traição. Max estava ocupado demais discutindo com Lilian para prestar atenção à minha saída e aquilo também foi doloroso. O que restava da nossa história de amor de três anos de relacionamento, estava ruindo diante dos meus olhos, e eu me via impotente diante do fato.

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