
Dormi com o homem mais poderoso do mundo?!
Capítulo 2
Na noite de núpcias, Liam chegou em casa depois da meia-noite. Ao vê-lo, Kayla alegou estar menstruada para evitar qualquer intimidade.
Agora, depois de tudo o que havia feito, ele realmente achava que um simples pedido de desculpas resolveria o problema?
"Saia do meu quarto!", ela disparou, seu tom gélido e definitivo.
O desejo que ainda brilhava nos olhos de Liam esmoreceu no mesmo instante. Ele passou a mão pelo rosto com impaciência, o cenho franzido. "Você pode parar de dramatizar? Eu sei que você tá chateada, mas também não vou viver pisando em ovos. Minha paciência tem limites."
"Você não entendeu o que eu disse? Saia!", ela retrucou, sua voz ainda mais cortante.
Usando uma abordagem mais suave, Liam tentou persuadi-la: "Nós estamos casados agora, Kayla. Por que não deixamos o passado para trás? Prometo que vou ser melhor a partir de agora."
Mas para Kayla, ele já não passava de um homem traidor e era como lixo na rua.
Sem perder tempo, ela se levantou, pegou um travesseiro e anunciou firmemente: "Vou dormir no quarto de hóspedes."
A frustração de Liam escureceu seu rosto. Para ele, tudo não passava de um drama desnecessário. Ele já havia se desculpado, então não entendia por que ela ainda insistia em tratá-lo com tanta frieza. Segundo sua lógica distorcida, era irracional que ela ainda não o tivesse perdoado.
"Tudo bem. Vá em frente. Durma onde quiser."
Sem dizer mais uma palavra, Kayla pegou seu celular e notebook, o ignorando completamente.
Deitado na cama, Liam a observava com raiva mal disfarçada enquanto ela se afastava. "Não se esqueça do banquete da família amanhã. Você vai comigo. Estamos casados há uma semana. Vai parecer uma piada se você não aparecer."
Ele resmungou algo ininteligível e, incapaz de conter sua raiva, arremessou o travesseiro no chão.
Kayla não respondeu, mas sua expressão era clara — ela iria não porque queria, mas sim porque Liam ameaçara vender o Grupo Cooper caso ela se recusasse.
O Grupo Cooper representava o trabalho de toda a vida da mãe de Kayla — um legado construído com grande esforço, noites sem dormir e renúncias que custaram a própria saúde.
Foi essa dedicação que, dia após dia, consumiu a mulher até o último fio de energia. E quando a exaustão finalmente venceu, tudo o que restou de sua mãe foi aquela empresa.
No dia seguinte, o casal seguiu para a mansão ancestral da família Graham — um nome poderoso em Trark, símbolo de linhagem e prestígio.
O carro preto e reluzente de Liam mal havia parado em frente à entrada principal, quando o mordomo surgiu para interceptá-lo. "Este espaço é exclusivo para a família. Visitantes devem estacionar em outro lugar."
Nenhuma formalidade, nenhum sinal de respeito por Liam. Mas Kayla não se surpreendeu, pois já havia testemunhado esse tipo de desprezo mais vezes do que podia contar. Em silêncio, ela abriu a porta do carro e saiu.
Embora Liam ostentasse o sobrenome Graham, sua presença entre os membros da família era quase invisível.
A verdade por trás de sua história pesava mais que seu nome. Sua mãe, filha ilegítima de Johnny Graham, havia se casado com um homem pobre — um ato que provocou a ira do patriarca e resultou na completa exclusão dela da família.
Sem apoio, ela criou o filho sozinha. Mas com o tempo, percebeu que não poderia lhe garantir um futuro digno, então o empurrou de volta para o seio da família que a rejeitara. Ela fez com que ele adotasse o sobrenome Graham, na esperança de que isso lhe abrisse uma porta.
No entanto, nenhuma porta se abriu. Cada visita à mansão era um lembrete disso. Ainda assim, Liam se apegava à esperança tola de provar, um dia, seu valor.
A empresa da qual agora ele se vangloriava — o Grupo Perennia — só existia por causa de Kayla. Tudo começou com os milhares de dólares que ela lhe deu. Mais tarde, quando o Grupo Cooper passou a apoiá-lo oficialmente, seus negócios decolaram, se tornando em poucos anos um nome respeitado.
Agora, olhando para tudo, Kayla só enxergava desperdício. Uma traição embalada em uma falsa história de amor, paga com a confiança cega de quem acreditou demais.
Tentando evitar mais atritos, Liam manobrou o carro para longe da entrada principal, mas o mordomo seguiu ali, firme.
Incomodado, Liam enfim explodiu: "Quer dizer que eu nem posso estacionar na casa da minha própria família?"
O mordomo fez uma leve reverência, mantendo um sorriso debochado nos lábios. "Me perdoe, senhor. Mas não temos vagas para visitantes não convidados."
Liam cerrou os punhos, o rosto já rubro de raiva. Ele queria protestar em voz alta, mas sabia que não podia.
Kayla observava em silêncio, com uma leve satisfação escondida no olhar.
Foi então que uma fileira de sedans pretos de luxo surgiu na entrada.
A postura do mordomo se alterou imediatamente, dando lugar a um ar apressado e nervoso. "Tire esse carro daqui! Depressa! O senhor Jeremy Graham chegou!"
Jeremy Graham era o filho mais novo de Johnny e o nome mais temido da família Graham. Em Trark, seu poder ultrapassava fronteiras, tanto à luz do dia quanto nos bastidores, seu nome capaz de silenciar uma sala inteira.
Os carros, elegantes e imponentes, se aproximaram devagar, enquanto Kayla observava. O mordomo correu até o veículo do centro e abriu a porta com uma reverência quase servil.
Jeremy desceu devagar. Seu terno impecável e sapatos polidos brilhavam sob as luzes, irradiando autoridade e presença.
Cada passo seu exalava autoridade, causando inquietação em todos ao redor.
Os olhos de Kyla se fixaram na mão dele, onde um anel reluzia sob a iluminação sutil da noite.
O ar lhe faltou por um segundo. Ela já havia visto esse anel antes — no quarto do hotel naquela noite.
Como isso era possível?
O olhar dela subiu, hesitante, até encontrar o dele, profundo e impenetrável.
O homem com quem ela havia dormido era o tio de seu marido?!
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