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Capa do romance Do Sequestro ao Romance Ardente

Do Sequestro ao Romance Ardente

Desesperada para pagar o tratamento da irmã, uma confeiteira decide sequestrar Pedro Almeida, herdeiro de um império cafeeiro. Inexperiente, ela falha no resgate, mas o próprio refém decide ajudá-la a valorizar o crime. Entre lições de sequestro e vulnerabilidades expostas, surge uma conexão intensa. Quando uma traição coloca ambos em risco, Pedro se sacrifica para protegê-la e mente às autoridades para salvá-la, provando que o amor nasceu no cativeiro.
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Capítulo 2

O cheiro de mofo e terra úmida enchia o porão abandonado, o único som era a respiração pesada do rapaz amarrado na cadeira.

Eu o observava das sombras, meu coração batendo forte contra as costelas, um tambor de guerra anunciando o maior erro da minha vida.

Ele se mexeu, a cadeira de madeira rangendo em protesto.

"Sabe, pra uma sequestradora, você é bem silenciosa."

A voz dele, mesmo abafada pela situação, era carregada de um tédio que me irritou mais do que o medo.

"Fica quieto."

Minha voz saiu mais fraca do que eu pretendia.

Ele riu, um som seco, sem humor.

"Qual é o seu nome?" ele perguntou, ignorando minha ordem.

"Isso não é da sua conta."

"Vou te chamar de… Moça da Corda Ruim. Essa corda aqui tá machucando meu pulso. Você não tinha uma de seda? Ou pelo menos um algodãozinho pra forrar?"

Pedro "Playboy do Café" Almeida. Era exatamente o filhinho de papai mimado que as fofocas da cidade pintavam. Eu o conhecia de vista, da confeitaria onde eu trabalhava. Ele sempre entrava, comprava o doce mais caro sem nem olhar o preço e tratava todo mundo com uma superioridade displicente.

Agora, ele era meu refém. Minha única esperança.

Tirei o celular do bolso, um aparelho velho e rachado. A tela de bloqueio mostrava a foto de Sofia, minha irmã. Ela sorria, mas seus olhos já mostravam o cansaço da doença, a mesma doença que precisava de trezentos e cinquenta mil reais para ser tratada.

Um valor que, para mim, era um universo de distância, mas que, para o pai dele, o todo-poderoso Coronel do Café, era troco.

A responsabilidade pesava nos meus ombros. Eu não era uma criminosa, eu fazia bolos. Meus dedos eram feitos para decorar com glacê, não para amarrar nós. Mas o desespero te transforma, te empurra para lugares escuros que você nunca imaginou existir.

"Eu não estou brincando," eu disse, tentando injetar firmeza na minha voz. "Seu pai vai pagar, e você vai voltar pra casa."

"Meu pai?" ele bufou. "Boa sorte com isso. Aquele homem é mais pão-duro que o Tio Patinhas. Ele vai é tentar negociar pra pagar metade."

De repente, a respiração dele mudou. Ficou rápida, ofegante. O peito dele subia e descia em um ritmo assustador.

"Ei, o que foi?" perguntei, dando um passo à frente, contra minha vontade.

"Ar… eu preciso de ar," ele ofegou, os olhos arregalados de pânico. "Esse lugar… tá me sufocando. As paredes… estão se fechando."

Uma crise de ansiedade. O médico de Sofia tinha me explicado sobre elas. Eu vi minha irmã passar por isso algumas vezes. É um terror que vem de dentro, irracional e avassalador.

Droga. Eu sequestrei um playboy com defeito.

Minha mente gritava para deixá-lo ali, para ser a sequestradora durona que o plano exigia. Mas meu corpo agiu por instinto. Corri até a pequena cozinha improvisada no canto do porão e enchi um copo com água da torneira.

Aproximei-me dele com cuidado, como se ele fosse um animal assustado.

"Aqui, bebe."

Segurei o copo em seus lábios. Ele bebeu em goles desesperados, a água escorrendo pelo seu queixo.

"Respira fundo," eu disse, minha voz agora suave, a mesma que eu usava com Sofia. "Puxa o ar pelo nariz, solta pela boca. Devagar."

Ele tentou me obedecer, o corpo todo tremendo. Fiquei ali, ao lado dele, repetindo as instruções, até que o ritmo de sua respiração começou a voltar ao normal. O pânico em seus olhos deu lugar a uma exaustão profunda.

Ele me encarou. O sarcasmo tinha desaparecido, substituído por algo que eu não consegui decifrar. Curiosidade, talvez.

"Obrigado," ele murmurou, a voz rouca.

Eu me afastei, sentindo o chão sumir sob meus pés. O que eu estava fazendo? Eu era a sequestradora. Ele era a vítima. Não era para eu cuidar dele.

Ele limpou a garganta, a postura arrogante voltando aos poucos, como uma armadura sendo reerguida.

"Então," ele disse, com um meio sorriso. "Você faz isso sempre? Sequestra as pessoas e depois vira a enfermeira particular delas?"

Eu não respondi. Apenas voltei para o meu canto escuro, confusa.

Ele me observou por um longo tempo. O silêncio se estendeu, denso e desconfortável.

"Você é a pior sequestradora do mundo," ele finalmente concluiu, mas desta vez, não havia zombaria em sua voz. Era uma constatação. E, por algum motivo doentio, aquilo me deu um pingo de esperança.

Talvez ser a pior sequestradora do mundo fosse a única forma de eu conseguir sair dessa sem perder o que restava da minha alma.

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