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Capa do romance Do Ódio ao Desejo

Do Ódio ao Desejo

Scarlett, uma assistente executiva resiliente, enfrenta diariamente o temperamento arrogante de seu chefe, o controlador Ethan Blackwood. Entre conflitos profissionais e uma tensão crescente, o ódio que nutrem se transforma em uma atração incontrolável. Enquanto ela desafia a autoridade dele, ambos mergulham em um jogo de sedução e resistência. Scarlett e Ethan precisarão decidir se superam o passado ou se perdem na química explosiva que os consome intensamente.
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Capítulo 2

Scarlett Reed

Respirei fundo e segurei a pasta com firmeza enquanto caminhava em direção à sala do Senhor Blackwood. Era um cenário que se repetia diariamente, uma dança exaustiva com um parceiro que eu desprezava. Mas, infelizmente, fazia parte do meu trabalho lidar com sua arrogância e mau humor.

Abri a porta da sala e entrei, encarando-o de frente. Seus olhos frios e desinteressados encontraram os meus brevemente antes de desviar para um relatório em sua mesa. A falta de resposta era esperada, assim como sua atitude distante e grosseira.

— Bom dia, Senhor Blackwood — cumprimentei, tentando manter a formalidade apesar da minha aversão.

Ele olhou para mim de soslaio, mal se dignando a me responder.

— O que você quer? — disse com um tom de voz ríspido.

Ignorei sua indelicadeza e mantive a compostura.

— Trouxe a agenda do dia para revisão. Há algumas reuniões importantes, telefonemas a retornar e…

Fui interrompida abruptamente.

— Deixe na minha mesa. Eu darei uma olhada depois.

Suspirei, controlando a frustração que ameaçava escapar. Era exasperante lidar com sua falta de educação, mas eu sabia que precisava manter a paciência se quisesse sobreviver nesse ambiente de trabalho tóxico.

Coloquei a pasta com a agenda em sua mesa, ao lado dos outros documentos.

— Está aqui. Caso precise de algo mais, estarei na minha sala — informei, tentando disfarçar a irritação em minha voz.

Ele apenas assentiu sem olhar para mim, ocupado demais com sua papelada.

Dei meia-volta, saindo da sala com um misto de alívio e frustração. Aquela breve interação só reforçava o quanto eu detestava trabalhar para ele. Ethan Blackwood era um chefe insuportável, mas também um homem que despertava sentimentos conflitantes em mim.

Eu não tinha interesse em ter qualquer tipo de relacionamento com ele. Não depois de presenciar sua postura arrogante e o tratamento desrespeitoso dispensado aos funcionários. Mas, confesso, havia algo nele que me intrigava, uma chama oculta que eu não conseguia ignorar.

Meu foco era o trabalho e minha carreira. Eu não podia me deixar envolver por emoções confusas e atração superficial. Eu era uma profissional competente e estava determinada a provar meu valor, independentemente das dificuldades.

Minha manhã havia sido preenchida com tarefas diversas, desde a preparação de relatórios até a organização de reuniões estratégicas. Como assistente executiva de Ethan Blackwood, meu trabalho envolvia estar sempre um passo à frente, antecipando suas necessidades e mantendo tudo funcionando perfeitamente.

Uma das minhas primeiras tarefas era levar uma xícara de café quente à sala de Ethan todas as manhãs. Era uma rotina estabelecida desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar para ele há dois anos. Às vezes, eu me perguntava se ele era realmente viciado em café ou se era apenas uma desculpa para ter um motivo para me ver todos os dias.

Além disso, também era responsável por agendar suas reuniões, filtrar suas ligações e cuidar de qualquer demanda urgente que surgisse. Era um trabalho desafiador, mas eu estava acostumada com a intensidade e sempre me esforçava para superar as expectativas.

Enquanto finalizava algumas anotações na agenda do dia, ouvi o barulho das portas do elevador se abrindo. Aproximando-se da minha mesa, estava Daniel, um colega de trabalho simpático e sempre disposto a fazer uma pausa para uma conversa rápida.

— Ei, Scarlett! Está pronta para o almoço? Aquele novo restaurante tailandês perto daqui parece promissor. O que você acha?

Eu sorri, agradecendo a oportunidade de deixar minha mesa por um tempo e trocar algumas palavras com um amigo. Deixei minha caneta de lado e peguei minha bolsa.

— Claro, Daniel! O restaurante tailandês parece uma ótima opção. Estou pronta para uma pausa no meio do dia. Vamos lá!

Enquanto caminhávamos em direção ao elevador, eu sabia que essas pausas eram essenciais para manter minha sanidade em meio à agitação do escritório. Era uma oportunidade de recarregar as energias, compartilhar risadas e lembrar que a vida era muito mais do que apenas tarefas e prazos.

Enquanto Daniel e eu caminhávamos em direção ao restaurante tailandês, o sol brilhava acima de nós, iluminando as ruas movimentadas da cidade. Era revigorante deixar para trás a pressão do escritório e respirar o ar fresco, mesmo que por alguns momentos.

Daniel era um colega divertido e descontraído, sempre com uma piada na ponta da língua. Nossas conversas nos almoços eram uma pausa bem-vinda do ambiente corporativo, um momento de relaxamento e camaradagem.

Enquanto andávamos pelas calçadas movimentadas, Daniel começou a falar sobre seu fim de semana, descrevendo com entusiasmo uma aventura que teve ao escalar uma montanha. Eu o ouvia atentamente, rindo das suas histórias engraçadas e fazendo comentários ao longo do caminho.

A conversa descontraída fluía facilmente, e era bom ter alguém com quem compartilhar as pequenas alegrias e frustrações do trabalho. Daniel era um amigo leal, sempre presente para apoiar e alegrar os dias mais difíceis.

Enquanto nos aproximávamos do restaurante, o aroma sedutor das especiarias tailandesas preenchia o ar, aguçando meu apetite. A fachada do local era convidativa, com uma decoração vibrante e exótica.

Daniel folheou o menu com interesse, seu sorriso brincalhão revelando antecipação. Ele olhou para mim e perguntou animadamente:

— E aí, Scarlett, qual vai ser sua escolha? Tô pensando em encarar o famoso curry vermelho, mas tô aberto a sugestões, viu?

Eu sorri, curtindo a disposição dele em se jogar na culinária tailandesa. Olhei o cardápio de um jeito indeciso antes de responder.

— Acho que vou me render ao clássico Pad Thai. Sempre é uma opção segura e deliciosa por aqui. E você, vai pedir alguma coisa diferente com o curry?

Daniel fez uma carinha pensativa antes de responder com um brilho safado nos olhos.

— Acho que vou começar com umas samosas de entrada.

Nossas risadas ecoaram enquanto chamávamos o garçom pra fazer nossos pedidos. O clima descontraído que Daniel trazia era um alívio em meio àquela selva de trabalho.

Enquanto esperávamos nossa comida chegar, Daniel olhou para mim com um sorriso travesso e perguntou:

— E então, como vai o babaca do nosso chefe? Ainda mandando ver na grosseria matinal?

Eu soltei uma risadinha, sabendo exatamente de quem ele estava falando. Ethan Blackwood, o temido chefe do último andar, era conhecido por sua atitude rude e exigente.

— Ah, você sabe como é, Daniel. O bom e velho Ethan está em plena forma hoje. Reclamando das planilhas, criticando os relatórios... Nada de novo sob o sol.

Daniel balançou a cabeça, fingindo indignação.

— Esse cara não tem limites, né? Às vezes, eu até imagino se ele sabe o que é um sorriso ou uma palavra gentil. Acho que nasceu com um manual de como ser o chefe mais babaca do mundo.

Nós dois rimos, concordando com a observação sarcástica de Daniel. Era difícil não se questionar sobre as origens daquela personalidade impiedosa que Ethan exibia no ambiente de trabalho.

— Tenho minhas teorias sobre isso, sabe? Talvez ele tenha sido criado por um bando de lobos selvagens ou passado a maior parte da vida em uma caverna escura, sem contato humano. Não consigo imaginar outra explicação plausível para tanta falta de empatia — comentei, brincando.

Daniel gargalhou, batendo na mesa com entusiasmo.

— Pode ser! Só espero que ele não nos transforme em lobos também. O mundo já tem cota suficiente de chefes rabugentos.

Concordei com um aceno de cabeça, enquanto o garçom trazia nossos pratos fumegantes à mesa. O aroma delicioso da comida tailandesa invadiu o ar, aguçando ainda mais nosso apetite.

O aroma delicioso da comida tailandesa invadiu o ar, aguçando ainda mais nosso apetite. Os pratos estavam artisticamente arranjados, com cores vibrantes e ingredientes frescos que saltavam aos olhos. O curry picante de frutos do mar exalava seu perfume tentador, enquanto uma tigela de arroz branco perfeitamente cozido repousava ao lado.

Meus olhos brilharam de antecipação quando o garçom colocou os pratos à nossa frente. O vapor quente subia, formando pequenas nuvens que dançavam no ar. Era um convite irresistível para saborear cada garfada.

— Uau, isso parece incrível! — exclamei, admirando a apresentação dos pratos. — Mal posso esperar para experimentar.

Daniel concordou, com os olhos brilhando de empolgação.

— Não tenho dúvidas de que vai ser uma explosão de sabores. Vamos mergulhar nessa aventura culinária juntos!

Sem perder tempo, pegamos nossos talheres e nos entregamos ao prazer da refeição. O curry revelou-se uma combinação perfeita de temperos exóticos, picância na medida certa e a textura suculenta dos frutos do mar. 

Enquanto degustávamos, nossas conversas fluíam animadamente, intercalando entre assuntos de trabalho, eventos recentes e até mesmo alguns devaneios divertidos sobre viagens e aventuras. O almoço não era apenas uma pausa para satisfazer a fome, mas também um momento de conexão e cumplicidade.

O tempo parecia voar enquanto nos deliciávamos com cada garfada. O saboroso curry era acompanhado por risadas e gestos animados, criando um ambiente de descontração e camaradagem. À medida que as horas do almoço se esgotavam, sentia-me agradecida por esse breve momento de escape da rotina e pela companhia agradável de Daniel.

Quando finalmente terminamos a refeição, nossos pratos estavam vazios, restando apenas a satisfação de ter desfrutado de um almoço delicioso e uma boa companhia. Pagamos a conta e nos levantamos da mesa, prontos para retornar ao escritório e enfrentar o restante do dia com energia renovada.

— Foi um ótimo almoço, Scarlett. Obrigado pela companhia — disse Daniel, sorrindo.

Retribuí o sorriso, sentindo-me leve e revigorada.

— O prazer foi todo meu, Daniel. Foi uma pausa muito necessária. Vamos voltar lá e conquistar o mundo corporativo!

Com uma dose extra de motivação e um estômago satisfeito, nos despedimos do restaurante e caminhamos de volta ao escritório. Assim que sai do elevador, respirei fundo ao dar de cara com meu chefe bravo.

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