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Capa do romance Divórcio: Justiça Para Lucas

Divórcio: Justiça Para Lucas

No sexto aniversário de Lucas, a tragédia acontece: ele morre nos braços da mãe após se engasgar. Desesperada, ela busca o marido, Pedro, mas ele ignora o luto para celebrar o filho da ex-namorada. Acusando-a de drama, ele a bloqueia. Diante do corpo do filho e da indiferença cruel do pai, a dor da protagonista se transforma em uma fria resolução. Sem ódio, apenas com o desejo de justiça, ela parte para confrontá-lo. Pedro pagará por sua negligência desprezível.
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Capítulo 2

O meu filho Lucas morreu no seu sexto aniversário.

Ele morreu nos meus braços, enquanto o meu marido, Pedro, estava a celebrar o aniversário de outra criança.

O filho da sua ex-namorada, Leo.

Leo também fazia seis anos hoje.

O médico saiu da sala de emergência, com o rosto pálido.

"Senhora Alves, fizemos tudo o que podíamos."

As suas palavras foram calmas, mas cada uma delas atingiu-me com uma força brutal.

Senti o meu mundo a desmoronar-se. O meu corpo ficou dormente, frio.

Olhei para o pequeno corpo de Lucas na cama do hospital, o seu rosto ainda com um toque de azul devido à asfixia.

Horas antes, ele estava a rir, a pedir-me o seu bolo de aniversário de super-herói.

Agora, ele estava imóvel. Para sempre.

Tirei o telemóvel, as minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurá-lo.

Liguei ao Pedro.

A chamada foi atendida rapidamente, mas não foi o Pedro quem falou.

Ouvi uma música de aniversário alta, risos de crianças e a voz de uma mulher, a sua ex-namorada, Sofia.

"Olá? Quem é?"

A sua voz era doce, cheia de felicidade.

"Sou eu, a Clara. Preciso de falar com o Pedro. É urgente."

"Ah, Clara," a voz dela mudou, tornando-se um pouco impaciente. "O Pedro está ocupado. O Leo está prestes a soprar as velas. O que queres? Ele disse para não o interrompermos."

Soprar as velas.

O meu filho nunca mais soprará as velas.

"Diz-lhe que o Lucas morreu."

A minha voz saiu como um sussurro rouco, desprovido de qualquer emoção.

Houve um silêncio súbito do outro lado. A música parou.

Depois, ouvi a voz do Pedro, irritada.

"Clara, que raio de brincadeira é esta? Hoje é o aniversário do Leo! Não podes simplesmente deixar-nos em paz por um dia? O Lucas está bem, ele estava bem esta manhã!"

"Ele não está bem," respondi, a minha voz a ganhar uma clareza assustadora. "Ele engasgou-se com um doce. Ele está morto, Pedro."

"Isso é impossível! Estás a mentir para chamar a atenção! Já te disse, a condição do Leo é mais séria, ele precisa de mim aqui! Pára com este drama, estás a assustar o Leo!"

A chamada terminou.

Ele desligou-me na cara.

Olhei para o ecrã escuro do telemóvel.

Drama. Ele chamou-lhe drama.

O meu corpo começou a tremer incontrolavelmente. Não de tristeza, mas de uma raiva fria que se espalhava pelas minhas veias.

Liguei novamente. E outra vez. E outra vez.

Todas as chamadas foram diretamente para o correio de voz.

Ele bloqueou-me.

No momento mais devastador da minha vida, o meu marido bloqueou-me para poder celebrar o aniversário do filho de outra mulher.

O meu filho, o nosso filho, jazia morto a poucos metros de mim, e o pai dele achava que era uma mentira para estragar uma festa.

Uma gargalhada amarga escapou dos meus lábios.

O som ecoou no corredor vazio do hospital, assustando uma enfermeira que passava.

Ela olhou para mim com pena.

Eu não precisava de pena.

Eu precisava de justiça.

Levantei-me, as minhas pernas firmes. Caminhei de volta para a sala e beijei a testa fria do meu filho uma última vez.

"A mãe vai fazer com que ele pague, meu amor. Eu prometo."

Saí do hospital e entrei num táxi.

"Para a Rua das Flores, número 12, por favor."

Era a casa da Sofia.

O lugar onde o meu marido estava a celebrar enquanto o nosso filho morria.

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