
Dividida por Eles
Capítulo 2
Capítulo 2 - A
— E então Bianca, o que você quer? – perguntou.
— Passei anos da minha vida sendo enrolada por um homem, que me feriu de uma maneira que nunca consegui superar, então eu sei distinguir quando estou sendo enganada, e você já sabia que eu cairia na sua. – disse.
— Ok, não posso negar, sim, eu tinha certeza, que você séria mais uma na minha cama, mas quando me aproximei, vi que séria diferente. Só tive a certeza quando pediu para mentir para sua amiga, ninguém nunca me rejeitou – falou.
— Então é por isso que estou aqui, só para você mostrar que ninguém te rejeita? Pode pegar, e contar para os teus amigos – falei abrindo meu macacão.
— Quero você, mais não assim, quero que venha por que me quer. – falou.
— Então eu posso ir embora? – perguntei.
— Sim, quando desejar, porém eu gostaria que ficasse, quero muito conversar com você, acho que podemos ser amigos – falou e me pareceu sincero.
— Tudo bem, se eu voltar pra casa agora a Elly vai me matar mesmo. – falei.
— Quer tomar o que? Tenho cerveja, vinho e tequila. – falou.
— Nossa cerveja, não tomo desde a adolescência, eu quero. – falei e lembrei que sempre tomava cerveja com o Rodrigo era a nossa bebida preferida.
— Então qual é a historia da cerveja? – perguntou.
— Como assim? – perguntei.
— Não conheço muitas mulheres como você, que gostam de cerveja, elas preferem vinho, ou outras frescuras. – falou.
— Eu aprendi com um amigo que cerveja era bom, sempre que saiamos ele me dava, ai eu fui gostando. – falei, era difícil lembrar de como pensei que era feliz com ele, e que era tudo mentira.
— E porque terminaram o relacionamento? – perguntou.
— Porque acha que era um relacionamento? – perguntei.
— Você fala com saudade, tristeza e mágoa. – disse.
— Nunca ouve um relacionamento, eu que achei errado, e ele deixou bem claro isso, quando me chutou. – falei.
— Você ainda não disse o motivo. – disse.
— Acho que ele cansou de brincar com a adolescente boba e apaixonada. – falei.
— Adolescente, como assim? Quantos anos tinha. – perguntou engasgando.
— Tinha 13, e ele 20. – respondi.
— Minha nossa, você era uma criança, isso é estupro. – disse indignado.
— Calma, eu me apaixonei, e ele nunca me forçou a nada, foi sempre carinhoso até o dia que me deu o pé, e arruinou o restante de vida que tinha, desde então eu tento superar, mas ficaram marcas. – falei.
— Quero saber mais. – falou.
— Esta falando sério? Porque o interesse? – perguntei.
— Não sei, só quero saber mais de você. – falou.
— Ok, já que é assim, eu vou precisar de mais bebida. – falei sorrindo.
— Vai lá na geladeira pegar, aproveita e traz algumas que colocamos no frigobar, descendo a escada a direita. – disse.
Sai do quarto sem ver muito bem, a casa estava a meia luz, fui pelas palavras dele, cheguei na cozinha e avistei 2 refrigeradores, abri o primeiro e só tinha comida, então fui para o segundo, e estava lotada de bebidas, cervejas, bordos, licores e outros que nem conheço, pensei que ele daria uma festa, peguei as cervejas e voltei pro quarto.
Rafhael estava de pé, parado no meio do quarto, a visão dele só de cueca, era simplesmente, incrivelmente e absolutamente perfeita.
— Trouxe quantas? Está tudo bem? – perguntou parecendo que não entendia.
— Tá sim, trouxe 15, vai dar uma festa? – perguntei tirando os olhos dele.
— Não, porque acha isso? – perguntou.
— Você tem muitas bebidas, por isso achei que fosse festa. – falei.
— Não, são para mim, gosto de beber ás vezes. – falou.
— Então é um alcoólatra, porque só um bêbado tem tantas bebidas. – falei.
— Claro que não, é que como não posso comprar, eu aproveito que tenho um amigo maior e peso pra ele comprar, só que ele só vem de 2 em 2 meses aqui. – falou.
Parei no momento que entendi o que ele tinha acabado de falar, que não podia comprar e pedia para o amigo que era maior, como assim maior?
— Quantos anos você tem? – perguntei.
— 19 anos, mais nesse pais só se pode comprar com 21, ai eu estoco em casa. – falou.
— Meu deus, eu não acredito, que quase fiquei com uma criança, eu vou embora. – falei indo para a porta.
— Bi. – falou segurando o meu braço, e seu toque me causando correntes elétricas pelo corpo.
— Já te falei que não precisamos transar, e acho que por experiência própria, você sabe que não sou nenhuma criança, sou um homem de 19 anos, qual é o problema. – falou.
— Não sei se é uma boa ideia. – falei.
— Porque não seria uma boa ideia, estamos conversando e bebendo como amigos que foi o que decidimos, mais se quiser ir, eu não vou te impedir. – falou.
Eu deveria ir, mais não queria, pela primeira vez, eu estava conversando com um homem, não que eu não conversasse, mais isso era diferente, eu me sentia bem com Rafhael, mesmo não o conhecendo.
— Tudo bem, acho que eu estou sendo ridícula. – falei, ele se aproximou.
— Que bom que nos acertamos, agora tira essa roupa. – falou encostado no meu cabelo.
Meu corpo tremeu em choque, ou desejo com as palavras dele, e depois de alguns segundos eu me virei.
— Não entendi. – menti.
— Tenho certeza que entendeu, mais deixa eu explicar, a sua roupa está me deixando louco, então gostaria que a tirasse e vestisse alguma coisa da minha gaveta, é serio, esta difícil pra mim manter o controle. – falou rindo e se afastando.
Como eu queria que ele perdesse o controle, mais não, era a minha chance de ter uma noite tranquila, eu não sabia, entretanto conversar com um completo estranho, estava sendo libertador.
Fui até uma gaveta e tirei uma camisa dele.
— Vou vestir, já volto. – falei e fui em direção a uma porta.
— Acho melhor você ir trocar no banheiro ai é o armário. – falou rindo e eu dei língua, o que fez ele parar de sorrir na hora.
— Já volto. – falei e sai.
O banheiro era incrível, uma banheira gigante, chuveiro, e tudo de melhor, pensei em quantas ele já tinha enrolado e trazido pra casa, enfim não era da minha conta, tirei o macacão e vesti a camisa, arrumei o cabelo e sai.
Não tinha ninguém do lado de fora do quarto, peguei uma cerveja abri e me encostei na parede, quando o vi entrar, ele parou na minha frente me encarando.
— Meu deus, acho que o macacão era melhor. – falou.
— Não tem graça. – falei.
— Não está engraçado, está tentador. – disse.
— Se continuar vou embora. – disse.
— Ok, como eu acho você bacana, vou tentar ficar na minha. – disse.
E assim ficamos conversando, por horas, até o sono ou a bebida me pegar. No dia seguinte acordei atordoada, e olhando onde estava, a cabeça doía, e o mundo girava, oh ressaca do inferno, olhei ao lado, e ele estava dormindo lindamente.
Levantei devagar e peguei meus sapatos e o macacão, mais pensei melhor, sair na rua com aquela roupa não era bom, fui até o armário e peguei um blazer, que devia ser de alguma mulher, tirei a camisa e vesti, estava curto, mais ia resolver.
Peguei um papel e uma caneta e escrevi um recado, e deixei em cima da mesinha, sai do quarto e fui embora, chamei um táxi e fui pra casa.
Como diz Elly, não tirei o atraso, entretanto desabafei com um cara, que provavelmente não vai mais me querer, depois de tudo que contei, mais eu tentei, me sinto bem e leve.
— " Mais que merda, eu não coloquei o telefone." – falei alto no táxi.
— A senhora quer que eu volte? - perguntou.
— Não, talvez seja melhor assim, pode seguir. – disse.
Meu deus como eu sou burra, esqueci a droga do numero do telefone, " é com certeza não o verei mais".
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