
Digitais que Queimam
Capítulo 3
Já eram mais de onze da noite e o bar fervia. Porções de aperitivos eram pedidos e as bebidas alcoólicas rodavam e rolavam soltas pelo ambiente. Luiza equilibrava a bandeja na mão, andando de um lado para o outro, anotando pedidos e levando drinques, não tinha nem ideia de quantos passos já tinha dado aquela noite, com certeza mais que um maratonista em corrida, certeza.
Do canto de olho ela observou o grupo de amigos no canto que gritava e ria batendo palmas para o alto e dançando a musica que tocava batendo no ombro um do outro. Deviam estar comemorando alguma coisa, pelo que ela percebeu. Ela franziu a testa e voltou para a cozinha.
- Ah, que bom que chegou, vem cá - Marcos disse a chamando com a mão. - Ta tudo bem? Tudo em ordem? - ele era o mais velho, e era como o "líder" dos garçons, sempre querendo saber de tudo e manter a ordem.
- Tudo... - Luiza disse desconfiada. Marcos não dava ponto sem nó, ela sabia que tinha algo ali.
- Certo, certo... vou direto ao ponto - "sabia!" Luiza pensou - Você sabe que é contra a politica da empresa que funcionários tenham relacionamento entre eles certo?
- Certo...- disse sentindo o braço de Marcos rodear seu ombro pra sussurrar em seu ouvido.
- Longe de mim querer sem empata foda Lu, mas você e o Pedro precisam parar de se agarrar no banheiro antes que alguém descubra.
Luiza arregalou os olhos - Não estamos...
- Qual é, sempre vocês se trancam lá antes do expediente começar, todo mundo sabe, só, tomem mais cuidado ok? Eu apoio, formam um lindo casal. - disse dando uma piscadela e se afastando.
Luíza ficou parada no lugar sem acreditar no que tinha ouvido, sem conseguir esboçar alguma reação. - Pela sua cara ele veio te alertar sobre nosso romance secreto - ele ouviu Pedro dizer ao seu lado com uma risada.
- Não te incomoda?
Ele deu de ombros - Esse emprego não é a minha vida, não quero levar nenhuma dessas pessoas pra minha vida pessoal então não, não me importo. E você é bem gatinha,eu pegaria. - ele disse rindo e se afastando como Marcos se afastou, com uma piscada.
Luiza outra vez ficou parada analisando aquelas palavras. O que estava acontecendo naquele dia afinal? Tomou um copo de água e voltou para o bar.
Logo viu a mão de um do grupinho que ela observava antes se levantar, chamando um garçom. Ela caminhou ate lá, pegando seu bloquinho - Pois não?
Um dos caras riu, segurando um copo de Whisky na mão - Meu amigo Thiago tem algo pra te dizer - disse rindo mais ainda e os outros o acompanhando.
Ela olhou para cada um deles, confusa, nenhum parecia dizer nada, talvez, nenhum deles era o tal Thiago. Ate que virou de costas, dando de cara com um rosto que ela tinha certeza que já tinha visto em algum lugar. Tentou puxar da memoria mas não conseguiu se concentrar porque do nada os lábios do homem a sua frente pressionaram os seus.
Ela ficou parada, sem reação, coisa que parecia que estava acontecendo muito aquela noite, enquanto os lábios levemente macios ainda estavam sobre si, as mãos do homem segurando seus ombros sem apertar, até que as mãos foram ate as suas e ela sentiu um papel ser colocado em uma delas - Me liga - o homem sussurrou quando se afastaram.
Luiza sentiu todo seu sangue esvair de seu corpo, assim como seu coração bater mais rápido do que ela estava acostumado, ela virou os pés, fazendo o caminho de volta a cozinha, ouvindo a gritaria que deixou na mesa quando se afastou.
Chegou lá e abriu o papel, claramente um numero de telefone. Bufou, balançando a cabeça em negação. Que piada de mau gosto.
Amaçou o papel e jogou no lixo.
E, mais do que nunca, queria que aquele dia terminasse logo.
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