
Devaneio Imparável
Capítulo 2
BILLY
— É, parece que você não vai conseguir nada ali! — Kevin sussurrou provocativo, apontando discretamente na direção de Briana.
— E quem disse que eu queria algo com ela? — Respondi com uma ponta de irritação, sentindo a tensão aumentar.
— Te conheço muito bem, Billy! — Ele gargalhou, sua expressão desafiadora.
— Que se dane, cuide da sua vida! — Respondi firme, sentindo a necessidade de impor limites.
— Existe outro impedimento: a Alison. Ela está no seu pé também! — Ele gargalhou mais alto, como se encontrasse humor na situação.
— E desde quando eu devo satisfação a ela? — Sentei-me sobre a mesa, deixando claro meu descontentamento. — Você sabe muito bem que nosso lance não é sério, nunca foi! — Encarei os cabelos ruivos da garota à minha frente, determinado a deixar as coisas claras.
— Pessoal, escolhi o tema sobre meio ambiente! — Alison exclamou, segurando uma cartilha nas mãos.
— Legal, eu adoro a natureza! — Briana murmurou com um brilho nos olhos, enquanto Alison revirava os dela.
— Depois da aula vamos a um barzinho, tá afim de ir com a gente? — convidei, tentando manter a animação apesar do desconforto que já se instalava.
— Obrigada, mas não vou. Moro um pouco distante da cidade, não posso perder a minha carona! — Briana disse, ajeitando algumas mechas de cabelo atrás da orelha com um gesto delicado.
— Suponho que sua carona seja o seu irmão? — perguntei, estreitando os olhos para tentar entender melhor sua situação.
— O próprio! — ela sorriu de canto, um sorriso que escondia mais do que revelava.
— Convide ele pra ir com a gente! — sugeri, tentando encontrar uma solução para sua relutância em participar.
— Seria uma grande perda de tempo, tenho certeza que ele não iria, além do mais, o que vão fazer em um bar? Ainda são menores de idade, não deveriam vender bebidas pra vocês! — Ela falou com um lindo biquinho formando-se em sua boca, uma expressão que misturava preocupação e curiosidade.
— O Billy não é menor de idade, ele já tem 18, e mesmo que fosse, ele pode tudo, o pai dele é praticamente dono dessa cidade! — Kevin interveio, dando ênfase à influência de minha família.
— Uau, então você vem de uma família influente e poderosa? — Briana me olhou com ainda mais curiosidade, parecendo querer decifrar algo em mim.
— Não gosto de falar sobre a minha família! — soltei um sorriso forçado, tentando desviar o assunto.
— Pelo visto você também foi reprovado algumas vezes, não é? Já que é maior de idade! — Ela arqueou uma sobrancelha, parecendo ter encontrado um ponto sensível.
— Duas vezes pra ser exato, estou a caminho da terceira reprova! — pisquei discretamente para ela.
— Quase tive uma reprova também! — notei ela dando uma leve mordida no lábio inferior, um gesto que denunciava uma certa tensão.
— Então, Briana, você vai com a gente ou não? — Kevin entrou novamente na conversa, parecendo não entender a relutância dela.
— Já disse que não, moro bem distante daqui! — sua voz assumiu uma certa rispidez, indicando que não queria mais prolongar o assunto.
— Levo você depois! — Olhei nos olhos castanhos da garota, decidido a encontrar uma solução.
— Como é? — Alison se intrometeu, mostrando-se surpresa com a minha oferta.
— É isso mesmo que você ouviu, me ofereci para levá-la depois, algum problema com isso? — meu tom de voz tornou-se mais firme, deixando claro que não aceitaria interferências.
— Gente, eu não quero causar problemas! — Briana suspirou, preocupação transparecendo em seu rosto.
— E não terá, não é mesmo, Alison? — Encarei os olhos enojados da garota que costumava impor suas vontades sobre mim.
— Não! — sua voz mal saiu audível, refletindo seu desconforto diante da situação.
— Não ouvi direito, quero que fale em voz alta! — segurei firmemente em seu maxilar, exigindo uma resposta clara.
— Não, ela não terá problemas! — Alison acabou por gritar, cedendo à pressão.
— Boa garota! — soltei minha mão de seu rosto, percebendo o olhar surpreso de Briana sobre mim, uma mistura de espanto e admiração que eu não conseguia decifrar completamente.
Certamente ela deveria estar me achando insensível, mas eu estava pouco me importando com o que pensavam de mim naquele momento. A maioria que me conhecia já sabia como eu era, e eu não fazia questão de mudar essa percepção. Foi então que o treinador do time de futebol pediu licença ao professor e entrou na sala de aula.
— Tenho uma vaga para jogador e duas para animadoras de torcida. Alguém se habilita? — perguntou ele, e o silêncio na sala foi total, dando para ouvir até os grilos cantando lá fora, no jardim do colégio.
— Parece que ninguém aqui vai querer participar! — comentou o professor, que parecia já esperar por essa reação.
— Quem é a senhorita Foley? — o treinador perguntou, e percebi que Briana apertou os olhos com força, suas bochechas ficando vermelhas como pimentões. Não demorou muito para ela se virar para ele e levantar a mão, visivelmente envergonhada.
— Ah, é a aluna nova! — o professor esclareceu, sorrindo.
— Seu irmão disse que você era animadora de torcida na escola anterior! Ele me informou que você comandava as garotas, quero você na minha equipe, não aceitarei um não como resposta! — o treinador aproximou-se, encarando-a de forma determinada.
— Pelo jeito não terei escolhas, não é? — ela cruzou os braços e o encarou de volta, resignada.
— Te espero para ensaiar com as garotas depois das aulas! — ele avisou e saiu da sala.
— É, parece que ela não vai ao bar do Joe! — Alison comentou, com um sorriso pretensioso no rosto.
— Vai sim, a gente espera o treino acabar! — Eu arquei as sobrancelhas, decidido a incluí-la em nossos planos.
— Não precisa, eu não quero acabar com o programa de vocês! — Briana desviou o olhar depois de me encarar por um instante.
— Tá vendo? Ela disse que não precisa! — Alison bufou, irritada.
— Você é tão irritante, Alison. Vamos encerrar isso de uma vez! — exclamei, colocando a mão sobre a cartilha do trabalho e mudando completamente de assunto, querendo evitar mais discussões desnecessárias.
As horas seguintes foram consumidas pela tarefa que o professor havia designado. No entanto, Kevin e eu permanecemos inativos, enquanto as garotas realizavam o trabalho em nosso lugar.
— Por que esses dois preguiçosos não estão ajudando? — questionou Briana, com uma expressão de desaprovação evidente em seu rosto.
— Eles nunca fazem nada! — acrescentou Hanna, demonstrando sua frustração com a situação.
— Estão brincando comigo? Eles vão levar crédito pelo meu esforço? — Briana cruzou os braços e me encarou, buscando uma resposta que justificasse nossa inação.
— Apenas faça o trabalho, Briana! — levantei-me abruptamente, inclinando-me para frente com as mãos apoiadas na mesa, tentando manter a compostura diante da acusação.
— Não sou sua empregada, idiota! — ela explodiu, pegando um livro e o lançando em minha direção, surpreendendo a todos na sala com sua reação impulsiva.
— Peça desculpas! — murmurei, desviando o olhar para evitar encará-la diretamente, sabendo que sua raiva era justificada.
— Você vai ajudar ou não? — ela colocou os cabelos de lado, esperando uma resposta firme.
— Não, eu não vou fazer merda nenhuma! — rosnei entre dentes, deixando claro que não cederia à pressão.
— Então não espere que eu peça desculpas! E mais uma coisa, os nomes de vocês não serão incluídos na entrega! — Ela assumiu uma postura firme, apoiando uma mão na mesa e a outra na cintura, deixando claro que estava determinada em suas decisões.
— Você não faria isso! — Gargalhei, tentando minimizar a situação com um pouco de humor.
— Quer apostar? Não me subestime, você não tem ideia do que sou capaz! — Ela deu um leve tapa em minha bochecha, mantendo seu olhar desafiador. Por um momento, hesitei, tentando articular uma resposta, mas percebi que, de certa forma, ela tinha razão.
— O que devo fazer então? — Perguntei, sentindo os olhares da turma sobre mim, enquanto ao mesmo tempo, um sorriso audacioso surgia nos lábios de Briana.
— Sabe desenhar? — Ela perguntou, e concordei com a cabeça. — Ótimo, então desenhe algo relacionado a uma floresta! O Kevin pode colorir quando você terminar! — Falou como se estivesse comandando a situação. Acabei seguindo suas instruções, desenhando elementos naturais e relacionados à natureza. Briana pediu permissão para sair da sala, enquanto Hanna, Kevin e Alison me encaravam com curiosidade.
— Que foi isso, Billy? — Questionou Hanna, intrigada com minha mudança de atitude.
— Desde quando você obedece a alguém assim? — Alison cruzou os braços, demonstrando descrença na situação.
— Por que não fez algo a respeito? — Kevin gesticulava com as mãos, querendo entender minha escolha.
— Calma, pessoal, eu só não quis criar um problema com o professor! Se ela contasse a ele, certamente daria razão a ela. Além disso, ela é nova por aqui, não me conhece tão bem! — Tentei explicar, buscando minimizar qualquer mal-entendido.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, pesado como se uma tempestade estivesse prestes a desabar sobre nós. Concentrei-me ao máximo para concluir o desenho, tentando afastar os pensamentos conflitantes que rodopiavam em minha mente. De repente, como se quebrasse o silêncio tenso, senti uma mão tocar meu ombro. O toque foi sutil, mas o suficiente para me tirar momentaneamente da minha concentração. Virei-me para ver quem era, esperando encontrar algum dos meus colegas de classe. No entanto, me deparei com os olhos de Briana, fitando-me com uma expressão indecifrável. A tensão entre nós era perceptível, como se estivéssemos em um cabo de guerra emocional, cada um tentando manter sua postura e controle da situação. Por um instante, nossos olhares se encontraram, e naquele breve momento, pude sentir uma mistura de desafio e curiosidade emanando dela. Aquela simples ação de tocar meu ombro fez com que eu percebesse o quanto a dinâmica entre nós havia mudado desde o momento em que nos conhecemos naquela sala de aula. E, ao mesmo tempo, despertou em mim um sentimento de intriga e cautela, pois eu sabia que aquela não seria a última vez que nossos caminhos se cruzariam de forma tão intensa.
— Uau, você desenha muito bem, Billy! — Briana comentou ao se aproximar. Franzi a testa, incomodado com o toque, e não demorou muito para que ela percebesse, recuando imediatamente.
— Terminei! — Joguei o lápis sobre a mesa, sentindo uma tensão no ar.
— Não foi tão ruim, né? — Briana murmurou, e impulsivamente segurei firme em seu maxilar, reagindo ao incômodo que sua presença me causava.
— Quem você pensa que é? — Rosnei entre dentes, deixando claro minha insatisfação.
— Da próxima vez, me deixe fora do seu grupinho, assim não teremos problemas, certo? — Ela empurrou minha mão com agressividade, demonstrando seu descontentamento, e ajeitou os cabelos com um charme peculiar, encerrando o momento de tensão com uma aura de desafio.
Fiquei observando-a por um momento, ponderando sobre a dinâmica que acabara de se estabelecer entre nós. Estava bastante intrigado e percebi que enfrentaríamos sérios problemas no futuro. Briana demonstrava ser uma pessoa ousada e determinada, características que podiam gerar conflitos, especialmente porque eu não tinha paciência para lidar com esse tipo de situação. Parecia que estávamos destinados a colidir, nossas personalidades confrontando-se em uma batalha silenciosa que eu não tinha certeza se estava pronto para enfrentar. Seu comportamento desafiador e sua determinação em fazer valer suas vontades deixavam claro que não seria alguém fácil de lidar. Enquanto refletia sobre isso, uma sensação de desconforto se instalava em meu peito. Talvez fosse o início de uma relação conflituosa ou simplesmente um mal-entendido que poderia ser resolvido com o tempo. Mas, naquele momento, uma coisa era certa: Briana Foley não era alguém que eu podia ignorar ou subestimar.
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