
DETALHES DE UMA PAIXÃO
Capítulo 3
Acreditava que depois que eu saísse daquele lugar, daquele hotel, não voltaríamos a nos ver, eu sentia algo estranho dentro de mim, para ser exata, um certo desespero.
Enquanto amanhecia, Juan me olhava com aqueles olhos bonitos que passavam uma expressão de ‘’não quero te perder’’, o que me fazia ficar ainda mais triste. Apesar de estar fascinada por ele, jamais poderia esquecer os meus compromissos, e chegava a minha hora de ir.
Poucos minutos antes do embarque, Juan me chamou ao refeitório do hotel e, segurando uma das minhas mãos, ele me conduziu até a cozinha. Ela ficava no segundo andar, subimos as escadas e ele preparou um café rápido, pediu que eu fizesse a primeira refeição do dia ao seu lado.
Foram poucos momentos juntos, mas o suficiente para eu estar completamente apaixonada por aquele homem. Juan correspondia tudo com a mesma intensidade, então, chegou o momento tão temido por nós. Eu tinha que ir embora e já estava na hora do ônibus!
Me levantei da cadeira ao seu lado, abaixei a cabeça, respirei fundo com o coração partido e disse: — É, Juan, chegou a hora! Não posso mais ficar aqui com você, senão perco o ônibus. Foi um grande prazer te conhecer, espero que algum dia a gente se encontre por aí novamente.
Ele deu uma breve olhada para baixo, em seguida levantou os olhos, observando fundo aos meus, e, para me torturar um pouco mais, ele disse:
— Não!
— Hum? Não o quê?
— Não vai, fica mais um pouco, fica comigo! — ele repetiu.
Aquelas palavras definitivamente eram tudo o que eu queria ouvir, saindo daquela boca deliciosa, mas me mantive firme e respondi:
— Não posso ficar, realmente tenho que ir embora.
Segui à recepção para entregar a chave do quarto, já estava na hora do ônibus. Olhei para ele com um ar de ‘não quero ir’, com um forte aperto de mãos, ainda olhando em seus olhos, me despedi.
Na verdade, naqueles últimos segundos, eu o encarava com meus lábios em chamas, querendo aquele beijo ardente, tão ansiosamente esperado, desde o primeiro instante em que o vi, mas faltou coragem mútua, assim, nos despedimos.
Quando saí do hotel, ia na calçada, ouvi uma voz me chamando muito forte. ‘’Patrícia, Patrícia…’’ Olhei para trás, o vi, Juan vinha correndo em minha direção. Antes que eu pudesse responder, ou no mínimo perguntar o porquê havia me chamado e o que gostaria de falar comigo, ele chegou ofegante, me tomou em seus braços, com a boca inteiramente na minha, sem sequer conseguir respirar direito. Foi nesse momento que finalmente pude sentir o calor da sua boca, dos seus lábios quentes, me beijando de maneira ardente.
Após sentir o seu corpo inteiro colado ao meu, perdi completamente a noção do tempo e do espaço, bem na hora em que o ônibus chegava à rodoviária, infelizmente, eu não tinha outra alternativa, realmente tinha que ir. Desprendi-me daquele corpo gostoso e daquela boca maravilhosa, ainda meio tonta com tamanha emoção, eu mal conseguia ficar de pé, fui deslizando minhas mãos na dele.
Fui deixando aquela paixão avassaladora, sem poder fazer nada. Corri um pouco até chegar ao ônibus, quando cheguei à porta, olhei para trás e lá estava ele, me encarando, praticamente pedindo para que eu ficasse. Ele não sabia, mas na verdade aquilo era tudo o que eu queria também, mas realmente eu precisava ir.
Entrei no ônibus, me sentando ao lado da janela, e enquanto o ônibus saía, Juan continuava a me olhar. Naquele instante me deu vontade de pedir ao motorista que parasse para que eu saísse correndo de volta para os seus braços, mas eu tinha plena consciência que não podia fazer tal ato, assim fomos nos distanciando até que eu não o vi mais.
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