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Capa do romance Destino Reescrito

Destino Reescrito

Luna viveu 21 anos tentando conquistar quatro homens para voltar ao seu mundo, mas falhou. Após ser impedida de se matar por Mateus e sofrer abusos do irmão Leandro e de Ricardo, ela foi presa injustamente. Felipe tentou torná-la sua concubina, mas ela acabou nas mãos de Stella, uma rival do sistema. Ao usar veneno contra a vilã, Luna saltou de um penhasco sob os gritos dos seus algozes. De volta ao lar e curada, ela agora saboreia sua liberdade enquanto eles sofrem com a culpa.
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Capítulo 3

A ironia era tão densa que quase me sufocou novamente. Anos atrás, fui eu quem o encontrou à beira da morte, um estudioso faminto e doente, abandonado em uma vala. Eu o levei para casa, limpei suas feridas, dei-lhe comida e um lugar para ficar. Naquela época, ele era tímido e grato, e me seguia como uma sombra, prometendo retribuir minha bondade um dia. Eu o guiei, ensinei-o a ler as pessoas, a navegar pelas complexidades da corte. Vi seu potencial e o ajudei a subir, até que ele se tornou Mateus, o poderoso e reverenciado sumo sacerdote.

Ele era meu amigo mais próximo, meu confidente. Ele confiava em mim.

E então Stella apareceu.

Tudo mudou em um piscar de olhos. Uma carta forjada, cuidadosamente plantada em meus aposentos, "provava" que eu estava conspirando contra o príncipe herdeiro, Ricardo. A caligrafia era uma imitação perfeita da minha. A armação foi impecável. Stella chorou, alegando que eu a ameacei para que ela guardasse meu "segredo sujo".

E todos acreditaram nela.

Meu irmão, Leandro, me deserdou e me expulsou do clã. Ricardo, meu noivo, rompeu nosso noivado e me chamou de traidora. E Mateus, meu amigo, foi quem me olhou com mais frieza, como se eu fosse a personificação do mal. Ele foi quem sugeriu que eu fosse trancada no Pavilhão Esquecido, para "refletir sobre meus pecados" pelo resto da vida.

Foram quatro anos. Quatro anos de solidão, fome e humilhação. As criadas me batiam, roubavam minha comida e riam da minha desgraça. Eu lavava suas roupas em água gelada até meus dedos sangrarem. Eu era a escória do palácio, a mulher que todos amavam odiar. E tudo isso, enquanto Stella era celebrada como uma santa, a salvadora que expôs a vilã.

Agora, Mateus estava aqui, olhando para mim como se eu fosse um verme.

"Fazer cena?", consegui dizer, minha garganta ardendo. "Você acha que eu faria tudo isso por atenção?"

Uma risada seca escapou de seus lábios.

"O que mais seria? Você sempre foi assim, Luna. Desesperada por ser o centro do mundo. Quando viu que ninguém mais se importava com você, decidiu usar a morte como seu último truque."

Eu o encarei, a raiva me dando uma força que eu não sabia que tinha.

"Se você realmente acredita nisso", eu disse, minha voz ganhando firmeza, "então por que você veio? O Pavilhão Esquecido é longe do seu templo. Você não deveria estar aqui."

Seu rosto se contraiu por uma fração de segundo. Ele foi pego de surpresa.

"Você não se cansa de me subestimar, não é?", continuei. "Você veio porque ouviu um boato e ficou preocupado. Você veio porque, no fundo, uma parte de você ainda se lembra daquele garoto moribundo que eu salvei."

"Cale a boca!", ele rosnou, a compostura abalada.

"Eu não vou me calar. Você pode mentir para si mesmo o quanto quiser, Mateus. Mas nós dois sabemos por que você está aqui."

Ele se levantou abruptamente, recompondo sua máscara de indiferença. Ele alisou suas vestes, como se tentasse limpar a sujeira do meu contato.

"Eu vim porque o príncipe herdeiro não quer um cadáver apodrecendo em sua propriedade. É um mau presságio."

Ele caminhou até a porta.

"Arrume suas coisas. Você não pode mais ficar aqui."

"E para onde eu iria?", perguntei, a esperança morrendo novamente.

Ele se virou, um sorriso cruel em seus lábios.

"Isso não é problema meu. Sua vida ou morte não significam nada para mim. Apenas saia do palácio. Você é uma coisa suja, e sua presença contamina este lugar."

Ele se foi, deixando a porta aberta.

Eu me levantei com dificuldade, meu corpo todo doía. Peguei o pequeno pacote de pano que continha minhas poucas posses e saí para a noite fria. Eu estava livre do Pavilhão Esquecido, mas para quê? Para morrer do lado de fora dos portões em vez de dentro?

O palácio era vasto. Enquanto caminhava pelos jardins escuros, a lua cheia iluminou a superfície de um grande lago ornamental. A água parecia calma e convidativa.

Se ele não ia me deixar morrer enforcada, então eu encontraria outro caminho.

Sem hesitar, caminhei em direção à borda. O ar da noite estava gelado, mas eu não sentia nada. Minha mente estava focada em um único pensamento: "Mãe, pai, estou indo para casa."

E então, eu pulei.

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