Capa do romance Destino: O Herdeiro Alfa

Destino: O Herdeiro Alfa

9.8 / 10.0
Eliza Singer leva uma vida dupla como a estrela Lisa e uma loba oculta. Ao fugir da pressão familiar para o vilarejo de Siram, ela busca refúgio com sua avó e uma rotina comum. Contudo, o clã local a despreza por sua origem humana. Em meio ao preconceito, ela encontra seu parceiro predestinado: o herdeiro Alfa, que a subestima. Determinada, Eliza desafia tradições e a frieza dele para decidir seu próprio futuro e lutar pela liberdade de amar quem quiser.

Destino: O Herdeiro Alfa Capítulo 1

Cinza... essa era a cor que descreveria perfeitamente meu humor hoje. Da porta, me vi incapaz de dar mais do que dois passos, como se o centro da sala fosse capaz de transformar o meu cinza em preto.

— Oi, meu nome é Eliza Singer, tenho 16 anos e venho de Heington. É um prazer fazer parte de uma escola tão prestigiada quanto o colégio Siram. — Essa foi a minha apresentação formal diante de um monte de olhares desco-nhecidos de adolescentes com sangue de lobo.

Alguns me olhavam com tanta curiosidade que parecia que eu era uma peça rara de um museu, enquanto outros pareciam revirar os olhos com des-dém perante uma recém-chegada que nasceu e cresceu no meio de humanos comuns. No meio disso, uma garota ruiva sentada no fundo ignorou comple-tamente minha curta apresentação, compenetrada no que parecia ser o traba-lho de uma vida. Seus dedos se moviam silenciosa e graciosamente sobre um papel, e seus olhos brilhavam perante algo que poderia ser uma obra-prima, ou simplesmente rabiscos...

Na minha cabeça, tudo o que eu queria era sair daqui, voltar correndo para Heington e fingir que nada acontecera nas últimas semanas, mas era im-possível ignorar a grande convocação. Na melhor das hipóteses, eu seria presa e julgada como rebelde, mas sabia que não iria parar por aí.

A grande convocação foi uma decisão tomada durante a grande confe-rência dos clãs, realizada na cidade de Heington, localizada a leste de Siram. Heington é uma importante metrópole humana, central nas negociações e na distribuição de mercadorias entre os clãs. Devido à sua excelente localização e ao fato de não pertencer a nenhum dos clãs, ela era considerada o local neutro ideal para sediar as importantes conferências dos alfas, que ocorrem anualmen-te.

— Ei, novata! Pode se sentar aqui ao meu lado. — Um garoto de apa-rência atlética, cabelos pretos encaracolados e uniforme amassado apontou para a cadeira vizinha perto dele. Preferi uma cadeira mais atrás, enquanto passava pelo corredor, percebi uma piscadela convencida do garoto, achando que eu tinha dado bola.

Revirei os olhos, passei direto e me detive no assento vago em frente à ruiva distraída. Lançando um rápido olhar para o papel sobre o qual ela con-centrava sua atenção, percebi pequenos círculos pretos traçando um caminho sobre um conjunto de linhas. Eram notas musicais que compunham uma me-lodia estranhamente familiar.

Sentei-me calmamente, sorrindo, enquanto o professor de biologia dava prosseguimento à aula. Embora tivesse perdido alguns dias de aula no semestre por conta da mudança, não me sentia nem um pouco perdida com o conteúdo explicado.

— E assim vemos como a genética... — O som estridente do sinal tocou, fazendo com que os alunos se levantassem rapidamente e saíssem apressados da sala. Guardei calmamente o meu caderno de volta na mochila e percebi o pro-fessor resmungando algo para si mesmo.

— Eliza! — chamou-me assim que passei por ele. Olhei firmemente pa-ra os seus olhos castanho-claros, o que o fez desviar o olhar enquanto cutucava a sua barba branca.

— Precisa de algo? — perguntei, com monotonia na voz. Não queria prolongar a conversa, já que ainda precisava encontrar a sala da próxima aula, e chegar atrasada no primeiro dia não seria bem-visto.

— Sei que é tudo novo para você, talvez não esteja conseguindo acom-panhar as coisas...

— Estou bem! — interrompi-o antes que começasse com a conversa de fingir que entendia o que estava passando e que podia me ajudar. Já ouvi a mesma conversa dezenas de vezes essa semana e não precisava da pena de nin-guém. Vir para cá foi uma escolha minha e estava me adaptando como podia. — Professor, agradeço a preocupação, mas isso não é necessário.

Tentei soar o mais suave e direta possível. Encarei-o seriamente, espe-rando por sua liberação, e o ouvi suspirar enquanto me olhava de forma um pouco diferente.

— Eliza, conheço o seu histórico e já imagino o desempenho que terá por aqui. Não deixe que essas mudanças a impeçam de continuar brilhando. — Sorri para ele e assenti. O colégio Siram não é nada comparado à Genius School, colégio que eu frequentava até o semestre passado, mas não podia ex-por isso abertamente ou poderia perder minha vaga no único colégio deste vilarejo com ensino aceitável. — Annie, poderia mostrar para Eliza onde é a próxima sala?

Olhei para trás e percebi que a ruiva distraída ainda estava lá sentada, a única que ficou para trás.

— Annie! — O professor caminhou até ela e arrancou um fone sem fio do ouvido dela, o que finalmente a tirou do transe.

— Oi? O quê? A aula acabou? — questionou ela, completamente per-dida.

— Annie, poderia acompanhar a senhorita Eliza até a próxima aula? Acredito que vocês estejam na mesma turma.

— Eliza? — Esta talvez tenha sido a primeira vez que ela olhou para mim desde que tirou os olhos do seu caderno de música. Me perguntava como era possível alguém se perder tão completamente dessa forma.

— Olá, prazer! — disse, acenando para ela. Um olhar de compreensão pôde ser visto imediatamente em seu rosto e suas bochechas com sardas fica-ram avermelhadas. Ela enfiou as coisas de qualquer jeito na bolsa e caminhou em minha direção, mantendo o olhar baixo ao longo do caminho. Resolvi quebrar o silêncio primeiro.

— Annie, certo? — Ela assentiu de leve, mas manteve o olhar para bai-xo. Paramos no corredor de frente para a porta da próxima sala. — Percebi que você estava escrevendo uma partitura. Posso dar uma olhada?

— Bem, sim... Não! É que ainda não está pronta — tentou se explicar enquanto apertava as laterais da sua saia de forma tímida.

— Sou compositora também. Talvez eu possa ajudar. — Ela olhou dire-tamente para mim, talvez para avaliar a veracidade das minhas palavras.

Percebendo que eu falava sério, ela abriu a mochila e me entregou seu precioso trabalho. Peguei uma caneta e rapidamente comecei a corrigir as notas fora de tom e ritmo, bem como completar a última linha que faltava. Imagi-nando o "estrago" que eu estava fazendo, ela arregalou os olhos, paralisada, esticando os braços trêmulos na tentativa de recuperar seu caderno.

— O que você está fazendo? Me devolve!

— Pronto! — Não me dei ao trabalho de explicar. Simplesmente devol-vi a composição e entrei na sala, deixando-a para trás, desconcertada.

"Disse que ia manter o perfil baixo, mas já começou a se mostrar", murmurou minha loba dentro de mim.

"Não pude evitar. A falta de atenção dela já estava me irritando. Consi-dere meu único ato de boa vontade", retruquei de volta para a minha loba.

Minha loba, Lisa, estava certa. Meu objetivo era tentar passar desperce-bida e terminar esse ano sendo invisível. Para isso, assumi um visual mais nerd, com roupas folgadas, óculos grandes e mantive meus longos cabelos negros presos em um coque. Se eu não conseguisse passar invisível por esse quase um ano e meio que me faltava para terminar o ensino médio, então acabaria en-trando em apuros.

— Viu? Eu consigo — sussurrei para mim mesma após o toque do sinal que punha fim ao meu primeiro dia de aula.

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