
Destinado a te amar
Capítulo 2
Louise trocou a roupa comum por um simples uniforme de limpeza em tons de cinza e branco, com o emblema bordado no lado esquerdo do peito: The Fashion Y. Não conteve um sorriso discreto ao ler o nome da empresa gravado ali, como se, de repente, ela fizesse parte de algo maior do que jamais imaginara.
Seu primeiro destino foi o 20º andar, o mais luxuoso da empresa. Ali ficavam as salas do Diretor Geral, do Vice-Diretor e de alguns dos nomes mais poderosos daquele império da moda. Para Louise, cada detalhe parecia saído de um sonho: os corredores espaçosos, os lustres brilhantes, o carpete impecável, tudo dava a sensação de estar em um palácio.
Enquanto limpava o chão, seus olhos vagavam admirados pela grandiosidade ao redor. Em uma das áreas mais belas, onde a vista da janela se abria para a cidade como uma pintura viva, ela notou uma pequena sala de secretária. Uma moça elegante, impecavelmente vestida, folheava documentos com concentração. Atrás dela, uma porta imponente trazia uma placa dourada:
“Diretor Geral – Proibida a entrada.”
Um arrepio percorreu o corpo de Louise. Aquelas palavras lhe soaram quase como um aviso de perigo, como se lá dentro vivesse um cão bravo. Como apenas um homem poderia carregar tanta responsabilidade?, pensou.
Seguiu sua rotina e, quando foi limpar as portas de vidro, deteve-se diante de uma sala de administração toda transparente. Ao erguer os olhos, congelou.
Lá dentro, sentado à mesa, estava um homem que parecia ter saído de uma capa de revista. Loiro, traços perfeitos, postura confiante. Ele era Jean, o Vice-Diretor Geral. O coração de Louise disparou. Nunca, em toda a sua vida, tinha visto alguém assim tão de perto. Aos olhos dela, era surreal, quase inacreditável.
Como ele é lindo! pensou, enfeitiçada.
Mas seus devaneios foram bruscamente interrompidos por uma voz feminina carregada de ironia:
— Com licença, o que está fazendo, moça?
Louise se virou rápido, meio sem graça.
— Olá… estou limpando a porta. Em que posso ajudar?
A dona da pergunta era Cássia, uma das modelos mais famosas da empresa. Alta, loira, de olhos verdes intensos, parecia uma boneca de porcelana.
— Entendo… mas acho que já está limpa, não? — disse em tom de desprezo.
— Sim, verdade — respondeu Louise, tímida.
Cássia a olhou de cima a baixo e retrucou com desdém:
— Então comece a limpar aquelas luminárias. Estão imundas. Aliás, esse é o seu trabalho, não é? Evite se distrair com coisas que estão muito além do seu alcance.
Louise engoliu em seco, mas respondeu firme, embora com suavidade:
— Eu sei muito bem disso.
Cássia franziu o cenho, claramente irritada com a ousadia discreta da faxineira. Ao se afastar, pensou com veneno: Como essa garota ousa olhar para Jean? Pobretona… Ele está muito além de você.
Louise, observando a silhueta altiva da modelo desaparecer no corredor, murmurou baixinho:
— Essa daí deve ser uma vaca…
Respirou fundo e voltou ao trabalho. Enquanto limpava luminárias e peças de vidro, não conseguia evitar reparar na quantidade de pessoas bonitas que circulavam pela empresa. Alguns rostos eram tão familiares que parecia impossível. Rihanna? Avril Lavigne? Brad Pitt? Ver celebridades de tão perto era inacreditável.
Tão distraída estava, que deixou um dos artigos de vidro cair e se espatifar no chão. Assustada, se abaixou rápido para recolher os cacos, mas acabou cortando as mãos delicadas. O sangue escorreu, manchando o uniforme. Ainda assim, não se queixou — apenas limpou o ferimento como pôde e continuou juntando os pedaços.
Foi quando uma voz masculina, suave mas firme, soou atrás dela:
— Você está bem?
Louise ergueu os olhos devagar… e seu coração quase parou. Era Jean. O mesmo homem que, minutos antes, ela observava de longe, agora estava ali, diante dela. Tão próximo que parecia irreal. Seu rosto corou imediatamente, e por alguns instantes ficou muda, apenas encarando a beleza dele.
— Está me ouvindo? — insistiu Jean, preocupado.
— Hã… sim! Não se preocupe, foi só um arranhão — respondeu, sorrindo nervosa.
Ele não pareceu convencido.
— Você está sangrando. Venha comigo, vou levá-la à enfermaria.
Sem esperar resposta, segurou delicadamente o braço dela, ajudando-a a se levantar. O toque fez Louise sentir um arrepio percorrer o corpo inteiro.
Na enfermaria, vazia devido ao horário de almoço, Jean improvisou. Colocou duas cadeiras frente a frente, trouxe os materiais necessários e, com calma, começou a cuidar do ferimento.
Louise, corada, observava cada traço dele enquanto ele se concentrava no curativo. Eu devo estar sonhando… ele é lindo como um anjo, pensava.
— Está doendo? — perguntou ele, sem levantar os olhos.
— Só arde um pouquinho… — murmurou.
Jean ergueu o crachá dela e leu em voz baixa:
— Srta. Louise… então é o seu primeiro dia, não é?
— Sim, hoje mesmo. Estou adorando trabalhar aqui.
— Percebi. Só não adoraria tanto se tivesse se cortado mais grave. Precisa tomar mais cuidado.
Ela sorriu tímida.
— É verdade, vou me cuidar.
— Pronto, está feito. Agora já passa da hora do almoço. Vá se alimentar antes de voltar ao trabalho, combinado?
— Nem percebi o tempo passar…
— O tempo voa. E lembre-se: evite esforço com essa mão.
— Muito obrigada. Até mais! — disse ela, levantando-se.
Antes de sair, voltou-se para ele:
— Desculpe, mas… como é mesmo o seu nome?
— Jean.
— Ah, sim… Muito prazer, Jean. Nos veremos novamente.
— Até breve — respondeu ele, com um leve sorriso.
Louise saiu quase flutuando. Tinha acabado de conhecer o homem mais lindo que já vira e agora até sabia seu nome.
No refeitório, ficou perdida ao procurar onde sentar. Até que ouviu uma voz simpática atrás dela:
— Ei, novata! Senta aqui com a gente!
Era Sinde, uma colega de uniforme igual ao seu. Louise agradeceu e se juntou a ela e a outros colegas da faxina, que a receberam calorosamente. Entre risadas e histórias, descobriu como funcionava a hierarquia rígida da empresa, onde cada setor tinha o seu lugar — e os faxineiros ficavam no último.
— Aqui tudo gira em torno de status — explicou Lucas, um dos colegas. — Mas não se engane. Nosso setor é o mais feliz. O resto vive de aparências.
Louise riu e concordou. Talvez fosse verdade.
Depois do almoço, voltou ao trabalho, mas sua mente insistia em voltar à cena de Jean cuidando dela. Ela não fazia ideia da importância dele na empresa, mas já sentia que algo especial havia começado naquele instante.
E mal podia esperar para contar tudo à sua querida avó, quando fosse visitá-la no hospital mais tarde.
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