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Capa do romance Despedida de Solteiro

Despedida de Solteiro

Neríssa vive um dilema angustiante: é a madrinha de casamento do homem que ama em segredo. Enquanto inveja a coragem de Elizabeth para conquistar Edgard, segredos obscuros cercam os noivos. Elizabeth mantém um caso com o padrinho Enrique, enquanto o próprio Edgard propõe uma despedida de solteiro com liberdade total. Em Londres, essa rede de traições e culpas está prestes a explodir, revelando que ninguém é realmente inocente nessa união.
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Capítulo 2

Como nós já bem imaginávamos. Flávia enviou o que seu pai fez por e-mail o escrito de seu pai e o Editor correu para pôr.

"Maravilhoso, ele voltou" — disseram os críticos.

Edmundo muito put$%#@ da vida, pegou o celular e teimou com Marcelo. A edição 1919 de 16 de Agosto de 2021 do jornal foi a mais vendida de sua história.

Mas os acontecimentos deste capítulo não serão entorno destes personagens, pois existe outra briga de casal que também exigirá a atenção de Edmundo.

Nossa nova trama se desenrola um dia após os acontecimentos do capítulo anterior e gira em torno de um casal de jovens enfrentando dificuldades em seu relacionamento. Entre os clientes habituais da Biblioteca-Café, está Éden, um jovem estonteante com cabelos lisos e longos, na cor loira. Sua fama por toda Londres se deve aos seus olhos de tonalidade esverdeada, que são verdadeiramente cativantes.

Ele se senta, faz um pedido, puxa seu celular do bolso e relê uma mensagem no Whatsapp.

"Eu te amo, simplesmente não diz tudo".

A mensagem veio no meio da madrugada após "bater boca" com Natalli, sua namorada.

Eles certamente não combinaram de se ver, mas sempre se esbarravam na biblioteca café para conversarem sobre o dia, algumas horas antes do futebol dele e o balé dela. Como estava no "furo", pela briga, havia comprado um lindo e inusitado buquê de girassóis para dar de presente a ela.

"Mas falta alguma coisa". — pensou.

Flávia sempre deixa os jornais do dia encima de algumas mesas aleatoriamente, Éden teve a brilhante ideia de ler, pois havia visto no jornal que Edmundo havia escrito numa coluna. Após folhear e achar aquela reflexão maravilhosa, Éden se inspirou na reflexão que leu de Edmundo no jornal, caçou papel e caneta, e escreveu um bilhete que passaria a acompanhar o buquê.

Ele não percebeu, mas Natalli, sua namorada, havia entrado no lugar acompanhada de Edmundo que parecia lhe dar conselhos amorosos. Mesmo que o clima entre os namorados parecesse tenso, Edmundo olhou para Éden e acenou ao subir para o segundo andar do local.

Natalli foi quem lhe lançou um olhar. Ela é uma adolescente com a pele tão clara quanto uma folha de papel, mas seus olhos caramelo são verdadeiramente encantadores, harmonizando perfeitamente com as grandes tranças castanhas que ela usa. Suas sobrancelhas grossas e marcantes, assim como os lábios rosados, completam sua beleza cativante. Como estudante em tempo integral, ela está sempre vestindo o uniforme da tradicional escola britânica, o Instituto Imperial.

Natalli lhe encarou rispidamente e Éden fugiu do encontro de seus olhos. Ela notou o buquê e o bilhete. Éden lhe deu em silêncio.

Natalli abriu o pequeno bilhete e leu em tom moderado para que Éden escutasse.

— Sente-se amada porque lhe disseram isso? A demonstração de amor requer mais do que palavras e beijos. Ser amado é sentir que a pessoa é interessada em sua vida, zelando por sua felicidade, se preocupando quando as coisas não vão certo, se colocando a postos para ouvir suas dúvidas, além de dar aquela sacudida quando for preciso.

Éden deu um sorrisinho de lado. Natalli se surpreendeu com o primeiro dos três parágrafos.

— Ser amado é ver que a pessoa que te ama, lembra-se das coisas que você disse anos atrás e fica triste quando você está triste. Sente-se amado aquele que não vê a mágoa transformada em munição na hora da discussão. Sente-se amado, aquele que se sente aceito por inteiro. Ser amado é saber que está com aquela pessoa que pode falar e compreender qualquer coisa. — Natalli suspirou ao sentir a primeira lágrima cruzar uma bochecha.

— Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem briguinha, sem inventar um personagem para a relação, já que personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira, quem não levanta a voz, mas fala, quem não concorda, mas escuta... — Natalli foi interrompida por Éden que disse a última linha do bilhete para que ela escutasse.

— Agora, sente-se e entenda: EU TE AMO, NÃO DIZ TUDO.

Natalli correu para um abraço apertado em seu namorado.

Esta foi a primeira briga de muitas que certamente viverão, mas a primeira finalmente acabou.

Edmundo, do lado de cima, encarou a situação com gargalhadas.

— Viu o que fez? — disse Flávia.

— E o que eu fiz? — questionou assustado.

— Éden leu a sua crônica e escreveu um bilhete de perdão para Natalli.

— Como você sabe de tudo isso?

— Eu presto atenção nas coisas!

Edmundo lhe encarou.

— O que você aprendeu com isso tudo? — perguntou.

— O que eu aprendi? — respondeu ele.

— Que tudo acaba bem, quando termina bem e o que falamos ou escrevemos pode ressoar e agir na dor de alguém. Nada é em vão. Continue a nadar. — sorriu.

Edmundo revirou os olhos e rebateu.

— Não há nada que um velho como eu queira nessa vida, já tenho de tudo. E mesmo que eu consiga influenciar outras pessoas e seus amores, eu mesmo, não consegui ficar com o meu.

Flávia sentiu a resposta pesada de seu pai.

"Ele não muda". — pensou.

As horas se passaram, o ciclo infinito dos segundos, minutos e horas voltaram a girar uma vez mais. E em meio a isso, outros personagens agem a trama de fato.

Elizabeth estava no bar de um luxuoso hotel no coração de Londres. Falo do Bermonds Locke, um verdadeiro oásis urbano como nenhum outro no mundo. O lugar tem acomodações tranquilas por ser um apartamento-hotel, completo com móveis de design exclusivos. Algo completamente surreal para quem convive com a realidade brasileira. O lugar é bem próximo da Torre de Londres, a famosa Tower Bridge. Seu bar possui coquetéis variados.

Contudo, por ser um lugar discreto, é bem comum que amantes se se encontrem apenas para deixarem a carne falar mais alto. Mas hoje, foi o amor que deu o ar da graça.

Nossa personagem abriu uma carta escrita numa folha comum de caderno, mas com uma letra invejável. Ela leu para si em tom baixíssimo, não sabia o que esperar.

— Podemos escolher entre a felicidade plena ou o momento da paixão. Mesmo quando temos a chance de optar pela serenidade de um sentimento maduro, concreto e estável, há quem prefira aquela dúvida de um olhar correspondido. Algumas pessoas não se adaptam ao outono de uma relação duradoura e preferem o fogo do verão no vão da incerteza. Não é fácil escolher o calor que incendeia e o morno que aquele. O grande problema é que a paixão nunca será eterna e nem sempre temos a maturidade necessária para entender isso.

Elizabeth arregalou os olhos, não esperava por isso. A conversa seria séria demais, não era uma carta de sacanagem de um amante com tesão. Era uma declaração de amor. Ela deu outra golada na bebida que tinha no copo e continuou.

— A adrenalina do caos emociona e nos ensina. Quando estamos envolvidos num turbilhão de sentimentos, dúvidas e sorrisos é que vemos além do corpo. Enfrentar certos obstáculos é mais do que edificante, é recompensador, mas amar sem obstáculos, é ainda melhor. Às vezes fazemos escolhas erradas e acabamos abdicando de algo que não consideramos o ideal no momento. Se acertamos ou não, só saberemos depois, mas o segredo é sempre tomar uma decisão com o coração, jamais com a cabeça.

Elizabeth hesitou. Seu cérebro parecia alertar o que viria adiante. Mas ainda assim, continuou.

— Se a razão lhe cobrar, responda que consciência está tranquila. O que não podemos fazer é insistirmos numa escolha equivocada. Sabemos que nenhuma escolha é fácil, especialmente quando falamos de amor. Aquele cara que mexe contigo, te completa? Pois não desejo continuar com aquela mulher que certamente não posso confiar. Nossa felicidade depende das nossas escolhas. Você deseja ser feliz agora ou para sempre? Então Elizabeth?

Elizabeth não parecia acreditar ao ler a última frase da última linha.

— Quer casar comigo?

Ela não sabia o que dizer, pois o que fazer, era claro e evidente. Aos prantos, com os olhos molhados de lágrimas, Elizabeth apanhou a carta, amassou no cinzeiro que estava próximo e o queimou com o cigarro manchado com o tom do batom que usava.

"Ele teve uma vida inteira para se declarar, mas agora, eu irei me casar com outro, não posso mais flertar com a dúvida de ser companheira desse vendaval de emoções. — pensou.

Nossa protagonista não tão donzela assim, recebeu um pedido de casamento de seu amante no bar onde eles desviavam suas noites para irem transar. Infelizmente para ele, essa seria a última noite dela, pois aceitou o pedido de casamento de seu noivo. Ele a está esperando na cama, confiante de que Elizabeth largará tudo para se casar e fugir com ele. Coitado, passará por uma grande decepção em alguns minutos.

Infelizmente, o amor por si só, não sustenta uma relação, mas ele entenderá que sexo também não é a coluna para todos os relacionamentos.

Sim, você não entendeu errado. Elizabeth recebeu um pedido de casamento do seu amante. Mas espere que esta história ainda tem como piorar. O celular dela vibrou. Elizabeth sacou e olhou a mensagem de Neríssa, sua melhor amiga e madrinha desse casamento.

"Almoçamos juntas amanhã?"

Elizabeth ligou para sua amiga.

— Miga?

— Viu minha mensagem?

— Óbvio! — brincou.

— Vamos almoçar e passar por aquela loja que me disse, ok? — completou.

— Sim, sim. E os outros afazeres do casamento?

— Está tudo indo como deve ser, não tive problema algum.

— Não teve problema, tirando o vestido, né?

— CARA! Nem me fale, fui ao Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, passei pela França, rodei por Paris, marquei a lua de mel, mas não achei o vestido.

— E eu o encontrei bem ao lado da sua casa, numa casinha em Londres. — debochou Neríssa.

— O que eu faria sem você, cara?

— Eu não sei como vai se casar!

As duas riram.

— Tá por onde? — questionou a amiga.

Elizabeth deu uma bola olhada ao redor, a fim de saber se existia a remota possibilidade dela ou de outra pessoa estar por ali.

— Tô em casa, acabei de ler um livro, já tava indo dormir.

"Meu Deus, eu vou para o inferno". — pensou.

— Desculpe te incomodar então, boa noite amiga!

— Boa noite Nê! — disse Elizabeth.

"Ufa".

Elizabeth pagou a conta e solicitou um Uber ao acaso. Enquanto aguardava, seus olhos se fixaram no contato de seu amante no Whatsapp, e ela decidiu silenciar suas notificações.

"Agora, para nós, infelizmente é tarde". — pensou.

Seu Uber chegou em poucos minutos e ela voltou para sua casa.

Não tão distante de lá, quem esperava por todo o acontecimento ocorrido, era seu amante. Ele estava despido de qualquer roupa enquanto a esperava na cama redonda, coberto por um simples lençol preto.

"Ela não vem". — imaginou enquanto encarava a si mesmo visto pelo espelho do teto.

Este é Enrique, um amante das baladas, bebidas e mulheres. Festeiro compulsivo e viciado em academia. Mas agora encontrava-se abalado e amargurado pelo amor não correspondido.

"O que aquele idiota tem que eu não tenho? Porque ela vai se casar com alguém tão inexpressivo quanto ele e me deixará pra lá?"

Enrique se levantou da cama completamente sem roupa e atendeu seu telefone que tocava à algum tempo.

— Pode falar.

— Cara, tá por onde pô? Preciso falar contigo! — disse a voz masculina.

— Eu me perdi na bebida, amanhã a gente conversa, pode ser?

— Enrique, eu quero que guarde o meu anel de casamento, tem como?

Enrique se sentou na cama assustado.

— Pera Edgard, o que você tá falando?

— EU QUERO QUE VOCÊ SEJA O MEU PADRINHO DE CASAMENTO IRMÃO! — exclamou Edgard.

Enrique caiu pra trás e voltou a se encarar com o espelho no teto.

— Eu... Eu...

— Porque o espanto? Você é o meu melhor amigo cara, sem você, eu nem casaria pô. Eu e a Elizabeth combinamos que teríamos somente um casal de padrinhos, ela escolheu a Neríssa e eu escolhi você. Entendeu?

Um turbilhão de sentimentos e emoções se passaram pela cabeça do nosso pervertido galã.

— Eu não mereço tanto cara. Escolhe o Edmundo.

— Enrique? Eu não aceito não como resposta. Amanhã a gente se encontra em algum lugar e eu te dou a aliança, ok?

— Ok...

Ao desligar o telefone. Enrique não sabia se sorria ou se chorava. Nossa trama principal finalmente começou.

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