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Capa do romance DESEJOS PROIBIDOS - CONTOS ERÓTICOS

DESEJOS PROIBIDOS - CONTOS ERÓTICOS

Nesta jornada de autodescoberta, uma mulher decide romper com todas as amarras da repressão. Sem culpa ou vergonha, ela reivindica o direito ao próprio prazer e à plenitude de seu corpo. É um manifesto de libertação onde o silêncio dá lugar à força do orgasmo e à busca incessante pela felicidade. Rejeitando justificativas ou obrigações externas, ela assume a missão de se tornar inteira, celebrando cada desejo sem medo e vivendo sua sexualidade com total entrega.
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Capítulo 3

Lua Nova

E

la tinha acabado de sair do banho quando de repente faltou luz no apartamento. Ainda nua e molhada, ela tateou a toalha no escuro, se enrolou e foi até a janela pra ver se tinha sido só no seu prédio, no meio do caminho esbarrou na quina da cama e xingou deus e o mundo. Era lua nova e o céu tava escuro, nublado, sem estrelas. Tudo apagado lá fora. Parecia que tinha faltado energia no bairro e no céu inteiro.

Ela observou a escuridão, a cidade apagada, passou um vento e ela se arrepiou, a pele ainda úmida do banho. Mas foi mais que um arrepio, foi um sopro frio na coluna, como um redemoinho subindo pela espinha - uma sensação estranha que ela não soube ler, por isso interpretou como um pressentimento ruim e temeu algo que não sabia o que era nem conseguia sequer enxergar. Talvez fosse só a ansiedade lhe visitando novamente.

Foi então que ela sentiu algo escorrendo quente pela parte interna da sua coxa - lembrou que estava menstruada. Voltou pro banheiro, esbarrando na mesma quina e xingando mais que da primeira vez, se agachou, os pés descalços no azule frio, abriu a portinha do armário debaixo da pia e tateou no escuro por absorventes.

Ela finalmente lembrou que tinha esquecido de passar na farmácia e que tinha trocado o último absorvente no trabalho. Se ela já tinha xingado deus e o mundo antes, agora xingou três vezes mais. Como, no escuro, ela ia sair pra comprar absorvente? E mesmo que fosse, ela ia sangrando? Melando tudo, passando vergonha? Então ela teve uma ideia brilhante: podia ligar pra farmácia. Voltou pro quarto, procurou o celular na bolsa, ligou, ouviu a voz metálica da atendente do outro lado dizendo "boa noite" e quando estava prestes a fazer o pedido... morreu a bateria.

Sozinha em casa ela gritou palavrões indignados, subiu uma raiva quente da barriga até o rosto, a face pegando fogo, que dia merda, ela pensava repetidamente, como um mantra, que dia merda, um desses dias que dá tudo errado, o trabalho uma merda, o trânsito uma merda, como se não bastasse o dia inteiro com cólica... e agora isso. Era tanta raiva, tanta frustração... que deu vontade de chorar. Ela chorou, exausta. Na sua cabeça repassava tudo que estava errado na sua vida, tudo que não ia como ela desejava ou esperava, se sentiu fracassada e vítima do mundo.

Deitou na cama, frustrada, derrotada, sem forças até pra chorar, e encarou a escuridão. Tudo parecia mais silencioso que o normal. Outro vento fresco entrou pela janela e arrepiou sua pele de novo. Os mamilos enrijeceram. Dessa vez, foi um arrepio diferente, talvez tenha sido o mesmo, mas ela sentiu diferente. Desse arrepio brotou uma ideia: sutil, sorrateira, esperançosa, talvez. O sangue escorreu pelas suas virilhas e ela fez um gesto, enxugando com a barra da toalha - era uma toalha vermelha, então ela não se importou muito em manchar.

O toque da toalha ali na virilha, roçando perto da buceta, foi inesperadamente... bom.

Ela estranhou aquilo, aquela sensibilidade toda, ela tava meio sem libido ultimamente, com preguiça de transar, na hora h não conseguia calar a mente, os pensamentos super lotando tudo e correndo na velocidade da luz. Com dedos duvidosos, ela tocou a entrada da vagina, tava quente, molhada, seus dedos logo se lambuzaram de sangue. Ela nunca tinha realmente tocado o próprio sangue, sempre tinha tido um pouco de nojinho, distância. Mas nesse momento, ela achou o toque gostoso, aveludado. E com os dedos assim lambuzados tocou a vulva, seus lábios carnudos, seus pelos e a cada toque subia uma ondazinha suave de calor.

Ela fechou os olhos e se permitiu se tocar, não esperando nada - ela tava tão cansada que não esperava nada, estava completamente rendida, mas ao mesmo tempo levemente curiosa, aquelas ondinhas mornas de prazer que nasciam no clitóris e subiam pela coluna eram gostosas, reconfortantes, por que não continuar? Era só um carinho. Com os dedos molhados de sangue, ela continuou. A buceta contraiu e relaxou, contraiu e relaxou, enviando ondas maiores de calor e tremedeira por todo o corpo, cada pelinho se eriçando.

Ela deixou o corpo pesar, amolecer na cama e continuou dançando o dedo sobre o clitóris, a boca aberta respirando o hálito da noite escura, soltando uns sons baixinhos, graves, que ela mal percebia, a única coisa que percebia agora era a fervura que crescia na buceta, o corpo em ebulição, pernas tremendo, ondas cada vez mais potentes de febre e prazer, um êxtase denso, escuro, profundo. Sem noção de tempo, ela sentiu tudo isso crescer, crescer, até explodir num orgasmo que pareceu lhe puxar pra baixo, pro centro da terra, ela se sentiu ser engolida pela escuridão, mas era uma queda boa e, sem se dar conta, da sua boca aberta saiu um grito, um grito de alívio e liberação.

Quando o corpo parou de tremer, ela abriu os olhos, mas tudo ainda era escuridão. Estatelada na cama de pernas abertas e braços estendidos ao longo do corpo, ela se sentiu subitamente acordada, com uma energia tilintante nas mãos e no rosto. Ela se observou. A cabeça parecia limpa, vazia, sem pensamentos. O corpo... leve e pesado ao mesmo tempo. O útero, que antes estava contraído e dolorido, parecia relaxado, ela nunca tinha sentido isso, o útero relaxado, mas sabia que assim era. Então lhe deu uma súbita vontade de rir: ela riu, um riso que ecoou no quarto, no apartamento, no bairro, na cidade, no mundo inteiro. Um riso sincero de mulher que gozou.

Quando se levantou pra beber água não se importou em se enrolar com a toalha, foi nua mesmo, sentindo na pele sensível o vento que corria pelo corredor do apartamento. Também não se importou se ia pingar sangue no chão. Depois era só limpar. Era simples. Por que se preocupar tanto com coisas tão pequenas?, meu deus, como ela se preocupava com coisas pequenas!, ela se deu conta e nada disso fazia sentido agora. Chegou na cozinha sem esbarrar em nada no meio do caminho, estava desperta e se movia como se fosse capaz de enxergar no escuro. Encheu um copo d`água e bebeu prestando atenção em cada gole. Percebeu que mal tinha se hidratado durante o dia. Nunca na vida beber água tinha sido tão delicioso. Meu deus, ela não era uma vítima do mundo. Ela tinha água fresca, teto, cama, comida, clitóris. Ela tinha problemas, claro. Mas ela tinha tudo que precisava pra resolver, só faltava paciência. Só faltava paciência. Isso lhe pareceu a maior revelação de todos os tempos. Ela agradeceu - pela epifania, a água, o gozo.

Foi caminhando de volta pela corredor até o quarto, pensando, toda leve, que talvez devesse experimentar um daqueles coletores ou calcinhas menstruais que viu na internet. Pareceu uma boa ideia. Quando chegou no quarto foi de novo até a janela e olhou pra fora: as nuvens tinham se dissipado, o céu tinha se aberto e se exibia todo manhoso e cravejado de estrelas. Ela viu os pontinhos de luz brilhando alegres no manto negro da noite sem lua e sorriu. Talvez fosse um bom presságio.

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