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Capa do romance Desejo proibido-  2 edição

Desejo proibido- 2 edição

Bati a cabeça na parede uma, duas, três vezes, com tanta força que cheguei a ver estrelinhas brilhando. - Para com isso. Se torturar não vai resolver nada. - Margô falou, sentada do outro lado da mesa no pequeno barzinho na Avenida Atlântica. O pagode romântico que tocava ao fundo, unido ao fedor de cerveja misturado com cigarro, contribuía para o crescimento da minha nostalgia. Quanto mais pensava no que aconteceu, mais me desesperava. Eu ainda não podia acreditar no quanto fui tola, me deixando enganar por um cafajeste que desde o início tinha o objetivo único de me extorquir. Aos vinte e cinco anos de idade eu não tinha mais o direito de ser tão ingênua e de ser tão tapada a ponto de não perceber nada mesmo com todo mundo à minha volta me alertando. Na realidade, eu cheguei a acreditar que as pessoas falavam mal do meu relacionamento com Fábio, por inveja. Fui uma anta mesmo. Foram três longos anos me prostituindo nas calçadas de Copacabana sem gastar nenhum centavo com qualquer coisa que não fosse o básico - como, por exemplo, o aluguel de uma quitinete, roupas e maquiagem -, a fim de guardar o dinheiro para abrir o meu próprio negócio e sair daquela vida miserável. Durante aqueles anos suportei o frio das madrugadas de inverno, o perigo constante e todo tipo de homem usando meu corpo, para que no final aquele maldito me roubasse.
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Capítulo 3

O que eu ia fazer agora, sem dinheiro, sem meu carro para vender e sozinha no meio do nada? Que droga! Por que as coisas sempre tinham que dar tão errado para mim? Parecia até que eu tinha praga de madrinha, ou talvez apenas tomasse todas as decisões descabidas. Desalentada, sem saber o que faria quando chegasse a Montana — isso se chegasse lá, pois nem carro passava naquela estrada —, sentei-me no meio fio, sob o sol que queimava feio minha pele desprovida de protetor solar e fiz o que me restava: esperei. Alguns minutos depois, avistei um carro de luxo vindo na direção de Montana e levantei-me, acenando como uma louca para que parasse, mas o sujeito passou direto, sequer reduziu a velocidade. Não demorou muito para que outro, também de luxo, passasse na direção oposta e tornei pedir carona, afinal qualquer lugar era melhor que ficar ali sozinha no meio do nada, correndo o risco dos ladrões voltarem e acabarem comigo. Mas esse também não parou. Aquilo se perdurou por horas. Carros de modelos caríssimos, como se não existisse pobres naquela região, passavam por mim, indo e vindo, esporadicamente, sem que nenhum pareasse ou sequer reduzisse. E eu sequer podia culpá-los, pois me dei muito mal quando cometi a sandice de dar uma carona. Estava quase desistindo, quando por fim um motoqueiro parou, logo adiante e voltou de ré. Mas que sorte a minha! Tantos carros de luxo passando e logo uma moto barulhenta e velha para! Todavia, isso era melhor que nada, eu só queria sair dali antes que algo pior acontecesse e o sujeito estava indo na direção de Montana, me levaria ao meu destino. Menos mal. — Olá. Muito obrigada por ter parado. — Falei para o motoqueiro, sem ver o seu rosto oculto pela viseira escura do capacete. Apesar do calor, usava uma jaqueta de couro preta, jeans surrado e luvas. — Você está indo para Montana? — Indagou, com a voz grossa. — Sim. Você pode me levar? — Eu praticamente implorei, com dificuldade em empurrar as palavras através da minha garganta seca. O homem tirou o capacete e fiquei muda, quase sem ar, meu queixo caindo tanto que quase tocou o chão. Ele tinha o rosto mais bonito e masculino que meus olhos já viram; a pele possuía um tom moreno raro, como se estivesse muito bronzeada e saudável; o cabelo castanho claro era cheio, formando um topete meio arrepiado; os olhos eram de um azul claro, sombreados por sobrancelhas grossas, naturalmente arqueadas, e carregava uma inocência meio angelical, quase um ar de tristeza; o queixo era másculo, coberto pela sombra de uma barba que parecia não ser feita há uns dois dias e o sorriso, ah que sorriso! Parecia um convite irresistível para a tentação. Esperei que ele descesse o olhar pelo meu corpo, como todo homem fazia quando via uma mulher pela primeira vez — alguns faziam todas às vezes —, mas não aconteceu. Ou era gay, ou eu estava muito mal naquele jeans sujo de poeira, com a pele queimada de sol, e o cabelo, naturalmente desgrenhado, ainda mais emaranhado. Era mais fácil acreditar na primeira hipótese, visto que a minha aparência era o tipo que todo homem olhava, o tipo gostosona, com os quadris largos, as pernas grossas e a cintura fina, o que unido aos olhos verdes em contraste com o cabelo escuro, me garantiam muitos olhadas cobiçosos masculinas, o que até então só me trouxe prejuízo e tristeza. Instintivamente, desci meu olhar pelo corpo dele, buscando o resto da sua beleza, mas não consegui ver muita coisa por baixo da jaqueta folgada, embora tivesse certeza de que era lindo inteiro. Seria o marido que eu escolheria se não fosse um pobretão em uma moto empoeirada. Desse tipo, eu só queria distância. Fábio me ensinou bem a lição. — Você está bem? Aceita um pouco de água? — Ele indagou, sem que aquele sorriso lindo deixasse de brincar em seu rosto. — Aceito sim. Estou morrendo de sede. Sem saltar, ele apoiou os dois pés no asfalto para manter o equilíbrio sobre a moto velha e tirou uma garrafinha de água mineral da mochila que trazia nas costas, entregando-me. — Não está muito gelada, porque faz horas que coloquei aí, mas dá pra beber. Sem hesitar, bebi toda a água da garrafa direto do gargalo, de uma só vez e o vi sorrindo ainda mais amplamente, observando-me com aquela cara de homem puro do interior, sem a malícia inerente a todos os homens que eu conhecia e até aos que eu não conhecia. — Muito obrigada. Eu estava mesmo morrendo de sede. — O sol hoje está muito forte. Vamos sair daqui. — Desprendeu o capacete que estava seguro por uma redinha na garupa e entregou-me, antes de colocar o seu. Fiz o mesmo e montei na garupa, sem saber onde colocar os braços. — Segure-se em mim, se não você pode cair. — Falou. Acreditei piamente que aquele era o objetivo de um homem ter uma moto em vez de um carro, mesmo que fosse um carro barato: fazer com que uma garota o abraçasse antecipadamente, durante um encontro, uma tática que certamente funcionava, pois quando contornei meus braços em volta do seu corpo, a sensação não podia ser mais agradável. Senti músculos rígidos e calor masculino — não um calor comum, esse era gostoso e excitante — partindo de baixo do couro da jaqueta e me aninhei ainda mais a ele, sem ter muita noção do que estava fazendo. Ficando louca, na certa. Foi assim que arrancamos em altíssima velocidade, rompendo o sol da tarde na direção de Montana. CAPÍTULO II Era a primeira vez que eu andava de moto, apesar do barulho infernal do motor e do vento causado pela altíssima velocidade, a sensação era boa, um misto de liberdade e adrenalina, que ficava ainda melhor unido ao calor gostoso que partia daquele homem. Obviamente eu nunca teria nada com ele, por não ser exatamente o que eu procurava, entretanto, não fazia mal algum tirar uma casquinha e tirei uma bem grande durante todo o percurso, abraçando-o com firmeza, por trás. — De onde você está vindo? — Ele perguntou, elevando o tom da voz para que se sobressaísse ao barulho do motor. — Do Rio. Sou de lá e você? — Nascido e criado em Montana. Veio a passeio? Vixe! Eu não tinha me preparado para responder perguntas como aquelas. Tive que improvisar. — Não. Na verdade, estou de mudança. Tenho uma tia que mora aqui. — Quem é sua tia? Talvez eu conheça. Puta merda! — Margô. Conhece? — Seria muita sacanagem se existisse uma Margô naquele lugar. — No momento não lembro. O que você fazia sozinha na beira da estrada? — Fui assaltada. Levaram meu carro, meu dinheiro, minhas roupas e tudo mais. — Minha nossa! Eu sinto muito. Isso não é muito comum por aqui. — Podia ter acontecido com qualquer um. A garota estava pedindo carona e eu parei. — Podia ter sido comigo. — Ele completou como se fosse capaz de ler meus pensamentos. — Você pretende prestar queixa? — Sim. Não vou deixar isso barato. Preciso recuperar minhas coisas. Continuamos conversando como velhos conhecido durante todo o caminho, o que tornou o percurso relativamente rápido. Era noite quando chegamos a Montana. Ao contrário do que eu esperava não se tratava de uma cidadezinha pequena do interior, parecia uma mine metrópole, com muitos edifícios grandes na rua principal, um trânsito bastante movimentado e uma iluminação pública que não deixava a desejar. — Onde você vai ficar? — meu resgatador perguntou e novamente precisei improvisar uma mentira de última hora, afinal eu pretendia primeiro me hospedar em um hotel, arranjar um emprego e só depois socializar com a população, não ao contrário. — Não lembro bem onde fica a casa da minha tia. — menti feio. — Era criança quando vim aqui pela última vez. Esperei que ele me propusesse passar a noite na sua companhia, em um quarto de motel, como qualquer homem faria, mas ele não parecia ser qualquer homem e sua proposta foi diferente. — Tenho uma amiga que é dona de uma pensão. Você pode passar essa noite lá e pela manhã procura a casa da sua tia. O que acha? — Acho ótimo. Obrigada. — Quer comer alguma coisa antes de ir? Eu estava morrendo de fome, mas não queria perder ainda mais o meu tempo, tinha objetivos a cumprir, preferia aproveitar o resto da noite para descansar e estar inteira no dia seguinte. Além do mais não queria prolongar minha intimidade com aquele motoqueiro. Toda a minha sensatez me ordenava a afastá-lo. — Não. Obrigada. Continuamos percorrendo as ruas da cidade até que deixamos o que parecia o centro, para que as mansões que Margô mostrou-me no site revelassem diante dos meus olhos, muito mais suntuosas e esplendorosas que nas fotografias. Jurei a mim mesma que um dia, não importasse quanto tempo demorasse, ainda moraria em uma mansão como aquelas, com o meu futuro marido, um gatinho tão lindo quanto o motoqueiro que me resgatara, porém que dirigisse um carro de luxo e não pilotasse uma moto velha.

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