
Desculpe, já sou casada
Capítulo 3
Com o coração pesado de emoções conflitantes, Johanna entrou no carro.
A sensação do couro do assento contra sua coxa era familiar demais, gravando uma memória em sua pele.
Carson, no entanto, não se apressou em ligar o carro. Ele permanecia no momento, tirando um cigarro com a facilidade de quem já fez isso inúmeras vezes.
"Seja boazinha e acenda para mim", ele pediu, seu olhar fixando-se no dela.
A garganta dela estava seca enquanto engolia, o silêncio entre eles pesado com coisas não ditas.
Apesar da separação e da independência que deveria ter trazido, Johanna se viu alcançando o isqueiro reflexivamente.
Click!
A chama iluminou brevemente seu rosto, lançando sombras que dançavam em suas feições. Enquanto Carson inalava profundamente do cigarro, ele exalava uma suave corrente de fumaça diretamente em direção a Johanna.
Sem hesitar, ela permitiu que a fumaça a envolvesse, a irritação fazendo seus olhos ficarem ligeiramente vermelhos.
O olhar dele permanecia fixo nela, viajando no tempo até três anos atrás, quando as dificuldades a haviam reduzido a uma sombra do que já fora — magra e esgotada pelo ritmo implacável da vida.
Ele tinha testemunhado as mudanças nela, mas, mais uma vez, ela havia perdido peso, com a saúde aparentemente em declínio. No entanto, sua pele permanecia clara, sem maquiagem, despertando nele uma mistura complexa de pena e desejo.
Lutando contra um impulso, a atenção de Carson se voltou para sua mão, notando uma ferida mal cicatrizada em seu dedo esguio. "Como você se machucou?"
Pegando-a de surpresa, Johanna olhou para sua ferida e ficou em silêncio. Ela rapidamente puxou a mão de volta, mascarando sua surpresa com um educado sorriso. "Não é nada sério. Obrigada pela preocupação, senhor Russell."
A resposta dele foi uma risada baixa.
"Senhor Russell?" Ele não pôde deixar de provocar, um sorriso brincando em seus lábios. "Isso é novo! Agora que você tem alguém por quem está apaixonada, as coisas são diferentes, por isso quer se afastar de mim tão rápido."
Johanna, reunindo um sorriso educado, rebateu: "Bem, você está prestes a se casar. Comentários assim parecem fora de lugar agora."
Ele fez uma pergunta afiada em seguida: "Está com ciúmes?"
Sentindo-se atingida pela acusação, ela protestou, talvez rápido demais: "Não!"
Seus sentimentos mal disfarçados, no entanto, apenas divertiram Carson, despertando nele um desejo passageiro de um beijo.
O pulso dela acelerou, e, instintivamente, ela se virou justamente quando seus lábios buscavam os dela, desviando-se.
Foi então que os olhos de Carson caíram sobre o casaco de homem colocado sobre ela. Seu desejo passageiro evaporou enquanto ele casualmente jogava o casaco de lado, o humor indecifrável.
"Robert deve ter grande consideração por você. Vocês dois estão juntos?" Sua voz se perdeu, insinuando mais.
"Não, ele é apenas meu chefe", Johanna esclareceu, puxando o peito de Carson com as mãos.
"Não seria bom? Vê-lo todos os dias certamente tornará as coisas mais fáceis para você, certo?", Carson ponderou, um toque de cinismo em seu tom. "Ele é um bom partido. Você conseguirá o que quer dele."
Johanna se viu sem palavras.
A sensação de ser manipulada por ele era insuportável para ela.
Com uma mistura de desafio e cálculo, ela retrucou: "Bem, isso depende. Minha mãe gosta bastante dele, afinal."
A reação de Carson foi indecifrável enquanto ele se acomodava de volta no assento.
De repente, ele ligou o motor, pegando Johanna de surpresa.
O movimento abrupto fez com que ela batesse a cabeça no painel, acendendo uma faísca de raiva dentro dela enquanto ela instintivamente cerrava os punhos, olhando para ele com frustração.
Mas então, ela soltou um suspiro resignado, decidindo que não valia a pena confrontá-lo.
Logo, chegaram ao prédio de apartamentos onde ela morava.
Carson examinou a estrutura antiga com a testa franzida. "Por que você não se mudou para o apartamento que eu providenciei para você?"
Sua resposta veio suavemente, com firmeza. "Não me pertence de verdade."
"Mas legalmente, é seu", ele insistiu.
Com um tom calmo, mas incisivo, Johanna sugeriu: "Senhor Russell, talvez você devesse reverter o título da propriedade para seu nome."
A conversa chegou a um impasse, com Carson não mais disposto a insistir no assunto.
Saindo do veículo, ele anunciou: "Vou acompanhá-la até lá em cima."
Johanna, no entanto, achou a oferta mais indesejável do que reconfortante.
Separar-se dele era uma luta, mas Johanna temia reacender uma chama que tentara desesperadamente extinguir.
A subida até seu apartamento no sétimo andar, sem elevador e dependente de iluminação ativada por som, a deixou sem fôlego.
Na porta de casa, ela parou para olhar lá embaixo e encontrou Carson ainda ali, como um guardião silencioso, zelando por sua segurança.
A visão trouxe-lhe uma onda de emoções complexas — uma mistura de gratidão e de um doloroso lembrete de um passado entrelaçado.
Ao entrar, um odor desagradável assaltou seus sentidos.
O pânico se instalou quando ela descobriu a fonte: um vazamento de gás, com sua mãe deitada inconsciente no chão.
"Mãe!", ela gritou, sua voz ecoando o terror que a dominava. Enquanto segurava o rosto pálido da mãe, o desespero a dominou.
Com o celular na mão, ela hesitou ao ver o nome de Carson, e então decidiu chamar os serviços de emergência.
Antes mesmo do som da sirene, foi Carson quem chegou.
Johanna, ajoelhada e sobrecarregada pela situação, olhou para cima para vê-lo através de uma névoa de choque e alívio. Nesse momento crítico, ele levantou sua mãe do chão com uma urgência calma.
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